Livro Insetos Aquaticos
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Livro Insetos Aquaticos


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de temperatura (Thorp e Covich 2001), 
apesar deste último não ser relevante para os 
ambientes lênticos que ocorrem no Brasil. Interface 
água-ar (ou filme superficial): camada de água 
em contato com o ar atmosférico que, em função 
das propriedades da tensão superficial, propicia 
um meio para colonização de insetos aquáticos, 
tanto acima quanto abaixo dessa zona. Zona 
litoral: região rasa, permite que a luz alcance o 
fundo do ambiente aquático. É caracterizada pela 
presença frequente de hidrófitas enraizadas e algas 
bentônicas. Zona limnética (ou pelágica): região 
da coluna d\u2019água onde há penetração de radiação 
solar, permitindo a fotossíntese. Zona profunda 
(ou afótica): região, naturalmente de um lago ou 
ambiente lêntico de maiores proporções, onde 
em função da profundidade não há penetração de 
radiação solar, impedindo a fotossíntese.
Ambientes semilóticos (Figuras 3H-I)
É um termo utilizado por alguns autores (e.g., 
Carvalho e Nessimian 1998) para determinar 
ambientes onde as águas fluem lentamente ou 
ficam praticamente paradas. Essas áreas podem 
ser oriundas do represamento natural ou artificial 
destes am b ien tes , mas tam bém podem ser 
resultantes de áreas de inundação de rios (como 
várzeas e igapós).
Substratos
Uma vez que a grande maioria dos insetos 
aquáticos é bentônica, o substrato é de suma 
importância para a sobrevivência destes organismos 
(Thorp e Covich 2001). Em conjunto com o fluxo 
de água, a colonização do substrato pelos insetos 
aquáticos é determ inada por fatores como a 
natureza e o tamanho desse substrato, em conjunto 
com o fluxo de água e outras características. Por 
isso, a combinação dos dois (fluxo e substrato) 
é geralmente utilizada para definir os tipos de 
hábitat (ou meso-hábitats) ocupados pelos insetos 
aquáticos (Huryn et al. 2008).
Na c lass if icação abaixo a d o ta m o s um a 
terminologia que está focada na natureza e no 
tamanho do substrato, mas outras características 
também são importantes, tais como: textura, 
porosidade, estabilidade, se está coberto por 
sedimento etc.
Substratos inorgânicos (Figuras 5A-G)
Argila/silte: partículas minerais entre 4 e 64 
micrômetros.
Areia: partículas minerais entre 64 micrômetros 
e 2 milímetros.
Cascalho: partículas minerais entre 2 e 64 
milímetros (entre o tamanho de um grão de café 
e um ovo).
Figuras 5 A-G. Tipos de substratos inorgânicos. A. Riacho com predominância de substrato arenoso. B. Riacho com 
predominância de substrato arenoso e blocos (ou pedras roladas). C. Riacho com predominância de cascalho e 
blocos (ou pedras roladas). D. Riacho com predominância de blocos (ou pedras roladas) e matacões. E. Riacho com 
predominância de cascalho e matacões. F. Laje vertical. G. Riacho com predominância de laje horizontal.
Bloco (calhau ou pedra rolada): partículas 
minerais entre 64 e 256 milímetros (entre o 
tamanho de um ovo e uma folha A4).
Matacão: partículas minerais maiores que 256 
milímetros, mas que não fazem parte do leito do 
rio (maiores que uma folha A4).
Laje: rochas que compõem o leito do rio.
Substratos orgânicos de origem vegetal (Figuras 6A-G)
Hidrófitas: vegetais que passam a maior parte 
do tempo ou toda sua vida total ou parcialmente 
submersos. São representadas em sua grande 
maioria por dicotiledôneas, mas também existem 
monocotiledôneas, pteridófitas e briófitas incluídas 
neste grupo. Podem ser emersas, flutuantes ou 
submersas.
Figuras 6 A-H. Tipos de substratos orgânicos. A. Macrófita flutuante em área de remanso. B. Macrófita parcialmente 
submersa em área de corredeira. C. Briófitas sobre matacão em área de remanso. D. Podostemaceae em área de 
corredeira. E. Raízes em área de remanso. F. Folhiço de fundo, área de remanso. G. Tronco submerso, retirado da 
água para mostrar galerias feitas por insetos. H. Porifera (áreas verdes sobre as pedras roladas e matacões).
Plantas vasculares arbóreas: árvores terrestres, 
mas que even tualm ente ficam parcialm ente 
submersas em épocas de cheia. Mais comuns em 
áreas de igapó.
Plantas vasculares arbustivas: plantas terrestres, 
presentes nas margens de córregos, igarapés ou 
em áreas de várzea. Partes dessas plantas ficam 
submersas e podem servir de substrato para 
diversos insetos aquáticos, bem como locais para 
deposição de ovos. Também são denominadas de 
vegetação marginal.
Raízes: oriundas de árvores situadas às margens 
dos am bien tes aquáticos. É um im portan te 
substrato para os insetos aquáticos da região 
amazônica.
Folhiço: material alóctone, de origem vegetal, 
em decomposição, incluindo folhas, troncos, 
gravetos, frutos etc. Também pode ser denominado 
de matéria orgânica grossamente particulada. 
Podem formar aglomerados presos a troncos 
e pedras em áreas de correnteza maior, onde 
em geral apresentam-se em estágio inicial de 
decomposição, sendo denominados de folhiço de 
superfície ou correnteza. Podem formar bolsões 
em áreas de deposição no leito de ambientes 
lóticos, sendo denominados de folhiço de fundo. 
Ou podem ainda formar bolsões na superfície, mais 
comuns em igapós, os chamados kinon.
Substratos orgânicos de origem animal (Figura 
6H)
Esponjas: representantes de Porifera de água 
doce podem servir de substrato para diversos 
grupos de insetos aquáticos. Os neuróptera Syridae 
e algumas espécies de díptera Chironomidae 
(e.g., O ukuriella Epler), de tricópteros (e.g., 
Taraxitrichia Flint & Harris) e de efemeropteros 
(Tricorythopsis spongicola Lima, Salles & Pinheiro) 
estão associados a essas esponjas.
Insetos e outros artrópodes: outros artrópodes, 
e s p e c i a lm e n te in s e to s de o rd e n s com o 
Ephemeroptera, Megaloptera e Odonata, também 
podem ser utilizados como substrato. Dentre os 
insetos que mais utilizam outros artrópodes como 
substrato, destacam-se os dípteros das famílias 
Chironomidae e Simuliidae.
O u tro s a n im a is : a lg u n s C h iro n o m id a e 
podem u ti l iza r outros an im ais , tais como: 
hidrozoários (Parachironomus Lenz), moluscos
(Goeldichironomus neopictus Trivinho-Strixino & 
Strixino) e peixes (Ichthyocladius Fittkau).
Hábito dos insetos aquáticos
Os organismos aquáticos, incluindo os insetos, 
podem ser agrupados em três categorias, de 
acordo com o local que passam a maior parte 
do seu tempo no ambiente aquático: bentônicos, 
organismos associados ao fundo ou a qualquer 
substrato relacionado; pelágicos, aqueles que 
vivem suspensos na coluna d\u2019água - enquanto 
alguns podem ser levados pela corrente (plâncton), 
outros têm a capacidade de nadar independente 
desta (nécton); e neuston, os que vivem acima 
(epineuston) ou logo abaixo (hiponeuston) da 
superfície da água, associados à tensão superficial.
De acordo com suas características morfológicas, 
comportamentais e fisiológicas, os insetos estão 
adaptados a viver em regiões mais ou menos 
particulares do am biente aquático. Como os 
ambientes aquáticos, especialmente os lóticos, 
são bastante heterogêneos, insetos bentônicos que 
vivem na área de erosão de um rio, por exemplo, 
dificilmente serão capazes de viver ou de se manter 
muito tempo numa área de deposição do mesmo 
rio ou vice-versa. Relembrando então, o hábitat 
para um inseto aquático não se restringe apenas à 
zona onde ele vive (bentos, pélagos ou neuston), 
mas ao conjunto das características dessa zona 
associadas à velocidade da correnteza e, no caso 
dos insetos bentônicos, ao tipo do substrato. 
Ao associarmos essas características, zona ou 
comunidade, velocidade da correnteza e tipo de 
substrato, podemos organizar os insetos aquáticos 
de acordo com uma classificação funcional quanto 
ao seu hábito de ocupação (ou modo de existência), 
como apresentado a seguir. Cabe aqui ressaltar que 
essa classificação funcional é relativa e depende 
do estágio (ou estádio)