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PSICOLOGIA JURÍDICA
PSICOLOGIA JURÍDICA
Graduação
PSICOLOGIA JURÍDICA
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FORMAS ALTERNATIVAS DE APLICAÇÃO
DA PSICOLOGIA JURÍDICA
É com grande satisfação que convidamos você, caro aluno, a iniciar os
estudos da nossa última unidade, quando trataremos das formas
extrajudiciais de solução de conflitos, atuais alicerces da Psicologia Jurídica
contemporânea.
OBJETIVOS DA UNIDADE:
Identificar a relevância das formas extrajudiciais para a solução de
controvérsias para a formação do operador de Direito contemporâneo no
contexto psicojurídico.
PLANO DA DISCIPLINA:
• Mediação.
• Conciliação.
• Arbitragem.
Bons estudos e Sucesso!
UNIDADE 6 - FORMAS ALTERNATIVAS DE APLICAÇÃO DA PSICOLOGIA JURÍDICA
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FORMAS ALTERNATIVAS DE APLICAÇÃO DA PSICOLOGIA JURÍDICA
Nós sabemos da urgente necessidade de criação de meios alternativos
para prevenir e solucionar os conflitos sociais. Obviamente que isto implica
na desmonopolização judiciária, porém com cautela. Em outras palavras, o
que estamos querendo mostrar é que estes caminhos alternativos não devem
pretender substituir o Poder Judiciário, mas sim cooperar na solução de
conflitos de menor complexidade. Assim, entendemos ser necessária a
democratização dos instrumentos de solução dos conflitos hoje centrados
no judiciário.
Segundo Cunha (2001), a estatização dos mecanismos de solução de
conflitos sempre foi nota predominante, caracterizada pela centralização e
monopólio desses mecanismos nas mãos do poder público. Foi outorgado
ao judiciário a responsabilidade pela solução dos conflitos sociais sem que
se reservasse qualquer espaço significativo para a adoção de mecanismos
alternativos que pudessem concorrer com o modelo estatal.
Mas nós sabemos que mecanismos extrajudiciais de prevenção e solução
das controvérsias devem ser pesquisados, analisados, modernizados e
adaptados ao contexto social, tais como, a conciliação, a mediação, a
negociação coletiva e a arbitragem. A desmonopolização da jurisdição estatal
deve ser reconhecida e admitida, conforme apoia Cunha (2001), para a
superação do colapso em que se encontra o judiciário brasileiro, a partir do
desfazimento de preconceitos e tabus quanto ao concurso da sociedade ou
grupos sociais na solução dos conflitos. Não podemos deixar de citar Andrighi
(1996), que assevera a importância de pensarmos na conciliação com vistas
a evitar o processo e, para tanto, sugere a utilização de formas alternativas
de solução dos conflitos como a mediação, a negociação, a arbitragem e até
mesmo o juiz de aluguel, cuja aceitação e freqüência de uso ainda encontram
muita resistência em nosso meio, devendo-se tal hesitação à nossa formação
romanística que reconhece como única forma de solução dos problemas
jurídicos a submissão destes a um juiz investido das funções jurisdicionais.
Devemos ainda considerar o fato de que as técnicas extrajudiciais para
a solução dos conflitos têm sido manejadas em outros países com
comprovada eficiência, evitando o assoberbamento do Poder Judiciário. Como
aponta Cintra (2006, p.25-26):
[...] abrem-se os olhos agora, todavia, para todas as modalidades
de soluções não jurisdicionais dos conflitos, tratadas como meios
alternativos de pacificação social. Vai ganhando corpo a consciência
de que, se o que importa é pacificar, torna-se irrelevante que a
pacificação venha pro obra do Estado ou por outros meios, desde que
eficientes. Por outro lado, cresce também a percepção de que o Estado
tem falhado muito na sua missão pacificadora, que ele tenta realizar
mediante o exercício da jurisdição e através das formas do processo
civil, penal ou trabalhista.
A sociedade atual tem em seu histórico uma cultura litigiosa e isso não
pelo número de conflitos que apresenta, mas pela tendência a resolvê-los
de forma adversarial. Porém, vivemos uma transição de paradigmas, e a
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contrapartida que se apresenta, nestes tempos de crise dos sistemas
judiciários de regulamentação de conflitos, é percebida pelo crescimento em
importância dos instrumentos consensuais e extrajudiciários. E, ainda
segundo o pensamento de Morais (1999), o modelo conflitual caracteriza-se
pela oposição de interesses entre indivíduos iguais em direitos e a atuação
de um terceiro encarregado de “dizer” (declarar) a quem pertence o direito.
É o modelo tradicional triádico de jurisdição. O Estado na qualidade de ente
autônomo e externo, neutro e imparcial, impõe a decisão.
O modelo consensual frente à oposição de interesses entre as partes
permite o debate direto entre elas. Aponta, assim, para uma desjudiciarização
do conflito, que permanece como instância de apelo.
Morais (1999) sugere o termo jurisconstrução para diferenciar de
jurisdição, no sentido de “construir o Direito”, ou a solução do conflito. Para
ele, é um repensar os modos de tratamento dos conflitos, com o objetivo de
implementar mecanismos de pacificação social mais eficiente, que não
desvirtuem os ideais de verdade e justiça social do processo, proporcionem
a desobstrução da justiça e assegurem as garantias sociais conquistadas.
Podemos propor, então, a análise das técnicas de solução que,
teoricamente, podem ser reunidas em três tipos fundamentais: a autodefesa,
a autocomposição, e a heterocomposição.
A autodefesa consiste na solução direta entre litigantes pela imposição
de um sobre o outro. O vocábulo “autodefesa” indica o ato pelo qual alguém
faz a defesa própria, por si mesmo. Supõe uma defesa pessoal. Segundo
Mascaro (1997), é a forma mais primitiva de solução dos conflitos; o que a
distingue é a ausência de um juiz distinto das partes e a imposição da decisão
por uma das partes à outra. Para Morais (1999), em face da ausência do
Estado, os conflitos ocorridos entre as pessoas eram resolvidos
instintivamente, ou seja, a parte interessada em satisfazer seu direito
buscava sua satisfação por meio do uso da força, impondo sua vontade ao
outro. Era a chamada autodefesa ou, mais costumeiramente, autotutela.
Neste instituto, o que realmente pesa é a força propriamente dita, o poder
de coação, que acaba por relegar a segundo plano qualquer parâmetro de
justiça. A autodefesa pode ser autorizada pelo legislador, acabam deixando
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notórias as deficiências dessa técnica, visto que a solução que provém de
uma das partes interessadas é unilateral e imposta, portanto, evoca a
violência, e a sua generalização importa a quebra da ordem e a vitória do
mais forte e não do titular do direito.
Na ordem trabalhista, por exemplo, são manifestações autodefensivas
a greve e o locaute como as principais. Cabe, porém, para os presentes
fins, uma breve referência a eles. A greve, segundo Nascimento (1997), é a
paralisação das atividades para pressionar o empregador a conceder
melhoria de condições de trabalho. Os trabalhadores recusam-se a prestar
a sua colaboração ao patrão, como forma de imposição para levá-lo a aceitar
as reivindicações. O empregador, para evitar as conseqüências prejudiciais
de ordem econômica, cede diante dos trabalhadores, coagido pelas
circunstâncias. Nos sistemas jurídicos são três as posições adotadas quanto
à greve. Há países que a proíbem, como os do leste europeu, onde a greve
é considerada crime contra a economia. Outros simplesmente a consideram
um fato social não passível de regulamentação jurídica, como a República
Federal da Alemanha. Finalmente, outros países a consideram um direito,
como limitações, maiores ou menores, ou ainda, com uma legislação de
respaldo. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 declara a greve um direito
com algumas restrições quanto aos serviços inadiávies, porque nestes a
greve