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das organizações consolidou-se como uma área 
bem definida de estudos e de aplicações práticas. Outros autores também contribuíram para 
ampliar as ideias neoclássicas de organização.
James Mooney e Alan Reiley publicaram, em 1931, Princípios da Organização, destacando 
três princípios básicos: coordenação (arranjo ordenado), escalar (hierarquia de autoridade e 
responsabilidade correspondente) e funcional (distinção entre os diferentes tipos de deveres).
Luther Gulick e Lyndall Urwick publicaram, em 1937, notas sobre a Teoria da Organização, 
destacando que o principal objetivo de uma organização é a coordenação, e atividades 
similares devem ser agrupadas sob uma única chefia. Também declararam que os critérios de 
departamentalização devem ser escolhidos em razão dos interesses da organização, podendo 
ser por função, processo, clientes e localização. 
Urwick acreditava em alguns princípios válidos até hoje e outros que não se sustentaram ao 
longo do tempo:
•	 toda organização deve expressar um objetivo;
•	 deve haver correspondência entre autoridade e responsabilidade;
•	 uma pessoa investida de autoridade é responsável por seus subordinados;
•	 deve ser implantada e respeitada a cadeia de comando;
•	 a coordenação é necessária para orientar os esforços do grupo;
•	 cada tarefa deve estar bem especificada;
•	 nenhum chefe pode supervisionar mais que cinco ou seis subordinados;
•	 cada pessoa deve ter apenas uma função.
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Vytautas	Graičiunas (1898 – 1952) desenvolveu estudos sobre amplitude de controle. Ele 
identificou que gerentes buscam supervisionar cada vez mais subordinados para acumular 
prestígio e poder. Porém, problemas ocorrem, dado que à medida que aumenta-se o 
número de pessoas em um grupo, aumenta-se exponencialmente também a quantidade de 
relacionamentos,	prejudicando	a	capacidade	de	coordenação.	Graičiunas recomendava três ou 
quatro subordinados, reconhecendo que este número poderia ser maior em alguns casos.
As contribuições dos neoclássicos definiram três tipos básicos de organização.
1. Organização Linear: é a forma estrutural mais simples e conta com algumas características 
marcantes oriundas das organizações militares e religiosas, como a autoridade única do 
superior sobre os subordinados; a centralização das decisões; e a comunicação linear e 
formal. É um sistema de autoridade “em cascata”, exercido até o nível organizacional mais 
baixo. Tem como vantagens uma estrutura simples e clara delimitação de responsabilidades. 
As desvantagens recaem na tendência à rigidez; comando autocrático; congestionamento das 
comunicações; e ênfase em chefes generalistas.
2. Organização Funcional: é a forma estrutural que aplica o princípio da especialização 
das funções, possibilitando o exercício da autoridade funcional baseada no conhecimento 
especializado. Os subordinados reportam-se a vários superiores simultaneamente, porém 
circunscritos aos assuntos pertinentes à especialidade de cada um. Tem como características 
a autoridade funcional, a descentralização das decisões e a ênfase na especialização. Permite 
uma melhor supervisão técnica devido à especialização das áreas ou departamentos, o que 
configura uma vantagem. As desvantagens consistem na subordinação múltipla, que dilui a 
autoridade de comando; na tendência à concorrência entre os diferentes especialistas; nos 
objetivos conflitantes; e na tensão constante entre os envolvidos.
3. Organização Linha-Staff: resulta da combinação dos dois tipos de organização, visando à 
maximização das vantagens de ambas, permitindo a integração entre a hierarquia de comando 
(linear) e a especialização técnica (funcional) que presta serviços de assessoria e consultoria. A 
desvantagem desse tipo de organização é resultante do conflito entre linha e staff, oriundo da 
disputa pelo poder.
Essas formas de organização não se encontram em seu estado puro na vida organizacional 
atual e, evolutivamente, novas formas de organização surgiram privilegiando sobretudo as 
equipes multifuncionais constituídas e organizadas em unidades de negócio autônomas e semi-
autônomas.
Afinal, se esses tipos de organização propostos pelos neoclássicos não são relevantes, por 
que então é importante estudá-los? Porque os princípios dos tipos de organização neoclássica 
continuam servindo de alicerce a todo e qualquer novo tipo de organização proposto e 
implantado.
As principais funções da Administração apontadas por Fayol são resgatadas e detalhadas pelas 
contribuições dos autores neoclássicos, que vão além, discutindo a estrutura organizacional e o 
seu papel na organização.
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As principais contribuições da Abordagem Neoclássica, no que compete à estrutura 
organizacional, são representadas pelos seguintes temas.
1. Divisão do trabalho, que pressupõe a decomposição de um processo complexo em 
uma série de tarefas mais simples, tendo como consequências naturais a especialização e a 
hierarquia.
2. Departamentalização, que pode adotar diferentes critérios:
 » funcional, organizada por funções diferentes. Ex.: departamentos de recursos 
humanos, marketing, financeiro e produção;
 » geográfico ou territorial, organizada por praças. Ex.: Rio de Janeiro, São Paulo, 
Belo Horizonte;
 » por processo. Ex.: fundição, usinagem, montagem;
 » por cliente, orientado para vendas. Ex.: clientes industriais, empresas 
governamentais, ao consumidor;
 » por produto. Ex.: o setor bancário, que é organizado por áreas de crédito 
imobiliário, leasing, seguros, corretora de valores, entre outras possibilidades;
 » por período ou quantidade, organizada por turnos. Ex.: hospitais;
 » pela amplitude de controle. É um critério que considera o limite da capacidade da 
chefia. Ex.: o número de cortadores de cana em uma dada área agrícola;
 » estrutura matricial, atividades paralelas com chefias distintas, normalmente 
assumidas durante o tempo de duração de um projeto.
A departamentalização de uma organização, normalmente, é representada em seu 
organograma, que expressa sua estrutura formal. É muito comum se identificar em um mesmo 
organograma diferentes critérios de departamentalização. A imagem abaixo ilustra esta 
questão.
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1
Diretoria-
-Geral
Diretoria de
Produção
Fábrica
Manaus
Produção
Monitores
Produção
CPU
Fábrica
Campinas
Produção
Notebooks
Garantia
e RMA
Clientes
Corporativos
Mercado
Externo
Mercado
Interno
Turno
1
Turno
2
2
4
3
5
1. Departamentalização funcional.
2. Departamentalização territorial.
3. Departamentalização por clientes.
4. Departamentalização por produtos.
5. Departamentalização por qualidade.
Diretoria
Comercial
Clientes
Consumidor
Figura 6 – Exemplos de diferentes tipos de departamentalização.
Fonte: Elaboração própria.
Os pressupostos da cadeia de comando são:
•	 linhas claras de autoridade do topo até a base da organização e responsabilidade da 
base ao topo;
•	 a responsabilidade e a autoridade de cada posição claramente definidas;
•	 a responsabilidade deve ser acompanhada de correspondente autoridade;
•	 o número de níveis de autoridade deve ser o mínimo possível;
•	 há um limite quanto ao número de posições que pode ser eficientemente 
supervisionado por um único indivíduo;
•	 cada indivíduo deve reportar-se a apenas um único supervisor;
•	 a responsabilidade da autoridade mais elevada pelos atos de seus subordinados é 
absoluta.
2.4.1 Centralização e descentralização
Centralização e descentralização referem-se ao nível hierárquico no qual as decisões devem 
ser tomadas. Centralização significa que a autoridade para tomar decisões está centrada no 
topo da organização. Com a descentralização, a autoridade