Propriedade Intelectual e Acesso ao Conhecimento
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Propriedade Intelectual e Acesso ao Conhecimento


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Resumos dos textos obrigatórios \u2013 
Propriedade Intelectual e acesso ao 
conhecimento \u2013 Prof. Balmes Vega; sala 
23/189 
Obs: Procurarei inserir, conjuntamente, anotações feitas 
em sala de aula (disporei na cor azul). Caso o modelo se 
torne mais prático, esse documento equivalerá a um 
caderno. 
Obs. 2: O documento está aberto a modificações por 
qualquer pessoa, mas desde que acompanhado de boa-fé 
a não prejudicar outros estudantes. Caso queira 
recomendar ou sugerir algo: gabriel.fortes@usp.br 
Leis importantes: Lei 9279/96 \u2013 Propriedade Industrial 
Lei 9456/97 \u2013 Cultivares 
Lei 9600/98 \u2013 Programas de computador 
Lei 9610/98 \u2013 Direitos de autor 
Aula 01; Texto 01 - Tratado da propriedade industrial, capítulo I 
\u2013 Noções Gerais, João da Gama Cerqueira 
Ps: como o texto é de 1946 (antes da vigência do atual Código Civil) 
buscarei não citar artigos do Código de 1916 e tentar redirecionar aos 
vigentes correspondentes. 
 Para todas as pessoas que se dedicam a atividades intelectuais e formulam produtos 
frutos da intelectualidade e criatividade terão, como garantia, uma proteção dada pelo 
Direito. A principal forma de proteção dada a esses \u201cbens imateriais\u201d é a limitação de 
sua reprodução para que, por um determinado período, o criador poderá lucrar com a 
exclusividade econômica sobre o produto desenvolvido. Dessa forma, para incentivar o 
espírito criativo e inovador da sociedade, o Direito dispõe de mecanismos para que o 
produtor \u201camealhe\u201d uma contrapartida pecuniária (teoria da recuperação), além de 
permitir que se consagre a autoria do inventor a sua obra (recompensa moral) (teoria 
da recompensa). 
 O ramo do Direito que protege os produtos de origem inovadora, criativa e 
intelectual ou industrial e que concede, consequentemente, certa disposição para seu 
proveito material é entendido como propriedade intelectual1. Esse conjunto de 
direitos e princípios engloba as produções em nível literário, científico e artístico. 
 A propriedade intelectual é dividida em dois ramos conforme os bens imateriais que 
protege: propriedade intelectual strictu, cientifica e artística (função sensibilizador 
sobre a emoção humana) e propriedade industrial (função pragmática sobre a 
resolução de obstáculos perante as necessidades humanas)2 3. Cada uma das duas 
direções será acompanhada por princípios, regras e leis diferentes. A diferenciação se 
dará pelas características artísticas ou industriais predominantes no bem4, mas sem 
prévios debates para a classificação correta. Atualmente há quatro elementos distintos 
sobre a propriedade intelectual : os princípios e regras para cultivares5 (lei 9456/97), 
os princípios e regras para programas de computador6 (lei 9609/98), os princípios e 
regras de propriedade industrial (lei 9279/96) e princípios e regras de direito autoral 
(lei 9610/98). 
 A proteção da propriedade intelectual, especialmente as propriedades intelectuais, 
tem suas raízes, no Brasil, com o período imperial. A Constituição polaca de 1824 já 
garantia proteção aos inventores sobre suas produções e a Constituição de 1891 já 
assegurava benefícios temporários sobre a exclusividade da \u201cpropriedade\u201d das ideias e 
 
1 \u201c[...] conjunto dos institutos jurídicos que visam garantir os direitos de autor sobre as produções 
intelectuais do domínio da indústria e assegurar a lealdade da concorrência comercial e industrial\u201d 
(fls.73). 
2 \u201c[...] conjunto de normais legais e princípios jurídicos de proteção à atividade do trabalho e a seus 
resultados econômicos e reguladores das relações jurídicas oriundas dessa atividade entre os indivíduos 
e entre estes e o Estado\u201d (fls.73, nota 10) 
3 A propriedade industrial irá englobar: privilégios de invenção, modelos de utilidade, invenções, 
desenhos e modelos industriais, marcas de fábrica e de comercio, nome comercial, indicações de 
origem, segredos de fábrica (tema conflituoso), recompensas industriais e repressão a concorrência 
desleal. 
4 Mesmo assim existe uma zona obscura em que se confundem os dois ramos. Há objetos que de um 
lado possuem forte caráter artístico e do outro, comprovada utilidade industrial (e.g. design do celular 
da Apple e softwares) 
5Segundo o art.3º, IV da lei 9456 cultivar é: \u201ca variedade de qualquer gênero ou espécie vegetal superior 
que seja claramente distinguível de outras cultivares conhecidas por margem mínima de descritores, por 
sua denominação própria, que seja homogênea e estável quanto aos descritores através de gerações 
sucessivas e seja de espécie passível de uso pelo complexo agroflorestal, descrita em publicação 
especializada disponível e acessível ao público, bem como a linhagem componente de híbridos\u201d ou seja, 
espécie vegetal alterada a partir de engenharia genética e reproduzidas por meio de técnicas artificiais. 
6 Uma questão posta pelo professor Balmes é de que os programas de computador são equiparados a 
criações artísticas, já que o art.2º da Lei 9096 diz: \u201cArt. 2º O regime de proteção à propriedade 
intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos 
autorais\u201d. Doravante, o objetivo dos softwares não é sensibilizar as pessoas, incidindo no âmago afetivo, 
mas sim ser útil, facilitador a alguma demanda natural. O próprio art.1º da mesma lei estaria se 
contradizendo com o artigo subsequente ao caracterizar o software mais como uma criação técnicas do 
que artísticas: \u201c[...] de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, 
dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para 
fazê-los funcionar de modo e para fins determinados\u201d. 
invenções (similar a atualmente)7 8. 
 Quanto a propriedade industrial, ela sempre regerá direitos (\u201cprivados patrimoniais\u201d 
fls.78) que visam o uso ou exploração privilegiada de bens e, concomitantemente, na 
proteção contra a concorrência desleal. As mesmas finalidades e intenções aparecem 
com as propriedades científicas e artísticas, evidenciando \u2013 \u201co caráter comum que 
aproxima e reúne esses diversos institutos sob o mesmo critério de ordem geral, como 
partes de um todo\u201d. Assim, as leis que disciplinam esses direitos são \u201cleis que são, no 
fundo, leis contra a concorrência desleal [...]\u201d (fls.82) e \u201c[...] a repressão da 
concorrência desleal confunde-se com a propriedade industrial sob o ponto de vista 
dos princípios que se baseiam\u201d (fls.83), sendo que as primeiras leis brasileiras sobre 
propriedade industrial foram resultados de leis e princípios gerais que buscavam a 
proteção da indústria reprimindo a concorrência ilegítima. 
 Para adquirir a proteção por meio de uma patente a invenção e o modelo de 
utilidade (o primeiro é uma criação, enquanto o segundo é uma nova roupagem de 
algo já existente, resultando em efetiva vantagem ao invento)9 necessita estar 
conforme as condições de novidade10, atividade (ato)11 inventiva12 e aplicação 
industrial13. 
 A propriedade industrial pode ser, genericamente, destrinchada em duas classes: 
direitos perante produções intelectuais de utilidade industrial (e.g. invenções 
industriais, modelos de utilidade e desenhos e modelos industriais); e direitos que se 
fundem na proteção da concorrência legitima no comércio e indústria ( e.g. marcas de 
fábrica e comércio, nome comercial, segredos de fábrica, recompensas industriais e 
repressão da concorrência. A propriedade industrial também tende a proteger a 
 
7 Internacionalmente, com as Convenções de Berna (1896) e Roma (1928), as propriedades artísticas e 
literárias possuem uma grande margem de exemplos: sermões, folhetos, livros, obras coreográficas, 
pantomimas (arte