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O Saber Do Sabor  As Plantas Nossas De Cada Dia, GIL

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utilizável é a semente. 
2.Triticum aestivum (Gramineae) 
3.Hordeum vulgare (Gramineae) 
 
 
FAMÍLIA RUTACEAE 
 
DOCE DE CASCA DE "GRAPE-FRUIT" 
Lavar muito bem e vigorosamente a "grape-fruit" com uma esponja grossa. 
Cortar a "grape-fruit" ao meio e em um espremedor remover o suco. Beber o 
suco, com açúcar ou adoçante, quando tiver vontade. Com as cascas pode-se 
fazer a compota a seguir. 
 
 4 "grape-fruits"1 
 300g de açúcar2 
 950ml de água 
 Retirar a casca da fruta e remover com cuidado, com os dedos, todo o 
bagaço que ficou aderido à casca. Ralar rapidamente cada casca e lavar. Partir 
cada uma (cada metade original) em quatro pedaços. Colocar em uma panela, 
cobrir com água e ferver. Jogar a água fora. Colocar nova água e ferver 
novamente. Jogar a água fora. Colocar água fresca e deixar assim, sem ferver 
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até o dia seguinte, sempre fora da geladeira. Trocar a água diariamente até a 
 água ficar pouco amarga (em geral cinco dias). 
 Jogar fora a água, escorrer bem. Ferver as cascas em 950ml de água até 
ficarem macias. Acrescentar o açúcar, deixar ferver. Guardar por um dia. Voltar 
ao fogo e engrossar a calda. Deixar por mais um dia. Voltar ao fogo e apurar. 
Guardar em vidros fechados. 
 
1.A "grape-fruit", Citrus paradisi Macf. (família Rutaceae) é originária da 
Índia. 
2.Saccharum officinarum (Gramineae) 
 
GELÉIA DE MIXIRICA 
Aprendi a fazer esta geléia (“marmelade”), que é a minha geléia favorita com a 
Lil (Lilian) Neilson, uma pintora escocesa que mora em Catterline. 
 Na Escócia, "marmelade" é feita de laranja e não de marmelo. Diz a 
lenda, que quando a rainha Mary, que gostava muito de geléia de laranja, voltou 
da França para Edinburgh, trouxe na comitiva vários franceses, entre eles, a 
dama de companhia. Um dia a rainha estava com dor de cabeça e queria comer 
geléia de laranja. A dama de companhia foi até a cozinha do palácio e disse a um 
dos cozinheiros escoceses: "Marie est malade" e pediu a geléia de laranja. O 
cozinheiro que pouco entendia o francês, repetiu várias vezes a frase, que acabou 
virando "marmelade" e daí para frente a geléia passou a ser conhecida como 
"marmelade". 
 
 1kg de mixirica1 
 950ml de água 
 1750g de açúcar2 
 Retirar as cascas das mixiricas e cortar em tirinhas bem finas. Cortar as 
mixiricas pela metade e tirar o suco. Colocar as sementes em um pano fino, 
amarrar com cuidado. Colocar em uma panela as cascas, o sumo, a água e o 
saquinho com as sementes. Ferver até amolecer as cascas. Remover o saquinho 
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das sementes. Colocar o açúcar, mexer sem parar até o ponto de geléia. Esta 
geléia não precisa ser guardada em geladeira. 
 
1.A mixirica, Citrus reticulata Blanco (família Rutaceae), "mandarin orange", 
tangerina-do-rio é originária das regiões montanhosas da China. A esta espécie 
pertence também o limão-rosa ou limão-cravo. Alguns acham que a espécie é 
Citrus nobilis Lour. 
2.Saccharum officinarum (Gramineae) 
 
 
 
TORTA DE LARANJA DA CLARA QUEIROZ 
Esta é uma homenagem à Clara Queiroz, que na época trabalhava no 
Departamento de Genética, da Universidade de Edinburgh. Este doce era o 
grande sucesso das festas que organizávamos na Escócia. Sempre que um dos 
brasileiros oferecia um almoço ou jantar a Clara era obrigada a preparar este 
prato. Hoje a Clara faz uma carreira brilhante na Universidade de Lisboa. E 
continua a mulher bonita e charmosa de sempre. 
 
 3 laranjas1 
 12 ovos 
 750g de açúcar2 
 20g de açúcar2 cristal 
 24g de farinha de trigo3 
 Misturar, mas sem bater muito os ovos, o açúcar (não usar o açúcar 
cristal) e a farinha de trigo. Ralar a casca das três laranjas e misturar na massa. 
Untar uma forma com margarina e forrar com papel de alumínio. Untar o papel 
de alumínio com margarina. Colocar a mistura e levar ao forno quente. Deixar 
até começar a endurecer (textura entre líquido e sólido). Tirar e virar em cima de 
uma folha de papel de alumínio polvilhada com os 20g do açúcar cristal. Enrolar 
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com muito cuidado, mas ainda quente, na forma de um rocambole. Deixar esfriar 
no papel de alumínio. 
 
1.A laranja-doce comum (laranja-pêra, laranja-lima, laranja-baiana), é Citrus 
sinensis (L.) Osb. (família Rutaceae). É originária da Ásia oriental. Foi a primeira 
fruta que interrompeu o desprezo medieval pelas frutas de um modo geral, a 
partir do século XIV. A Inglaterra comprava laranjas da Itália e a França da 
Espanha. Para o Brasil sementes e mudas foram trazidas de Portugal. Foi muito 
usada como ornamental, como fazia Luís XIV em Versailles. A festa dos 
vendedores de laranja em Paris era no dia 6 de novembro, dia de São Leonardo. 
A laranja é um fruto tipo baga (hesperídio), com casca espessa e porosa que 
encerra muitas glândulas de óleo aromático, e o que se come (a carne) composto 
de células muito grandes cheias de suco. Em 1756 o cirurgião John Lund da 
marinha britânica mostrou que laranja prevenia o aparecimento do escorbuto. 
Monteiro Lobato, no livro para crianças "Os doze trabalhos de Hércules", no 
capítulo "O pomo das Hespérides" conta que no jardim das Hespérides existia 
uma árvore que produzia pomos de ouro, árvore esta que era guardada por um 
dragão que tinha cem cabeças e cem vozes, pertencente à deusa Juno. De acordo 
com os heróis da estória, quando o Pedrinho, a Emília e Hércules mataram o 
dragão e chegaram até a árvore, descobriram que de ouro não tinha nada, mas 
era uma laranjeira. De acordo com os gregos, no início dos tempos só existia 
uma árvore, e esta era guardada por um dragão. Todas as outras laranjeiras do 
Mediterrâneo são provenientes das sementes dessa árvore, pois Juno cuspia as 
sementes do Olimpo para a terra. 
2.Saccharum officinarum (Gramineae) 
3.Triticum aestivum (Gramineae) 
 
 
 
 
 
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FAMÍLIA SOLANACEAE 
 
BOLINHO DE JILÓ 
Com uma caipirinha de pinga bem gelada, nada melhor que este bolinho. A 
receita é da minha cozinheira, a Therezinha Gonçalves da Silva. E um aviso: não 
é amargo. 
 
 150g de jiló1 
 1g de sal 
 5ml de tempero verde da Dina 
 30g de queijo ralado 
 1 ovo 
 20g de farinha de trigo2 
 3g de fermento em pó 
 300ml de óleo de soja3 
 Picar muito bem o jiló (com casca) e deixar em água por uma hora. 
Passar em água limpa e escorrer bem. Cozinhar em água com sal. Coar em 
peneira e amassar o jiló com um garfo. Misturar ao jiló amassado os outros 
ingredientes. Ir tirando com uma colher de sopa e pingando em óleo bem quente 
para fritar. Deixar escorrer em papel absorvente. 
 
1.O jiló, Solanum gilo Raddi (família Solanaceae), é, de acordo com o 
botânico que a gente lê, africano, sul-americano ou antilhano. 
2.Triticum aestivum (Gramineae) 
3.Glycine max (Leguminosae-Papilionoideae) 
 
BERINJELA À FILOCA 
Esta receita é de uma querida amiga, já falecida, a Filomena Chiara. Deixou 
muitas saudades, mas esta receita sempre me faz lembrar dela. 
 
 1 berinjela1 
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 2g de sal 
 3 dentes de alho2 
 1g de pimenta-do-reino3 
 20ml de azeite4 
 0,5g de orégano5 
 20g de queijo ralado 
 20g de farinha de pão de trigo6 
 Cortar a berinjela ao meio, longitudinalmente e ferver com água e sal até 
ligeiramente mole. Deixar escorrer bem. Colocar em uma forma. Fazer incisões 
longitudinais e nelas enfiar o alho em fatias. Temperar com sal e pimenta-do-
reino moída na hora. Polvilhar com o queijo ralado (parmesão é melhor) e a 
farinha de rosca. Acrescentar o orégano. Regar com o azeite. Assar até ficar 
dourado. 
 
1.A berinjela, Solanum melongena L. (família Solanaceae) é originária da 
Índia. A ela foi dado o nome de "maçã da loucura" quando de sua introdução na 
Europa. 
2.Allium sativum (Liliaceae) 
3.Piper nigrum (Piperaceae) 
4.Olea europaea (Oleaceae) 
5.Origanum vulgare (Labiatae) 
6.Triticum aestivum (Gramineae) 
 
 
FAMÍLIA STERCULIACEAE