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a influencia do tabagismo na periodontite

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SOTAU R. virtual Odontol - Vol 5 Ano 2 - 2008 7 
 
A INFLUÊNCIA DO 
TABAGISMO NA DOENÇA 
PERIODONTAL: REVISÃO 
DE LITERATURA 
 
Tabagism Influence on 
Periodontal Diseases: Literature 
Review 
 
Ana Eunice Carvalho * 
Isabella das Graças Santos * 
Vanessa Frazão Cury ** 
 
http://sotau.sind.googlepages.com/revista 
 
Carvalho AE, Santos IG, Cury VF. A influência do tabagismo na doença periodontal: revisão de literatura. SOTAU R. virtual Odontol. 
2008, 2(5):7-12. 
 
Resumo 
 
O consumo de cigarro é considerado 
atualmente um importante fator de risco para muitas 
doenças bucais e sistêmicas e possui um importante 
papel no início e progressão da periodontite. Vários 
trabalhos têm demonstrado uma alta prevalência e 
maior gravidade da doença periodontal em indivíduos 
fumantes. Entretanto, ainda não foram 
completamente esclarecidos os mecanismos 
etiopatogênicos do cigarro na evolução da doença 
periodontal inflamatória. Este trabalho tem como 
objetivo realizar uma revisão bibliográfica dos 
mecanismos da influência do tabagismo sobre o 
início e a progressão da doença periodontal 
inflamatória. 
Abstract 
 
 Cigarette consumption is currently 
considered an important risk factor for many 
buccal and systemic illnesses, and possesses an 
important role in the beginning and progression of 
the periodontitis. Some works have demonstrated 
a high prevalence and greater gravity of the 
periodontal illness in smokers. However, the 
etiopathogenic mechanisms in the evolution of the 
inflammatory periodontal illness had not been 
clarified. This work has as objective to conduct a 
bibliographical revision of the mechanisms of 
influence of the tabagism on the beginning and 
the progression of the inflammatory periodontal 
illness. 
Palavras-Chaves 
 
Tabagismo, doença periodontal, etiopatogenia, 
periodontite, cigarro 
 
 
 
Keywords 
 
Tabagism, periodontal disease, etiopathogenesis, 
periodontitis, cigarette 
 
 
* 
 
Alunas de Graduação do Curso de Odontologia do Centro Universitário Newton Paiva, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil 
** 
Doutora em Farmacologia Bioquímica e Molecular, Professora Titular de Periodontia do Curso de Odontologia do Centro 
Universitário Newton Paiva, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. 
vanessafg@bol.com.br 
SOTAU R. virtual Odontol - Vol 5 Ano 2 - 2008 8 
INTRODUÇÃO 
 
O hábito de fumar está diretamente 
associado a diversas alterações clínicas, tanto na 
área médica, quanto odontológica, como uma 
maior prevalência e incidência de neoplasias, 
baixo peso ao nascimento, doenças cardíacas e 
pulmonares, bem como a doença periodontal 1,2. 
Vários estudos epidemiológicos têm demonstrado 
que o consumo do tabaco desempenha um 
importante papel na patogênese da doença 
periodontal inflamatória, apresentando não 
somente maior prevalência, mas também maior 
gravidade da doença em indivíduos fumantes, se 
comparado a não fumantes 3,4. 
A nicotina e seus subprodutos podem estar 
presentes tanto no plasma sangüíneo quanto no 
fluido gengival em concentrações seis vezes 
maiores se comparado à concentração salivar. 
Desta forma, a nicotina tem sido associada a 
várias alterações celulares que podem contribuir 
para o início e posterior progressão da doença 
periodontal 5, 6. 
Vários estudos associam o consumo do 
tabaco à etiopatogenia da doença periodontal 
inflamatória. Dentre os efeitos mais 
freqüentemente citados, estão alterações 
imunológicas7, efeitos vasoconstritores e 
citotóxicos sobre os tecidos e células do 
periodonto8, bem como alterações na microbiota 
patogênica9. 
Embora a literatura demonstre os efeitos 
citotóxicos e imunológicos do cigarro nos tecidos 
periodontais, ainda não estão completamente 
estabelecidos os mecanismos patogênicos do 
tabaco sobre a progressão da doença periodontal 
inflamatória. Desta forma, o objetivo deste 
trabalho é realizar uma revisão bibliográfica do 
assunto, para que possa ter uma melhor 
compreensão da interferência do tabagismo sobre 
o início e progressão da periodontite. 
 
REVISÃO DE LITERATURA 
 
Efeitos do Tabaco na Resposta Imunológica 
A doença periodontal em pacientes 
fumantes pode apresentar-se com sinais clínicos 
pouco evidentes uma vez que características 
como eritema e sangramento tecidual muitas 
vezes não estão presentes devido aos efeitos da 
nicotina não somente na vascularização tecidual 
como também pela indução no aumento da 
espessura do epitélio gengival10. A secreção de 
epinefrina, induzida pela nicotina, ativa o sistema 
nervoso simpático, causando inicialmente uma 
vasodilatação, seguido por uma vasoconstrição. 
Essa constrição da microcirculação dificulta a 
chegada das células inflamatórias no tecido e 
sulco gengival, comprometendo o sistema de 
defesa local11. O consumo de tabaco pode promover 
um aumento do número de leucócitos na circulação 
sistêmica, porém reduz o número dessas células no 
tecido periodontal. Vários trabalhos têm 
demonstrado que o cigarro pode alterar a atividade 
dos polimorfonucleares neutrófilos, reduzindo 
quimiotaxia, atividade fagocitária e aderência dessas 
células11-15. Também foi observado o efeito da 
nicotina sobre os neutrófilos, induzindo-os à 
apoptose e aumentando, assim, a susceptibilidade à 
invasão bacteriana16. A redução da adesão de 
fibroblastos gengivais também foi demonstrada em 
estudos “in vitro”17-19. A nicotina também induz 
alterações na resposta inflamatória pelo 
comprometimento local dos macrófagos e leucócitos, 
suprimindo seu crescimento e suas funções de 
quimiotaxia e fagocitose20. Além dos efeitos 
celulares, o tabaco também é capaz de reduzir a 
produção de anticorpos como IgG221, bem como 
aumentar a secreção de PGE2 quando a nicotina 
estava associada ao LPS, sugerindo que esta 
associação apresenta um efeito sinérgico na síntese 
de mediadores do processo inflamatório22-24. Salvi et 
al.25 relataram que a nicotina altera o padrão de 
liberação de enzimas neutrofílicas como elastase e 
catepsinas, reduz a produção de IgA salivar, bem 
como promove uma resposta reduzida aos 
anticorpos IgG do soro para Prevotella intermedia e 
Fusobacterium nucleatum. Segundo outros autores, 
a nicotina também aumenta a produção de outros 
mediadores imunológicos como a IL-126, TNF-α24, 27 
e IL-623. Uma vez que o cigarro acarreta uma maior 
produção de citocinas inflamatórias destrutivas, isso 
explicaria em parte o potencial do tabaco na 
patogenia da doença periodontal. 
 
Efeitos na Microbiota Patogênica 
 
Em relação ao acúmulo do biofilme bacteriano, 
a literatura mostra que não existem diferenças 
significantes em indivíduos fumantes e não 
fumantes28, 29. As alterações no potencial de oxi-
redução causadas pelo cigarro podem criar um 
microambiente mais favorável para o crescimento de 
bactérias anaeróbicas Gram-negativas9,30. Em 
relação à composição da microbiota subgengival de 
fumantes e não fumantes, alguns trabalhos 
demonstram não existir diferença nesta 
composição31, 32. 
Entretanto, Zambom et al.9 demonstraram um 
maior número de bactérias periodontopatógenas em 
fumantes, se comparado aos não fumantes, 
incluindo Porphyromonas gingivalis, Aggregatibacter 
actinomycetemcomitans, Bacteroides forsythus. 
Outras espécies bacterianas como Prevotella 
intermedia, Fusobacterium nucleatum e 
Campylobacter rectus também estavam em número 
aumentado em pacientes fumantes33. Outros 
trabalhos sugerem que o fumo, através de 
alterações da resistência local, sistêmica e do nicho 
SOTAU R. virtual Odontol - Vol 5 Ano 2 - 2008 9 
ecológico, favorece o crescimento de bactérias 
anaeróbicas aumentando assim, a 
susceptibilidade das estruturas à doença 
periodontal34. Alguns estudos mostram que 
fumantes não respondem à terapia mecânica tão 
bem quanto