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Farmácia   Imunologia 18   Imunodeficiências Primárias

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em altas 
concentrações nas células dos mamíferos, e ao C3b. A associação do Fator H ao ácido siálico impede 
que células saudáveis ativem o sistema complemento pela via alternativa enquanto que a ligação ao 
C3b, impede que a molécula B se associe e forme a C3 convertase desta mesma via (Capítulo 10). A 
deficiência deste fator ocasiona uma ativação excessiva da via alternativa o que ocasiona uma 
deficiência de C3, com o surgimento de infecções por bactérias piogênicas e glomerulonefrite. 
FILOMENA M. P. BALESTIERI - IMUNOLOGIA BÁSICA E APLICADA 
 
250 
O Fator I cliva C3b e C4b regulando assim as duas vias de ativação do sistema complemento. 
Este fator é importante na clivagem basal, contínua e normal do C3b pela via alternativa. A sua 
deficiência também propicia uma ativação excessiva do sistema complemento, ocasionando um quadro 
similar ao da deficiência do Fator H. 
O Inibidor de C1 associa-se ao C1r e C1s, impedindo a ligação do C1q e conseqüentemente, a 
ativação da via clássica. Além da associação ao C1r-C1s, esta molécula também regula a ativação do 
Fator de Hageman e da calicreína, que ativadas aumentam a formação de bradicinina, importante no 
aumento da permeabilidade vascular (Capítulo 3). A deficiência desta molécula portanto, causa um 
desequilíbrio na ativação da via clássica, com aumento na clivagem de C4 e C2 e na formação de 
bradicinina. A clivagem de C2 gera o C2b, que também é uma cinina, e que juntamente com a 
bradicinina, leva ao edema característico desta síndrome conhecida como Edema Angioneurótico 
Hereditário (HANE). Esta síndrome caracteriza-se por crises recorrentes de edema que geralmente 
inicia-se na boca, espalha-se pelo pescoço e faces, podendo também afetar os intestinos. Embora o 
edema não possa ser previsto, existe uma relação entre o stress mental (por isso angioneurótico), a 
fadiga excessiva ou trauma físico e o surgimento dos sintomas. O edema geralmente persiste até o C1 
sérico ser todo consumido;o que pode ocorrer entre 48-72 horas ou mesmo uma semana. Após a 
redução do C1, o edema desaparece mas a elevação na concentração de C1pode levar a uma nova crise 
de edema. O diagnóstico é sugerido pela história familiar, pela ocorrência de edema, sem prurido e 
urticária, cólicas gastrointestinais e edema de laringe. No período de crise, normalmente a concentração 
de C4 está reduzida. O tratamento consiste na administração de esteróides anabólicos ou androgênios 
atenuados, dentre eles o danazol, que atuam sobre os hepatócitos aumentando a síntese do Inibidor de 
C1. 
Deficiência dos inibidores de membrana das vias alternativa e clássica 
O DAF é uma proteína de membrana associada ao glicofosfatidilinositol expressa em células 
endoteliais e hemácias. A deficiência de uma das enzimas, importante na formação de ligações proteína-
lipídeos, leva a falha de expressão de moléculas tais como o DAF e a CD59. A deficiência destas 
moléculas leva a uma doença chamada Hemoglobinúria paroxismal noturna. Esta doença é 
caracterizada por crises recorrentes de hemólise intravascular pela ativação descontrolada do sistema 
complemento na superfície das hemácias. 
CAP. 18 - IMUNODEFICIÊNCIAS PRIMÁRIAS 
 
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O CD59, assim como o DAF, é uma proteína de membrana associada a glicofosfatidilinositol 
expressa em várias células normais. Ela é incorporada ao complexo de ataque a membrana, inibindo a 
lise celular. 
As deficiências nos receptores de Complemento (CR3 e CR4) foram abordadas anteriormente, 
como a síndrome de Deficiência de Adesão do Leucócito tipo 1 (LAD-1). 
Outras imunodeficiências 
Nas últimas décadas, várias deficiências, em que os linfócitos T apresentam função alterada, 
embora estejam presentes em número normal ou reduzido, têm sido identificadas. Estas 
imunodeficiências podem não causar infecções letais, mas levam ao surgimento de doenças auto-
imunes, tumores, alergias e infecções. Dentro deste grupo, existe uma grande heterogeneidade de 
anomalias: deficiência na expressão de subunidades de CD3, na expressão da tirosina quinase ZAP70, 
na síntese de citocinas, no influxo de Cálcio intracelular, na expressão de Fas e outras. 
	IMUNODEFICIÊNCIAS PRIMÁRIAS
	Figura 1 – Incidência das Imunodeficiências Primárias
	DEFICIÊNCIAS DE LINFÓCITOS B
	Agamaglobulinemia associada ao cromossomo X (Síndrome de Bruton)
	Hipogamaglobulinemia transitória da infância
	Figura 2 – Produção de Igs na infância
	Deficiência seletiva de subclasses de IgG
	Deficiência seletiva de IgA
	Deficiência de IgG e IgA com Hiper-IgM
	DEFICIÊNCIA DE LT.
	Síndrome de DiGeorge ou aplasia tímica congênita
	Candidíase muco-cutânea crônica
	DEFICIÊNCIAS COMBINADAS DE LT E LB
	Imunodeficiência severa combinada (SCID – Severe Combined Immunodeficiency Disease)
	Imunodeficiência Severa Combinada Associada ao X (XSCID)
	Deficiência de adenosina desaminase (ADA)
	Deficiência de purina nucleosídeo fosforilase (PNP)
	DEFICIÊNCIA NA EXPRESSÃO DE MOLÉCULAS DO MHC-CLASSE I E II
	Deficiência na expressão de moléculas do MHC classe I
	Deficiência na expressão de moléculas do MHC classe II - ou síndrome do linfócito nu (bare).
	DEFEITOS NA RESPOSTA DE FAGÓCITOS E OUTRAS CÉLULAS DA RESISTÊNCIA NATURAL
	Doença granulomatosa crônica
	Figura 3 – NADPH oxidase na célula fagocítica em repouso (A.) e na célula ativada (B.)
	Deficiência de Glicose-6-Fosfato Desidrogenase
	Deficiência de mieloperoxidase
	Síndrome de Chediaki-Higashi
	Deficiência na adesão dos leucócitos
	Deficiência de adesão dos leucócitos - tipo 1 - (LAD-1)
	Deficiência de adesão dos leucócitos - tipo 2 (LAD-2)
	Defeitos no sistema complemento
	Deficiência nos componentes exclusivos da via alternativa
	Deficiência dos fatores B e D e Properdina
	Deficiência nos componentes exclusivos da via clássica (C1, C4 e C2).
	Deficiência no componente C3
	Deficiência nos componentes terminais
	Deficiência dos inibidores séricos das vias alternativa e clássica
	Deficiência dos inibidores de membrana das vias alternativa e clássica
	Outras imunodeficiências