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A PERSONALIDADE JURÍDICA E A CAPACIDADE NO DIREITO CIVIL

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A PERSONALIDADE JURÍDICA E A CAPACIDADE NO DIREITO CIVIL
O ser humano é a origem e o destino das ordens jurídicas. Nesse sentido, o autor e o destinatário das modalidades normativas são:
Entidades abstratas criadas pelo homem = Pessoa jurídica
 Ente criado por lei para facilitar a atuação humana em certas relações. A lei empresta-lhe personalidade, capacitando-o para ser sujeito de direitos e obrigações.
As próprias pessoas (seres humanos) = Pessoa natural (física)
 Personalidade jurídica = atributo jurídico dado pelo direito
 Razão da atribuição: o homem é a coisa mais importante em toda e qualquer ordem jurídica
 As pessoas humanas, nesse sentido, são chamadas de pessoas físicas
 Personalidade apresenta dois sentidos:
Atributo (qualidade que permite a alguém ser sujeito de direito e deveres; física/jurídica)
Conjunto dos traços de um indivíduo (característicos) com privilégio central na ordem jurídica Considerados aqueles conjuntos:
que qualificam sua dignidade
de apenas pessoa física
 Para Kant (personalismo ético kantiano), o homem é de tamanho valor de que é irrepetível e grandioso. Não é possível duplicar o homem. O homem não deve ser um meio para alcançar algo, ele é um fim em si mesmo.
 Imperativo categórico (sem exceção): ao agir de forma A ou B, o homem buscará um modo/uma máxima (regra) de conduta. O lema de conduta deve ser moralmente correto e aceito pelos demais.
 A dignidade da pessoa humana se exprime nos direitos fundamentais (nome, autoria, vida). Logo, a dignidade se traduz no conjunto dos direitos humanos fundamentais.
No entanto, a dignidade não se esgota com os direitos fundamentais. É importante considerar, também, a existência de deveres, que também não esgotam o tema.
“Atrás do Ganges de direitos, há o Himalaia de deveres”
“A quem muito foi dado, muito será exigido”
 O primeiro sentido da personalidade implica na dignidade como subjetividade.
Capacidade de direito/Capacidade jurídica
Impossibilidade de certas ações por parte de pessoas jurídicas (ex.: casamento) e outras por parte de pessoas naturais (fusão, cisão)
Quantitavamente, a capacidade jurídica aponta a extensão da personalidade jurídica das aptidões de um dado sujeito (“se tem” ou “não se tem”)
Capacidade jurídica (suscetibilidade arbitrária de algo) = medida das aptidões de um sujeito
EVITAR o termo “capacidade de fato” (cair no equívoco de achar que a concepção “capacidade jurídica” é do mundo jurídico e, portanto, “capacidade de fato” é do mundo real/dos fatos)
Capacidade de exercício/Capacidade de fato
Ex. 1: Nenê de duas semanas de idade (come/chora/dorme) tem personalidade jurídica?
No Brasil, a personalidade jurídica é atribuída a partir do nascimento
Além de ser dono da chupeta e da fralda, ele pode ser dono de algo? (capacidade jurídica do nenê)
Sim. Supondo que ambos os pais morram, tudo fica com o nenê, se ele for o único herdeiro.
O nenê, no entanto, precisa de alguém para auxiliá-lo a executar sua capacidade de exercício sobre os bens adquiridos.
 Forma de proteção, nos casos em que a pessoa não tem condição de deliberar sobre seus interesses (substituição [representação] e coadjuvação [assistência])
Incapacidade → determinada pelos artigos 3º e 4º do Código CivilArt. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I - os menores de dezesseis anos;
II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada
Legitimidade
Capacidade de exercício (aptidão para exercer um determinado tipo de ato) ≠ legitimidade (aptidão para exercer um determinado ato; analisa o tipo de ato, contexto e circunstância)
É um tipo de capacidade muito mais pormenorizada
A pessoa pode ser capaz, mas não ter legitimidade jurídica para exercer o ato
Ex.: Art. 42º, §1º, Lei 8069/90: ECA (não se pode adotar os ascendentes e os irmãos do adotando)
 A ordem jurídica pode criar impedimentos para que uma pessoa não exerça um ato jurídico determinado
 Tanto as pessoas naturais como as jurídicas podem ser atores ou autores (teatro jurídico). É possível que os autores sejam também atores, simultaneamente.
Art. 3º (CC)	X	Art. 4ºincapacidade total
incapacidade parcial
substitui o titular dos direitos
auxilia o titular dos direitos
representante (= representação)
 Art. 3º (substituição)
necessidade de alguém que seja capaz para executar as funções
Zelador/orientador/auxiliar (≈ coadjuvação)
Enfermidade ou deficiência mental (ausência de discernimento)
* Reconhece a possibilidade da autoria das “peças”, uma vez que afirma que o discernimento de existir para garantir a dignidade humana na redação das peças
Pessoas em estado transitório que a impede de manifestar suas decisões (exteriorizá-las)
 Art. 4º (coadjuvação)
tem discernimento reduzido
Pessoas com idade “n”; 16 < n < 18
Ébrio eventual
Viciados em tóxicos
Deficientes mentais + capacidade reduzida
* Pródigos: gastador, aquele que gasta tudo o que tem (visto com desconfiança pela justiça)
 Índios = capacidade regulada por legislação especial → questão cultural
Início da personalidade civil (Art. 2º)
Nascimento com vida* (direitos do nascituro)
Nascituro = ser em gestação
Similaridade ao BVBArt. 2o. A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
*É uma conveniência legislativa.
tipo penal do aborto ≠ tipo penal de homicídio
ser humano ainda não nascido é tratado diferentemente do ser humano já desenvolvido
Incapacidades de exercício
 O tratamento definido por um “tomo” na dicotomia é inverso ao dado pelo outro “tomo”
Incapacidade de exercício absoluta
Inaptidão total para alguém exercer por si só as posições jurídicas de que é titular. Não é a falta da personalidade, mas da capacidade de exercício.
Ausência de competência ou autonomia privada
Ex.: compra e venda (o comprador se compromete a pagar e o vendedor se compromete a transformar o comprador em dono da coisa vendida) [Art. 481 do CC]
No direito romano-germânico, o contrato de compra e venda da propriedade não significa a transferência da propriedade; esta só ocorrerá depois do cumprimento da dupla obrigação do Art. 481 (oposto aos países de tradição francesa do Direito)
Incapacidade da pessoa física de exercer posições jurídicas, sobretudo as ativas (inaptidão total)
 Implica a nomeação de um substituto, por meio da representação legal (ou legislativa) → o juiz determina o representante legal
 Pode ser legal, voluntária ou negocial
 Ex.: procuração (alguém atribui a outrem a capacidade legal) → Arts. 115 a 120 do CC
- Se o absolutamente incapaz exerce sua autonomia privada, há uma ocorrência grave; a ordem jurídica visa proteger o interesse do substituído e logo, vê-se necessário invalidar os efeitos do ato feito de forma independente (uma vez que o ato podia prejudicar o absolutamente incapaz) [Art. 166, I, do CC]
- Absolutamente incapazes (Art. 3º):
Menores de 16 anos (titulares = pais [pai + mãe]; dupla titularidade necessária do poder familiar); no caso de ausência de concordância, o juiz é o responsável pela decisão (pai ou mãe; se ambas forem inadequadas, o juiz escolhe uma terceira decisão)
O juiz pode subtrair dos pais o poder familiar (temporário ou cassar definitivamente). Nesse caso, assim como em outros que envolvem ausência dos pais, o juiz determina um tutor; a relação de tutela é de competência (tutor) e sujeição (menor/pupilo/tutelado)

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