Fisiologia Médica apenas parte renal
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Fisiologia Médica apenas parte renal


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encéfalo
Encéfalo (plexo 
coroide), retina, 
fígado, rim
*A designação \u201cSistema\u201d é uma classificação histórica baseada nas características funcionais no epitélio intacto, células intactas ou vesículas de membrana.
Tabela 36-1 Transportadores de Aminoácidos* (Cont.)
Tabela 36-2 Tipos de Hiperaminoacidúrias
Doença Aminoácidos Mecanismo
A. Hiperaminoacidúria Pré-renal 
(\u201cExcesso de Fluxo\u201d)
Hiperargininemia Arg Concentração plasmática elevada e, 
assim, a carga filtrada ultrapassa Tm
B. Competição Efeito colateral da 
hiperargininemia
Lys
Ornitina
Alta carga filtrada de um aminoácido 
(p. ex., Arg) inibe a reabsorção de 
outro, ambos transportados pelo 
SLC7A9 (b0+AT1)/SLC3A1 (rBAT)
C. Aminoacidúria Renal Aminoacidúria aniônica
Doença de Hartnup 
(aminoacidúria neutra)
Cistinúria (aminoacidúria 
catiônica)
Intolerância proteica 
lisinúrica (aminoacidúria 
catiônica)
Glu
Asp
Aminoácidos neutros e com 
estrutura de anel (p. ex., 
fenilalanina)
Cistina (Cys-S-S-Cys) e 
aminoácidos catiônicos
Lys
Arg
SLC1A1 defeituoso (EAAT3), doença 
autossômica recessiva
SLC6A19 defeituoso (B0+ AT1), 
doença autossômica recessiva
SLC7A9 defeituoso (b0+AT1) ou 
SLC3A1 (rBAT), doença autossômica 
recessiva
 SLC7A7 defeituoso (y+LAT1) ou 
SLC3A2 (4F2hc)
Doença autossômica recessiva
D. Disfunção de Túbulo 
Proximal Generalizada
Síndrome de Fanconi Todos os aminoácidos Condições metabólicas, imunológicas 
ou tóxicas (herdadas ou adquiridas) 
que prejudicam a função da célula 
do túbulo proximal
805Capítulo 36 \u2022 Transporte de ureia, glicose, fosfato, cálcio, magnésio e solutos orgânicos
ao túbulo proximal contribuem pouco para o transporte de 
peptídeos.
Diversas peptidases estão presentes na superfície externa da 
membrana da borda em escova das células do túbulo proximal 
(Fig. 36-6B), tal como ocorre no intestino delgado (Capítulo 45). 
Essas enzimas da borda em escova (p. ex., g-glutamiltransferase, 
aminopeptidases, endopeptidases e dipeptidases) hidrolisam muitos 
peptídeos, incluindo-se a angiotensina II (Capítulo 40), desse modo 
liberando no lúmen do túbulo os aminoácidos e oligopeptídeos 
constituintes livres. As células tubulares reabsorvem os aminoá-
cidos livres resultantes, tal como descrito na seção anterior. A 
célula também absorve os oligopeptídeos resultantes (dois a cinco 
resíduos), bem como outros peptídeos (p. ex., a carnosina) que são 
resistentes às enzimas da borda em escova, utilizando os cotrans-
portadores apicais H/oligopeptídeos PepT1 e PepT2 (Capítulo 5). O 
PepT1 é um sistema de baixa afinidade/alta capacidade no túbu-
lo proximal inicial, ao passo que o transportador PepT2 é um 
transportador de alta afinidade e baixa capacidade nos segmentos 
proximais finais, com propriedades análogas às de SGLT2 e SGLT1.
Uma vez dentro da célula, os oligopeptídeos sofrem hidró-
lise por peptidases citosólicas; essa via está envolvida na degra-
dação de neurotensina e bradicinina. A distinção entre quais 
oligopeptídeos a célula irá digerir completamente na luz e 
que oligopeptídeos irá captar por meio de um PepT não é clara. 
Oligopeptídeos mais resistentes à hidrólise por peptidases são 
provavelmente mais propensos a entrar por meio de um PepT.
Proteínas Embora a barreira de filtração glomerular 
(Capítulo 33) geralmente impeça a filtração de grandes quanti-
dades de proteí na, essa restrição é incompleta (Capítulo 34). Por 
exemplo, a concen tração de albumina no filtrado é muito baixa 
(4-20 mg/L), apenas 0,01% e 0,05% da concentração de albumina 
plasmática. No entanto, dada uma taxa de filtração glomerular de 
180 L/dia, os valores de albumina filtrada variam de 0,7 a 3,6 g/dia. 
Em contraste, a excreção de albumina na urina normalmente é 
apenas \u223c30 mg/dia. Assim, os túbulos reabsorvem cerca de 96% 
a 99% da albumina filtrada (Fig. 36-7A). Além da albumina, os 
túbulos reabsorvem extensivamente outras proteínas (p. ex., liso-
zima, as cadeias leves de imunoglobulinas e b2-microglobulina), 
peptídeos contendo SH (p. ex., insulina), e outros hormônios 
polipeptídicos (p. ex., hormônio paratireóideo [PTH], peptídeo 
natriurético atrial [PNA] e glucagon). Não é de surpreender que 
a lesão dos túbulos possa dar origem à proteinúria, mesmo na 
ausência de lesão glomerular.
As células do túbulo proximal usam endocitose mediada por 
receptor (Capítulo 5) para reabsorver proteínas e polipeptídeos 
(Fig. 36-7B). O primeiro passo é a ligação a receptores na mem-
brana apical (p. ex., megalina, cubilina), seguida por internali-
zação em vesículas endocíticas revestidas de clatrina. Os fatores 
que interferem com a formação de vesículas ou interiorização, 
como inibidores metabólicos e citocalasina B, inibem essa absor-
ção seletiva. As vesículas fundem-se com endossomas; essa fusão 
recicla a membrana da vesícula para a superfície apical e direciona 
seu conteúdo para entrega para os lisossomos. Nos lisossomos, 
proteases dependentes de ácido digerem os conteúdos em um 
período que é da ordem de minutos para hormônios peptídicos e 
muitas horas ou mesmo dias para as outras proteínas. No fim, as 
células liberam os produtos finais da digestão, os aminoácidos, em 
Hiperaminoacidúrias
Em geral, um aumento da excreção renal de um aminoácido (hiperaminoacidúria) pode ocorrer quando a concen-tração plasmática aumenta devido a uma de várias per-
turbações metabólicas, ou quando reabsorção do aminoácido 
mediada pelo transportador diminui de maneira anormal.
Hiperaminoacidúria Pré-renal (i.e., o Defeito é Antes 
do Rim)
Hiperargininemia (Tabela 36-2A) é uma condição hereditária 
na qual um defeito metabólico leva a um aumento de arginina 
(Arg) no plasma, aumentando a carga filtrada de Arg. Embora 
aumente a reabsorção de Arg, a carga filtrada excede o Tm, e 
aumenta a excreção renal.
Competição
Devido ao fato de que o mesmo transportador (SLC7A9/
SLC3A1 heterodimérico na Tabela 45-3) que transporta Arg 
através da membrana apical também transporta lisina (Lys) e 
ornitina, a competição de Arg diminui a reabsorção dos outros 
dois (Tabela 36-2B). Como resultado, a excreção urinária de Lys 
e ornitina também aumenta. Como a produção metabólica de 
Lys e ornitina não muda, as concentrações plasmáticas desses 
dois aminoácidos, em contraste com a de Arg, geralmente caem.
Aminoacidúrias Renais
Esta categoria de doenças é resultante de um defeito autos-
sômico recessivo em um transportador de aminoácidos 
(Tabela 36-2C) e, assim, também afeta a absorção no trato 
gastrointestinal (Capítulo 45, ver quadro Defeitos no Transporte 
Apical de Aminoácidos: Doença de Hartnup e Cistinúria). 
Na doença de Hartnup, o transportador apical defeituoso 
(SLC6A19) transporta normalmente aminoácidos neutros 
(p. ex., Ala, Ser), incluindo-se aqueles com anéis (i.e., Phe, Trp, 
Tyr). Na cistinúria, o transportador apical afetado é o heterodi-
mérico SLC7A9/SLC3A1, que transporta cistina (Cys-S-S-Cys) 
e aminoácidos catiônicos (i.e., Arg, Lys, ornitina). Um aumento 
de carga filtrada de um desses aminoácidos leva a uma maior 
excreção de todos eles. A nefrolitíase (i.e., pedras nos rins) 
pode ser uma consequência do aumento da excreção da cis-
tina pouco solúvel.
Provavelmente, a mais grave hiperaminoacidúria renal é a 
intolerância proteica lisinúrica (IPL), resultante da reabsor-
ção reduzida de Lys e Arg. A baixa [Arg] resultante no sangue 
prejudica o ciclo da ureia e a desintoxicação de amônio (hipe-
ramonemia). Outras características incluem proteinose alveolar 
(a principal causa de morte), hepatoesplenomegalia e, em 
casos severos, deterioração mental. O transportador basolateral 
do túbulo proximal com defeito (o heterodimérico SLC7A7/
SLC3A2) normalmente medeia o efluxo de Arg e Lys para o 
sangue em troca pela captação de Na+ e aminoácidos neutros.
Disfunção de Túbulo Proximal Generalizada