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A imagem na História
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula,
você seja capaz de:
 descrever as implicações ideológicas da leitura 
e da produção da imagem nos períodos medieval
e renascentista;
 comparar as imagens medievais com 
as renascentistas a partir das diferentes concepções 
de mundo vigentes nesses períodos;
 listar algumas infl uências do protestantismo 
e do catolicismo para o estatuto da imagem.
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Meta da aula
Apresentar as concepções medievais e 
renascentistas acerca da imagem.
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Imagem e Educação | A imagem na História
INTRODUÇÃO A expressão dos pensamentos, e sentimentos, dos desejos e dos acontecimentos, 
por intermédio da imagem, é um fenômeno que está presente desde o alvorecer 
de nossa civilização. Nesse momento, o ser humano procura traços e cores 
para reproduzir aquilo que vê, dando forma ao que entende ou presenciou 
em seu cotidiano.
A imagem já estava presente em nossa vida bem antes da escrita. No entanto, 
os modos de tratamento e produção da imagem sofreram mudanças, associadas 
a diferentes forças ideológicas: econômicas, religiosas, sociais, políticas etc.
Vamos localizar o início de nossas questões acerca da imagem e das formas de 
percepção do homem na Idade Média e no Renascimento.
VENDO A IMAGEM COM A IDADE MÉDIA E COM A 
RENASCENÇA
Na Idade Média, as concepções acerca da imagem foram bem 
diferentes das que temos hoje. Afi nal, aquele período estruturou seu modo 
de conhecer o mundo a partir de outro paradigma. Praticamente, não 
encontramos nos textos medievais teorias desenvolvidas sobre a arte de 
pintar ou sobre pinturas, nem mesmo descrições precisas das obras que 
utilizaram a imagem (ILUMINURAS, vitrais, AFRESCOS, MOSAICOS) ou, ainda, 
sobre o estatuto do artista ou sobre a experiência estética.
MOSAICO
Uma das formas da arte da pintura; consiste na técnica de decoração de mural 
mediante a decoração de superfícies com pequenos cubos de pedra ou de massa 
colorida (as tesseras) que são dispostos tanto na parede como no chão, para 
formarem, no seu conjunto, a fi gura ou o desenho desejado. O mosaico foi uma 
forte tendência artística da arte bizantina (Império Romano do Oriente, cuja capital 
era Bizâncio), transmitida ao ocidente, na época da arte românica (aproximadamente 
entre os séculos VII e parte do XII).
ILUMINURA
Uma forma da 
arte de pintar que 
consiste no delicado 
trabalho de pinturas 
em miniaturas e de 
ornamentação de 
letras, executado em 
livros e pergaminhos, 
que os ilustravam 
e ornamentavam. 
Também chamado de 
miniatura.
AFRESCO
Uma forma da arte 
de pintura mural, 
que usa tintas moídas 
e diluídas em água, 
depois aplicadas 
sobre um reboco 
úmido. Quando 
ele seca, já houve o 
processo de absorção 
das cores, que 
fi cam marcadas na 
superfície. 
Figura 2.1: Um afresco. Santos do Monte Athos.
Fonte: Karyes (2005).
Paradigma
Vá ao primeiro livro 
de Fundamentos 1 e 
releia as Aulas 9, 10 
e 11.
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Mas isso não signifi ca que a Idade Média não tenha produzido 
alguma refl exão sobre a imagem e muito menos que ela tenho sido um 
assunto menosprezado; na realidade, a imagem esteve no centro de sérios 
questionamentos neste longo período. 
Antes de entrarmos nesses assuntos, é bom que você esteja atento 
a um fato importantíssimo. Quando nos voltamos para qualquer período 
histórico anterior, como o medieval, não devemos transportar para ele o 
nosso modo de conceber as coisas. Para começar, é necessário entendermos 
que, na Idade Média, havia concepções da Arte, da Beleza, do Belo, por 
exemplo, diferentes das atuais:
a) as Artes compreendiam, por exemplo, as artes servis 
(teatro, arquitetura, agricultura, caça, navegação e 
medicina) e as artes liberais (música, gramática, retórica, 
dialética, geometria, aritmética e astronomia);
Figura 2.2: Uma iluminura. Bíblia dos Jerônimos.
Gloriafemina.blogs.sapo.pt/ arquivo/2005_01.html. 
Figura 2.3: Um mosaico.
Fonte: Bisanzio (2005).
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Imagem e Educação | A imagem na História
b) a idéia de Belo (conceito importante para compreender 
as Artes) e a de Beleza estavam ligadas à religiosidade;
c) a produção artística (como a da pintura) estava submetida 
aos princípios que regiam a visão de mundo medieval.
Na Idade Média, a imagem e o que hoje entendemos por Belas 
Artes foram pensadas a partir de outras abordagens. A beleza da criação 
e das criaturas teria sua origem em Deus e seria a antecipação do gozo 
(prazer) prometido pela vida eterna. Tal beleza, proveniente de Deus, 
interessava particularmente aos pensadores medievais. 
Por exemplo, santo Tomás de Aquino (1225-1274) associou o belo ao 
conhecimento e à verdade, e a beleza estaria na proporção (consonantia), 
na claridade (claritas) e na perfeição ou integridade (integritas) das coisas. 
No ser humano, os sentidos ‘superiores’ ou estéticos (a visão e a audição) 
estariam ligados à razão, sendo, por isso, os instrumentos do intelecto, ao 
contrário dos aestéticos: o olfato, o gosto e o tato. A visão seria o sentido 
mais perfeito, devido à capacidade cognitiva do ver. Caberia aos sentidos 
captar as proporções da realidade exterior e, desse modo, é possível concluir 
que o Belo consistiria naquilo que agradasse à vista e à visão. As Artes, por 
sua vez, resultariam de um fazer humano e estariam num nível operativo, 
enquanto a Beleza estaria no nível da contemplação.
O CRISTIANISMO E AS IMAGENS
A tradição cristã, desde o início, criou formas de representar, 
pictoricamente, ou seja, em imagens, os elementos e personagens de sua 
fé. Mas essa questão é complexa, porque o Cristianismo tem origem, 
de um certo modo, no judaísmo, que proíbe a representação de Deus, 
assim como proferir seu nome.
No Antigo Testamento, há trechos que proíbem a criação de imagens 
para representar Deus. O Novo Testamento, porém, está centrado na 
fi gura do Cristo, que assumiu a forma humana, visível. Esse evento passou 
a ser entendido como um modo de superação daquela proibição, uma 
vez que a encarnação do Cristo, sendo a imagem de Deus Pai, permitiu 
sua percepção sensível, ou seja, que ele fosse visto por todos. Nos dois 
Testamentos temos, aliás, uma abundante descrição de Deus com base em 
inúmeras imagens textuais: pastor, médico, esposo, oleiro, rocha, amigo, 
dentre outras. O Concílio de Nicéia, de 787, retomando a tradição cristã, 
foi favorável à veneração de imagens e esclareceu que, ao ser Cristo imagem 
de Deus Pai, torna-se possível a percepção de sua substância. Portanto, as 
representações de Cristo supõem a fé e exigiriam a veneração. O ato cultual, 
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Conforme a tradição cristã baseada especialmente em São Paulo, 
os medievais acreditavam que o homem não tinha condições de “ver e 
entender as coisas como elas eram”, porque a visão e o entendimento 
humanos são imperfeitos. Há um versículo de uma carta de São Paulo 
aos coríntios que bem expressa esta idéia: “Vemos agora através de um 
espelho como num enigma.” (Cor. 13, 12) Assim, somente Deus possui a 
completa compreensão das coisas, sendo que o ser humano vê as coisas 
como um enigma, de modo incompleto.
a adoração verdadeira e propriamente dita, dirige-se à coisa representada 
pela imagem (ao Cristo, a Deus Pai), que é uma espécie de “recordação” 
destas presenças divinas. Essa tradição cristã da representação imagética 
tem sido questionada por movimentos iconoclastas cristãos.
Esse contexto orientou a grande preocupação dos medievais 
com a defi nição do estatuto, do signifi cado