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em questão tem natureza jurídica de sentença, na forma do Art. 162, § 1º, do Art. 267, inciso 
VI, do Art. 269, inciso IV, e do Art. 459, todos do Código de Processo Civil. Com efeito, extinguiu-se o 
processo, sem resolução do mérito, quanto ao comerciante, acolhendo-se a sua ilegitimidade passiva, e 
com resolução do mérito, no tocante ao fabricante, em cujo favor se reconheceu a decadência. Em virtude 
disso, o meio processual adequado à impugnação do provimento judicial, a fim de evitar que faça coisa 
julgada, é o recurso de apelação, de acordo com o Art. 513 do CPC. Deve-se, para buscar a tutela integral 
ao interesse do autor, impugnar cada um dos capítulos da sentença, isto é, tanto a ilegitimidade do 
comerciante quanto a decadência que aproveitou ao fabricante. 
Quanto ao primeiro ponto, deve-se sustentar a solidariedade entre o varejista, que efetuou a venda do 
produto, e o fabricante em admitir a propositura da ação em face de ambos, na qualidade de litisconsortes 
passivos, conforme a conveniência do autor. A responsabilidade do comerciante, ao menos quanto ao 
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primeiro pedido deduzido da petição inicial referente à substituição do produto, encontra fundamento 
no Art. 18 do CDC. 
Quanto ao segundo aspecto, deve-se pretender o afastamento da decadência. No que concerne ao 
primeiro pedido, referente à substituição do produto, a pretensão recursal deve basear-se na existência 
de reclamação oportuna do consumidor, a obstar a decadência, na forma do Art. 26, § 2º, inciso I, do CDC. 
Além disso, já no tocante aos demais pedidos, trata-se de responsabilidade civil por fato do produto, não 
por vício, haja vista os danos sofridos pelo autor da ação, a atrair a incidência dos artigos 12 e 27 do CDC, 
de modo que a pretensão autoral não se submete à decadência, mas ao prazo prescricional de cinco anos, 
estipulado no último dos dispositivos ora mencionados. 
Nessa linha, deve-se requerer a reforma da sentença para que o pedido seja desde logo apreciado, na 
hipótese de a causa encontrar-se madura para o julgamento, segundo o Art. 515, § 3º, do CPC, ou, 
alternativamente, a sua reforma, mediante o reconhecimento da legitimidade passiva do comerciante, e 
o afastamento da decadência, determinando-se o retorno dos autos ao juízo de primeira instância, para 
prosseguimento do feito. 
A banca examinadora entendeu, portanto, pela possibilidade de uma 
mesma situação gerar responsabilidade pelo vício e pelo fato do produto. O 
pedido formulado seria o elemento identificador da disciplina a ser utilizada. 
Desta forma, entendeu que o pedido de substituição do televisor por outro 
caracteriza reclamação pelo vício do produto, o que legitima o comerciante a 
responder solidariamente com o fabricante – por isso a necessidade de recurso 
em relação ao afastamento do comerciante do polo passivo. Considerando que 
este pedido segue a disciplina dos vícios, o prazo para reclamar é o decadencial 
previsto no artigo 26 do CDC. Conforme o enunciado o consumidor reclamou no 
prazo e jamais recebeu uma resposta negativa transmitida de forma inequívoca 
(art. 26, §2º, I), o que impede o recomeço da contagem do prazo decadencial 
para o ajuizamento da ação. Assim, não há o que se falar em prazo de 
decadência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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5. DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
 
Dispõe o artigo 28 do CDC: 
 
Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da 
sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de 
direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação 
dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será 
efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento 
ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. 
 § 1° (Vetado). 
 § 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades 
controladas, são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações 
decorrentes deste código. 
§ 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis 
pelas obrigações decorrentes deste código. 
§ 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa. 
§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que 
sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento 
de prejuízos causados aos consumidores. 
 
A primeira parte do dispositivo traduz as hipóteses tradicionais de 
desconsideração: o abuso de direito, e o desvio de finalidade e a prática de ato 
ilícito. Já o §5º introduziu novidade maior: um texto normativo aberto que permite 
a desconsideração da pessoa jurídica sempre que sua personalidade for 
obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. 
A controvérsia acerca dos pressupostos de incidência da teoria da 
desconsideração da personalidade jurídica acabou por ensejar duas subteorias: 
teoria maior e teoria menor da desconsideração. 
A teoria maior condiciona a desconsideração à caracterização da 
manipulação fraudulenta ou abusiva. Para a teoria menor, basta a prova de 
insolvência da pessoa jurídica. 
“A teoria menor da desconsideração foi adotada no art. 28, §5º, do 
Código de Defesa do Consumidor. Esse entendimento prevaleceu, por 
maioria, no Superior Tribunal de Justiça no julgamento do rumoroso caso da 
explosão do Shopping Center de Osasco (REsp 279273-SP)” (CAVALIERI 
FILHO, 2011, p. 364). O mesmo entendimento foi adotado pela FGV no padrão 
de respostas da peça profissional do XV Exame de Ordem Unificado. 
 
 
 
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6. DAS PRÁTICAS COMERCIAIS 
 
O art. 29 do CDC determina que, para os fins do Capítulo V (das práticas 
comerciais), equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis 
ou não, expostas às práticas neles previstas. É importante, desta forma, não 
esquecer que não é apenas o contratante que é protegido pelo CDC (vide 
peça do XXI EO), o que, inclusive, é tema questionado nos exames da OAB. 
 
SEÇÃO II 
 
Da Oferta 
 
Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, 
veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a 
produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor 
que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser 
celebrado. 
 
Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem 
assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em 
língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, 
composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros 
dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e 
segurança dos consumidores. 
Parágrafo único. As informações de que trata este artigo, nos produtos 
refrigerados oferecidos ao consumidor, serão gravadas de forma 
indelével. (Incluído pela Lei nº 11.989, de 2009) 
 
Art. 32. Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de 
componentes e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação 
ou importação do produto. 
Parágrafo único. Cessadas a produção ou importação, a oferta deverá 
ser mantida por período razoável de tempo, na forma da lei. 
 
Art. 33. Em caso de oferta ou venda por telefone ou reembolso postal, 
deve constar o nome do fabricante e endereço na embalagem, 
publicidade e em todos os impressos utilizados na transação comercial. 
Parágrafo único. É proibida a publicidade