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Propriedade Intelectual e Acesso ao Conhecimento

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tutela a forma do objeto. A 
diferença é que, enquanto o primeiro tutela uma forma utilitária funcional, o desenho industrial 
tutela a forma ornamental do objeto, que seja nova, original e industrializada. 
O desenho industrial tem um caráter ambíguo31, sendo uma criação técnica mas ao mesmo 
tempo com um aspecto estético, pois trata-se de uma forma ornamental. A importância de sua 
proteção baseia-se no fato de que muitas vezes é a forma, até mais que a tecnologia em si, que faz 
com que o consumidor incline-se por um objeto em detrimento de outro – efetivamente, uma 
forma bonita, agradável, pode influenciar intensamente na escolha do produto (nos carros, por 
exemplo). 
Segundo o art. 95 da LPI: 
Art. 95. Considera-se desenho industrial a forma plástica ornamental de um 
objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um 
produto, proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração 
externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial. 
Os requisitos, portanto, são a novidade, a originalidade e o caráter industrial. Observe-se 
que o requisito de novidade se aproxima da novidade das patentes. Originalidade, por sua vez, 
está como requisito como a inventividade está para as patentes: 
Art. 97. O desenho industrial é considerado original quando dele resulte uma 
configuração visual distintiva, em relação a outros objetos anteriores. 
O legislador aproxima o conceito de originalidade não à singularidade, mas à 
distintividade. O propósito do legislador foi construir uma ponte que possibilitasse a travessia 
de um desenho industrial para as marcas tridimensionais (sua tutela foi uma inovação – antes só 
havia proteção para marcas nominativas e figurativas). Tanto o desenho industrial quando a 
marca tridimensional tutelam a mesma coisa: a forma do objeto. 
 
31 Cf. nota 5 supra. 
43 
Caderno de Propriedade Intelectual 
Tutela da Forma 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A forma do objeto pode ter diversas funções, e cada uma de suas faceta pode ser objeto de 
diferentes tutelas. Por exemplo, a forma, na medida em que tem uma função técnica, é tutelável 
como modelo de utilidade. Se, por outro lado, tem uma função meramente ornamental, pode 
ensejar tutela no âmbito dos desenhos industriais. 
 
Desenho Industrial 
Os desenhos industriais voltam-se para uma criação humana com caráter estético. O 
que se protege portanto, através do desenho industrial, é o caráter ornamental da forma do 
objeto. Uma vez que essa preocupação estética insere-se no contexto de uma produção 
industrial, é como se a tutela aos desenhos industriais fosse uma espécie de direito autoral 
dentro da propriedade industrial. 
Dada a importância do desenho industrial para capturar o interesse dos consumidores, é 
um importante instrumento de concorrência, e por isso faz-se mister sua proteção pelo sistema 
de propriedade intelectual. É comum, de fato, nos inclinarmos para um produto pelo desenho 
que ele ostenta, colocando até mesmo, eventualmente, a tecnologia ele que ele possui em 
segundo plano. 
A proteção aos desenhos industriais está prevista na seção IV, art. 25 do referido acordo, e 
o legislador a transpôs para o direito interno no art. 95, que traz o conceito de Desenho 
Industrial, e seguintes da LPI: 
 
Forma 
Técnica, 
utilitária 
Patentes: 
modelos de 
utilidade 
art. 9o, LPI 
Ornamental Desenho industrial art. 95, LPI 
Distintiva Marca tridimensional 
art. 124, XXII, 
LPI 
Artística LDA 
44 
Por Giselle Viana 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Requisitos 
O desenho industrial deve observar três requisitos, por analogia com as patentes: 
aplicação industrial, novidade e originalidade. Ora, se o legislador diz que o desenho 
industrial deve ser novo e original, ele pressupõe que um desenho pode ser novo sem ser 
original, por exemplo. São, portanto, dois conceitos distintos. 
A novidade reconduz-nos àquele cotejamento com o estado da técnica: desenho novo é 
aquele que nela não está compreendido, sendo portanto passível de apropriação. Trata-se de um 
crivo objetivo. 
Considera-se original, por sua vez, o desenho industrial quando resulta numa 
configuração visual distintiva em relação a outros objetos anteriores. Em outras palavras, não 
basta que seja novo, é preciso que essa novidade represente também uma forma de 
distintividade, que torne aquele produto característico, permitindo-se distinguir dos demais, é 
tipo um plus à novidade. 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 25. Os Membros estabelecerão proteção 
para desenhos industriais criados 
independentemente, que sejam novos ou 
originais. Os Membros poderão estabelecer 
que os desenhos não serão novos ou 
originais se estes não diferirem 
significativamente de desenhos conhecidos
 ou combinações de 
características de desenhos conhecidos. Os 
Membros poderão estabelecer que essa 
proteção não se estendera a desenhos 
determinados essencialmente por 
considerações técnicas ou funcionais. 
 
 
 
Art. 95. Considera-se desenho industrial a 
forma plástica ornamental de um objeto ou o 
conjunto ornamental de linhas e cores que 
possa ser aplicado a um produto, 
proporcionando resultado visual novo e 
original na sua configuração externa e que 
possa servir de tipo de fabricação industrial. 
Art. 100. Não é registrável como desenho 
industrial: 
II - a forma necessária comum ou vulgar do 
objeto ou, ainda, aquela determinada 
essencialmente por considerações 
técnicas ou funcionais. 
Acordo TRIPs LPI 
Diferente dos 
desenhos 
anteriores 
Novo 
Distintivo em 
relação aos 
desenhos 
anterioes 
Original 
45 
Caderno de Propriedade Intelectual 
O conceito de originalidade nos desenhos industriais não está equiparado ao conceito 
de singularidade, de novidade, mas ao de distintividade portanto. Assim, enquanto o 
desenho é considerado novo quando não compreendido no estado da técnica, só é original 
na medida em que resulta numa configuração visual distintiva, quando comparado aos 
objetos anteriores. A originalidade dos desenhos industriais aproxima-se, dessa forma, da 
originalidade própria das marcas: 
A “originalidade tem variada conceituação em Direito de Propriedade 
Intelectual. (...) Pela definição do CPI/96, assemelhasse à distinguibilidade do 
direito marcário, ou seja, a possibilidade de ser apropriada, já que não está 
imersa no domínio comum. A fragilidade de tal conceito está na extrema 
proximidade com a noção de novidade (...).32 
Distintividade, portanto, é um requisito comum tanto às marcas quanto aos desenhos 
industriais. Seu conceito pode ser encontrado no art. 122, relativo às marcas: 
Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos 
visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais. 
Mas afinal, essa aproximação foi acidental? Foi de propósito? Veremos mais adiante ao 
analisar a cumulatividade de patentes. 
 
Concessão 
A Lei de Propriedade Industrial (Lei no 9.279/96), hoje vigente, revogou o antigo Código 
de Propriedade Industrial, instituído pela Lei 5.772 de 1971. Essa revogação trouxe 
significativas alterações no regime de concessão de direitos de exclusividade sobre desenhos 
industriais. 
No antigo Código, a concessão dos direitos aos desenhos industriais era submetida à 
mesma sistemática das patentes: passava por um exame prévio de mérito, que condicionava a 
concessão do privilégio. O relatório, portanto, passava por um exame de conteúdo, através do 
qual determinava-se se a criação atendia aos requisitos de novidade e originalidade, e se era 
portanto passível de proteção. 
O problema verificado na prática é que esse