A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
267 pág.
O ATO CONJUGAL   Tim e Beverly Lahye

Pré-visualização | Página 24 de 50

No trabalho de aconselhamento matrimonial, tenho me 
surpreendido pelo número de mulheres belas, verdadeiras 
personificações da atração sexual, que confessam serem com-
pletamente inaptas no leito. Por outro lado, encontro outras, 
mais feiosas, gorduchas ou lisas como tábuas, que afirmam 
gozar de um maravilhoso relacionamento sexual com o 
marido. Isso prova que não são basicamente o tamanho, 
formas ou aparência da mulher que fazem dela uma boa 
parceira sexual para o marido. Isso parece indicar que sua 
atitude mental é de suprema relevância. 
Há três elementos na constituição mental da mulher que 
são muito importantes para ela: o que ela pensa do sexo; 
o que ela pensa sobre si mesma; o que ela pensa de seu ma-
rido. Sua atitude para com esses três conceitos determinará 
seu sucesso ou fracasso nesse setor de sua vida. 
A. O que ela pensa do sexo. Embora não possamos 
endossar plenamente a revolução sexual, precisamos reconhe-
cer que talvez ela tenha, em parte, trazido à tona a falsidade 
de conceitos tais como "o sexo é impuro", ou "um mal", ou "o 
95 
sexo é apenas para o prazer dos homens". Essas idéias não 
procedem nem do Velho nem do Novo Testamento, nem 
tampouco da Igreja primitiva. Surgiram na Idada Média, 
quando os teólogos romanos tentaram anexar ao pensamento 
cristão a filosofia asceta. A filosofia paga que insinuava que 
qualquer coisa que causasse prazer devia ser de origem malig-
na, teve precedência sobre o conceito bíblico de que "digno de 
honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem 
mácula" (Hb 13.4). Ê difícil descrever algumas das incríveis e 
ridículas distorções a que foi submetido o sagrado relaciona-
mento do amor conjugai. Certo autor escreveu o seguinte: 
Pedro Lombardo e Graciano advertiram aos cristãos de 
que o Espírito Santo saía do quarto, quando um casal 
praticava o ato sexual — mesmo que fosse com o objetivo de 
conceber um filho! Outros líderes eclesiásticos ensinavam com 
insistência que Deus exigia abstinência sexual em todos os dias 
santos. E além disso, os casais eram aconselhados a não 
manterem relações sexuais às quintas-feiras, por ser o dia em 
que Cristo fora preso; nem às sextas-feiras, em honra de sua 
crucificação; aos sábados, em honra da Virgem Maria; aos 
domingos, pela ressurreição de Jesus, e às segundas-feiras, em 
respeito pelas almas falecidas (sobrando apenas terça e quarta-
feira). A Igreja procurava controlar cada faceta da vida do 
homem, não deixando ao indivíduo a menor liberdade de 
buscar a vontade de Deus, nem ao casal o direito de decidir 
por si mesmo como iriam viver os mais íntimos aspectos da 
vida conjugai.* 
Felizmente, a Reforma levou os cristãos de volta ao estudo 
da Palavra de Deus, removendo a aceitação cega dos dogmas. 
Ao obterem novos conhecimentos acerca de Deus, salvação, 
pecado, teologia, os cristãos descobriram também que Deus 
foi o criador do sexo, e que tanto o homem como a mulher 
possuem carências sexuais que o cônjuge é obrigado a satisfa-
zer (1 Co 7.1-5), e que a satisfação delas é um ato honrado e 
imaculado. Os cristãos obedientes, através dos séculos, têm 
aprendido, na intimidade do quarto, que as relações sexuais 
lhes proporcionam a mais emocionante experiência de suas 
vidas. Qualquer jovem que se casa sem saber que o casamento 
é uma bênção que lhe vem do Pai celestial, não entende a 
Bíblia plenamente. 
Mas os confusos líderes religiosos do passado não eram os 
únicos que pareciam deleitar-se em deturpar a atitude mental 
96 
das jovens virgens, antes do casamento. Em algumas comuni-
dades, havia mulheres idosas que se arvoravam em "evangelis-
( t a s da frigidez", e tomavam a si o "dever" de visitar as noivas 
antes do casamento, para informá-las acerca dos "fatos da 
vida". Sua versão dos fatos era mais ou menos a seguinte: "O 
I s . . . é a pior parte do casamento. É detestável e desagradável, 
mas é uma coisa que toda esposa deve suportar." Depois que 
( t e r m i n a v a m a explanação, nenhuma virgem poderia mesmo 
esperar nada das alegrias do amor conjugai. Esses desajusta-
dos sexuais são como moléstias contagiosas. Como nunca 
apreciaram a experiência, sentem que é seu dever impedir que 
toda e qualquer pessoa goze dela. 
Certa mulher, que tinha o problema da frigidez, contou-nos 
a seguinte experiência. Cerca de duas semanas antes de ela 
casar-se, sua tia Matilde narrou-lhe certos fatos que a marca-
ram psicologicamente, prejudicando-a nos primeiros cinco 
anos de casamento. Ao que parece, a tia, cujo casamento 
havia sido arranjado pelos pais, tomara pavor do sexo na noite 
de núpcias. É que o marido, um desajeitado fazendeiro, vinte 
anos mais velho que ela, levou-a para o leito conjugai, e "tirou 
toda a minha roupa, e violentou-me em minha própria cama. 
Lutei e gritei, mas nada adiantou. Minha virgindade se fora, e 
eu chorei durante três dias. E nesses trinta e seis anos detestei 
o sexo incessantemente." E concluiu do seguinte modo: "Na 
minha opinião, o casamento é apenas a legalização do estu-
pro." 
Embora possamos sentir muita pena da pobre Tia Matilde 
e de seu marido, igualmente infeliz, não podemos encontrar 
piores e mais nocivos conceitos para se inculcar na mente de 
uma noiva, do que estes. Não é de espantar, pois, que a 
sobrinha tenha levado vários anos para conseguir superar 
impressões tão desastrosas, após consultar vários conselheiros 
( matrimoniais. 
Teria sido bem melhor que a jovem noiva tivesse ouvido de 
sua mãe, cujo relacionamento com o marido fora testemunha-
do pelos filhos através dos anos, que o amor conjugai é belo, 
emocionante, significativo, e deve ser desfrutado pelos dois 
cônjuges. Uma moça que recebesse uma informação assim 
estaria mentalmente armada contra as falsas noções da Tia 
Matilde, e dificilmente se tornaria uma esposa frígida. 
As ilustrações seguintes confirmam o fato de que a atitude 
mental da mulher é o segredo de seu domínio sobre os órgãos 
97 
genitais. Após ouvir, durante uma hora, um casal que me 
procurara para aconselhamento, explicar os problemas de sua 
infeliz vida conjugai, dispensei o marido por alguns momen-
tos, a fim de indagar da esposa por que praticavam o ato 
amoroso apenas duas ou três vezes por mês. Ela respondeu: 
"Não sou tão forte quanto a maioria das mulheres; creio que 
meus órgãos são muito pequenos, e não posso fazer as mesmas 
coisas que as outras mulheres." (Pesquisas atuais revelam que 
independentemente do tamanho de cada pessoa, os órgãos 
reprodutores femininos são do mesmo tamanho em todas as 
mulheres, o mesmo acontecendo aos homens.) Quando ela 
mencionou que sofria de artrite, contei-lhe de certa matéria 
que lera recentemente, onde se afirmava que os portadores 
dessa enfermidade podiam sofrer intensificação das dores por 
causa de tensões. E como as relações sexuais são um recurso 
dado por Deus ao homem para aliviar as tensões emocionais, 
aconselhei-a a tentar manter relações com mais freqüência, 
com o objetivo de aliviar as dores artríticas. Uma semana 
depois, recebi um telefonema do marido que me disse todo 
eufórico: "Não sei o que o senhor disse à minha esposa depois 
que saí do gabinete, mas mantivemos relações sete vezes, 
nestes sete dias — e não sei mais se vou agüentar este ritmo." 
O que serviu de estímulo para aquela senhora? Eu não lhe 
sugerira nenhum medicamento, nem vitaminas, nem quais-
quer expedientes mecânicos — simplesmente a mudança de 
sua atitude mental, que é a mais poderosa arma no combate 
aos problemas sexuais. 
B. O que ela pensa de si mesma. A auto-rejeição é um dos 
males mais comuns de nossos dias. Os homens se preocupam 
se seu pênis é pequeno ou muito flácido; as mulheres se 
preocupam se têm seios miúdos ou se parecem ter pouco 
estímulo sexual. Na verdade, a porcentagem de pessoas que 
são normais do ponto de vista sexual é bem elevada.