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A hidrovia Paraguai Paraná e seu significado para a diplomacia sul americana do Brasil

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anuência
das autoridades nacionais pertinentes de cada país, acordos de
cooperação técnica e subscrever aqueles que não forem
reembolsáveis, para o desenvolvimento de um sistema eficiente
de transporte fluvial, constituindo-se no foro de entendimento para
os assuntos relacionados com este tema (...)401.
Mais tarde, o CIH viria a instituir uma Comissão de Coordenação
Técnica (CCT), órgão consultivo conformado por engenheiros e especialistas
ambientais, que passaram a reunir-se com o intuito de apresentar programa
para melhorar as condições de segurança e confiabilidade da via fluvial, de
forma coordenada entre os cinco países, a partir de suas propostas de ação
nas áreas de infra-estrutura e de meio-ambiente402.
401
 Estatuto do Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraguai-Paraná (Porto Cáceres-
Porto de Nova Palmira). In: BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Hidrovia
Paraguai-Paraná. Documentos Básicos. Brasília, 10 de março de 1998. Capítulo II,
Artigo 2, p.2.
402
 BRASIL. Ministério dos Transportes. Termos de Referência. Projeto Básico da
Hidrovia Paraguai-Paraná. Engenharia e Meio Ambiente, no trecho Corumbá/Ladário/
Santa Fé, Maio de 2001, p. 4. A CCT foi criada durante a XXV Reunião do CIH, como
órgão técnico-consultivo do CIH.
183APRESENTAÇÃO DO PROJETO HIDROVIA PARAGUAI-PARANÁ
Desde o início, a Hidrovia suscitou grande interesse no setor
privado (armadores e operadores), elemento dinamizador do eixo
fluvial, o que levou à criação da Comissão Permanente de Transportes
da Bacia do Prata (CPTCP), em abril de 1989, em Santa Cruz de la
Sierra, por grupo de empresários dos cinco países relacionados com o
transporte marítimo e integrantes de suas respectivas Câmaras de
Comércio. A criação da CPTCP imprimiu, à época, ritmo acelerado
às ações do CIH, sobretudo pela colaboração prestada nos trabalhos
de harmonização das legislações dos cinco países, com o intuito de
permitir o livre acesso de seus armadores à Hidrovia403.
Ao setor privado, parte integrante do desenvolvimento da frota,
reserva-se papel determinante na gestão e organização dos portos, ao
exercer aquele segmento a função primordial de força multiplicadora
dos investimentos, com vistas a aumentar o efeito estruturante da via
fluvial404.
2.4. O ENQUADRAMENTO JURÍDICO-LEGAL E NORMATIVO
Uma vez instalada a estrutura institucional do projeto Hidrovia,
uma das primeiras ações importantes do CIH foi dar início às
negociações de normas comuns aos cinco países relativas à navegação
e ao comércio fluvial. Em dezembro de 1991, por ocasião de sua VII
Reunião Ordinária, realizada em Santa Cruz de la Sierra, concluíam-se
403
 MUÑOZ MENNA, Juan Carlos. El Sector Privado y la Hidrovía. In: Boletín del
Centro Naval: La Hidrovía Paraguay-Paraná, Factor de Integración, Buenos Aires,
año 110, v. 109, suplemento n. 763-G-11, p. 302, invierno 1991. Ver também em
Castillo, op. cit., p. 312; Bloch, op. cit., pp. 92 e 93 e Boscovich, 1999, op.cit., p. 109.
404
 Ao se reunirem, pela segunda vez, em Buenos Aires, em agosto de 1990, e tendo
presente esse fato, os membros do CIH destacaram a importância da participação do
setor privado no “Programa da Hidrovia” e acordaram que caberia a cada país estabelecer
o grau de seu envolvimento na execução das obras de melhoria da via fluvial. Informe de la
II Reunión del Comité Intergubernamental de la Hidrovía Paraguay-Paraná, realizada
em Buenos Aires de 14 a 17 de agosto de 1990. In: BOLIVIA. Ministerio de Relaciones
Exteriores y Culto. Tratado, Actas, Informes. Hidrovía Paraguay-Paraná (Puerto Cáceres-
Puerto de Nueva Palmira). Santa Cruz de la Sierra. Diciembre de 1991. pp. 34 e 35.
ELIANA ZUGAIB184
as negociações do Acordo de Transporte Fluvial pela Hidrovia
Paraguai-Paraná405, que, juntamente com seus seis Protocolos
Adicionais, seria assinado, em Las Leñas, República Argentina, em 26
de junho de 1992406, quando da VII Reunião Extraordinária do CIH,
e entraria em vigor em 13 de março de 1995407. Por ocasião da XXIII
Reunião do CIH, realizada em setembro de 2003, em Santa Cruz de
la Sierra, os países membros manifestaram intenção de prorrogar a
vigência do referido Acordo, que expira em março de 2005408. Durante
405
 Por ocasião da III Reunião Extraordinária do CIH, realizada em 27 de setembro de
1991, em Buenos Aires, as delegações acordaram que a estrutura do regime de transporte
para a Hidrovia deveria ser flexível, abrangendo a aprovação de um acordo quadro que
contivesse princípios gerais e a celebração de Protocolos Adicionais sobre assuntos
específicos. Favoreceram também o princípio da liberalização e simplificação de normas
e procedimentos com vistas a reduzir substancialmente os custos de transporte e a
permitir maior competitividade. Recomendaram harmonizar as legislações e incluir no
Acordo normas destinadas a propiciar o máximo de segurança à navegação e a previnir
a contaminação. Ver em BRASIL. Embaixada em Buenos Aires. Telegrama nr. 1160, de
28/09/91.
406
 Sem prejuízo de sua vinculação jurídica com o Tratado da Bacia do Prata, de 1969,
o Acordo de Transporte Fluvial pela Hidrovia Paraguai-Paraná e seus Protocolos
Adicionais (sobre assuntos Aduaneiros, Navegação e Segurança, Seguros, Condições de
Igualdade de Oportunidades para uma maior Competitividade, Solução de Controvérsias
e Cessação Provisória de Bandeira) foram subscritos no âmbito da ALADI, como
Acordo de Alcance Parcial do Tratado de Montevidéu, assinado em 1980. Note-se que,
no início, a Argentina opôs-se à celebração do Acordo de Transporte e favoreceu a
institucionalização da Hidrovia por meio de um Tratado específico, em função de
interesses como reserva de bandeiras e praticagem defendidos por funcionários do
Ministério da Marinha que estiveram envolvidos no projeto Hidrovia desde o primeiro
encontro em Campo Grande, e também por entender o San Martín, sobretudo seu
negociador, à época, o Embaixador Felix Peña, que seria preferível não vincular o Acordo
ao Tratado da Bacia do Prata, cujos organismos considerava emperrados e anacrônicos
e, portanto, incapazes de levar adiante projeto do porte da HPP. Essa posição foi
flexibilizada na III Reunião Extraordinária do Comitê, tendo em vista a adoção de
política interna que visava à máxima desregulamentação possível para favorecer a redução
dos custos do transporte na Argentina.
407
 O Acordo de Transporte Fluvial pela Hidrovia Paraguai-Paraná e seus protocolos
adicionais foram aprovados pelo Congresso Nacional do Brasil, pelo Decreto Legislativo
n. 32 de 16 de dezembro de 1994 e passaram a vigorar a partir de sua ratificação e
notificação, em10 de janeiro de 1995.
408
 BRASIL. Ministério das Relações Exteriores,Circular Telegráfica, n. 47629/833, de
06/11/2003.
185APRESENTAÇÃO DO PROJETO HIDROVIA PARAGUAI-PARANÁ
a Reunião Extraordinária do CIH, realizada em Buenos Aires, no dia
16 de setembro de 2004, as delegações aprovaram decisão na qual
expressaram a vontade de proceder à prorrogação do Acordo, por
período de 15 anos, a partir de sua protocolização na ALADI, o que
se fará pelo VII Protocolo Adicional409.
O referido enquadramento jurídico-legal da HPP fundamentou-
se no convencimento de que, para se lograr a integração regional, seria
necessário dispor de serviços de transporte e comunicações eficientes
e atualizados, para o que a Hidrovia se apresentava como meio
adequado, por constituir importante fator natural de integração física e
econômica da Bacia do Prata. Desde que garantidas, porém, a liberdade
de trânsito fluvial e de transporte de pessoas e bens; a livre navegação;
a eliminação das barreiras e das restrições administrativas, bem como
a supressão de regulamentação supérflua410.
O Acordo prevê como órgãos responsáveis por sua aplicação,
o CIH e a Comissão do Acordo (CA). Seguindo a metodologia do
Tratado da Bacia do Prata, o CIH funciona como seu instrumento
político, e a CA como seu órgão