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Teoria Geral do Estado

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Teoria Geral do Estado I 
 
 
 
 Teoria Geral do Estado: noção, objeto e método 
 
• Antiguidade Grego-Romana 
- Platão, Aristóteles e Cícero 
à homem: animal político (é o que o diferencia dos demais) 
. O todo vem antes das partes – o indivíduo não é nada na sociedade 
. Preocupação acentuada pela indicação da melhor forma de convivência social 
 
• Idade Média 
- Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e Marsílio de Pádua 
. Tentam Justificar a ordem existente, a partir de considerações de natureza teológica 
(cristianismo) 
 
• Século XVI 
- Maquiavel 
“O Príncipe” (1513) 
. Principado civil = cidadão que se torna príncipe de sua pátria com o favor de seus 
concidadãos. Ele ascende ao principado ou com o favor do povo ou com aquele dos 
grandes 
. Contra a inimizade do povo um príncipe jamais pode estar garantido, por serem 
muitos; dos grandes, porém, pode-se assegurar porque são poucos. 
. A um príncipe é necessário ter o povo como amigo. 
à fazer com que os seus cidadãos sempre e em qualquer circunstância 
tenham necessidade do Estado e dele mesmo, e estes, então, sempre lhe serão fiéis. 
 . O príncipe deve ter dois temores: 
_ ordem interna: parte de seus súditos 
_ ordem externa: parte dos potentados estrangeiros 
. O príncipe deve dar pouca importância às conspirações se o povo lhe é benévolo; mas 
quando este lhe seja adverso e o tenha em ódio, deve temer tudo e a todos. 
. O príncipe deve estimar os grandes, mas não se fazer odiado pelo povo. 
 
• Século XVII 
- Bodin (França) – religioso e jurista 
“Os seis livros da República” 
. O monarca deveria garantir que o seu poder se destacasse, se sobressaísse aos 
demais poderes 
. Descreve as competências do executivo. 
- Hobbes (Inglaterra) 
“O Leviatã” 
. O homem é o lobo do homem. 
. Só o Estado pode garantir a segurança das pessoas 
à é preciso a concentração do poder – todos devem abdicar em favor do 
governante 
 
- Grotus (Holanda) 
“Do Direito da Guerra e da Paz” 
. Supremacia do comércio marítimo 
. Manutenção da paz 
. Obra de grande importância para o Direito Internacional 
 
• Século XVIII 
- Locke : limitação do poder 
- Montesquieu : “O Espírito das Leis” → só o poder limita o poder 
- Rousseau : senso comum de qualidade de vida 
- Federalistas (Jay, Hamilton e Madson) 
 
à “As fundações do pensamento político moderno” - Quentin Skinner 
- Estado Moderno : o poder do Estado, e não do governantes, passou a ser considerado a 
base do governo 
- Ação maquiavelista : demonstra-se bem maio do que à primeira vista seria de se 
esperar. 
- Para explicar por que um agente faz o que faz, é preciso se referir ao seu vocabulário, 
já que este se delineia como um dos fatores a determinar sua ação. 
- A explicação do comportamento político depende do estudo do pensamento político. 
- Paz Cívica : somente possível com a desvinculação dos poderes do Estado para com 
determinada fé. 
- Bodin : distingue o Estado de seus cidadãos, e os poderes do Estado dos poderes do 
governante. Estado seria uma autoridade puramente civil, ao qual se atribuem poderes 
com objetivos tão somente civis. 
 
 
 Origem da Sociedade 
 
• Sociedade Natural 
- Aristóteles : “o homem é naturalmente um animal político” 
- Cícero : “a espécie humana não nasceu para o isolamento e para a vida errante, mas com 
uma disposição que, mesmo na abundância de todos os bens, a leva a procurar o apoio 
comum” 
à Disposição natural dos homens para a vida associativa 
- São Tomas de Aquino : “o homem é, por natureza, animal social e político, vivendo em 
multidão, ainda mais que todos os outros animais, o que se evidencia pela natural 
necessidade.” 
à Sociedade é um fato natural, determinado pela necessidade que o homem 
tem de cooperação de seus semelhantes para a consecução dos fins de sua 
existência. 
à Consciente de que necessita da vida social, o homem deseja e procura 
favorecê-la 
- Conclusão : a sociedade é produto da conjugação de um simples impulso – associativo e 
natural e da cooperação da vontade humana 
 
• Contratualismo 
à sociedade: produto de um contrato hipotético celebrado entre os homens 
à só a vontade humana justifica a existência da sociedade 
 
- “O Leviatã”, T.Hobbes 
. Homem vive inicialmente em “estado de natureza” 
. “Estado de natureza” : situação de desordem que se verifica sempre que os homens 
não tem suas ações reprimidas (ou pela voz da razão ou pela presença de instituições 
políticas eficientes). Nela, o homem é egoísta, luxurioso, inclinado a agredir os outros, 
condenando-se, por isso mesmo, a uma vida solitária, pobre, repulsiva, animalesca e 
breve. 
. “Guerra de todos contra todos” : tem como ponto de partida a igualdade natural de 
todos os homens, pois todos são capazes de agredir uns aos outros. 
. Duas leis fundamentais da natureza 
1] cada homem deve esforçar-se pela paz, enquanto tiver a esperança de alcançá-
la; e quando não puder obtê-la, deve buscar e utilizar todas as ajudas e 
vantagens da guerra. 
2] cada um deve consentir, se os demais também concordam, e enquanto se 
considere necessário para a paz e a defesa de si mesmo, em renunciar ao seu 
direito a todas as coisas, e a satisfazer-se, em relação aos demais homens, 
com a mesma liberdade que lhe for concedida com respeito a si próprio. 
. Estado : poder visível, que mantenha os homens dentro dos limites consentidos e os 
obrigue, por temor ao castigo, a realizar seus compromissos e à observância das leis da 
natureza 
. Mesmo um mau governo é melhor do que o estado de natureza 
. Para cumprir seus objetivos, o poder do governo não deve sofrer limitações (mesmo 
que o governante faça algo moralmente errado, sua vontade não deixa de ser lei e a 
desobediência a ela é injusta) 
. Ações não podem ser consideradas um pecado até o momento em que se tome 
conhecimento de uma lei que as proíba, o que será impossível até o momento em que 
sejam feias as leis, e nenhuma lei pode ser feita antes de se Ter concordado quanto a 
pessoa que deverá fazê-la 
. Encontra-se na obra de Hobbes uma clara sugestão ao absolutismo, sendo certo que 
suas idéias exerceram grande influência. 
 
- “Do Espírito das Leis”, Montesquieu 
. “Estado natural” : o homem sentiria, antes de tudo, sua fraqueza; estaria 
constantemente atemorizado e se sente inferior (dificilmente alguém se sente igual a 
outrem). 
. Quando os homens se unem em sociedade, passam a sentir-se fortes; a igualdade 
natural que existia entre eles desaparece e o estado de guerra começa. 
. Leis naturais 
1] o desejo de paz 
2] o sentimento das necessidades, experimentado principalmente na procura de 
alimentos 
3] a atração natural entre os sexos opostos, pelo encanto que inspiram um ao 
outro e pela necessidade recíproca 
4] o desejo de viver em sociedade, resultante da consciência que os homens tem 
de sua condição e de seu estado 
 
- “Segundo Tratado sobre o Governo Civil”, J.Locke 
. Do estado de natureza 
 _ “estado natural” : homens vivendo juntos segundo a razão, sem um superior comum 
na terra com autoridade para julgar entre eles 
 _ os dois direitos do “estado de natureza” são : 
1] punição do crime, a título de prevenção e para impedir que ele se reproduza 
(direito que pertence a todos) 
2] obtenção de reparação (direito exclusivo da vítima) 
à magistrado, a quem foi conferido o direito comum de punir, 
pode frequentemente perdoar a punição das infrações criminais, se o bem 
público não exige a aplicação da lei, mas não pode perdoar a reparação devida à 
vítima pelo dano sofrido. 
 _ o governo civil é a solução adequada para as inconveniências do estado de natureza 
 . Do estado de guerra 
 _ “estado de guerra” : a força, ou uma intenção declarada de força, sobre a pessoa 
de outro, onde não há superior comum na terra para chamar