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Propriedade Intelectual e Acesso ao Conhecimento

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do direitoda concorrência). AULA 7: 29/09Propriedade intelectual e direito da concorrênciaA relação entre direito concorrencial e propriedade industrial passou por umarevolução. De acordo com Ascarelli, a propriedade industrial estaria imune à aplicação dodireito concorrencial, já que os direitos de exclusivo de propriedade industrial consistem emum monopólio legal dado ao titular. No entanto, este monopólio não é necessariamente ummonopólio no sentido econômico (no sentido de conferir poder de mercado, etc.). Ascarellinão estava, no entanto, equivocado do ponto de vista teórico (ex.: quando a lâmpada foiinventada, ou quando o náilon foi inventado, o que havia era de fato um monopólio, já que nãoexistia tecnologia substituta). Atualmente, por causa da evolução da tecnologia, existe concorrência entre produtospatenteados. A propriedade industrial não consiste, portanto, numa zona de não aplicação dadisciplina concorrencial. O caso Kolinos é o primeiro caso de interação entre direito daconcorrência e propriedade industrial (Colgate comprou o fabricante da marca Kolinos e oCADE determinou que a maca não poderia mais ser utilizada, por causa da concentração demercado que isso geraria; a Colgate passou a usar a marca Sorriso, mas com a mesmapropaganda, mesmo logo, etc., o que faz com que seja questionável a efetividade dadeterminação do CADE). A propriedade industrial pode, mas não necessariamente gera violações à livreconcorrência (ex.: pool de patentes). O art. 38 da Lei de Defesa da Concorrência lista hipótesesde infração à ordem econômica; o §3º estabelece condutas que envolvem direitos depropriedade industrial (ex: inciso IV, patentes de blocking). A preocupação prioritária dodireito concorrencial é o controle do poder de mercado (e não necessariamente todo direitode propriedade industrial gera poder de mercado excessivo). A concentração de todos osdireitos de propriedade industrial de um determinado setor de mercado para ocupar posiçãodominante é um ilícito concorrencial envolvendo PI; nestes casos, uma das sanções possíveisque o CADE pode aplicar é o licenciamento compulsório da tecnologia (que não consiste emperda ou quebra de patente, mas apenas na suspensão temporária da exclusividade contra avontade do titular). 
PARTE ESPECIALPropriedade industrialExistem duas formas de criações industriais:1. patentes:
• patente de invenção
• modelo de utilidade2. desenho industrial.A patente, de forma genérica, pode ser definida como toda solução técnica para umproblema técnico. A patente precisa carregar certo nível de inventividade (não é qualquertecnologia que pode ser patenteada). Existe uma diferença entre patente e segredo industrial.Tanto a patente quanto o segredo são formas de proteção da tecnologia. A tecnologia pode sermantida em segredo industrial porque o empresário optou por mantê-la desta forma ouporque ela não é patenteável. No caso do segredo industrial, a forma de proteção é a repressãoà concorrência desleal (quando a descoberta é feita por meios fraudulentos); a desvantagemdisso é que o dano já aconteceu e o segredo industrial já foi divulgado. As patentes têm avantagem de o Estado reconhecer e constituir exclusividade sobre aquela tecnologia. Existem também diferenças entre patentes de invenção e modelos de utilidade. Aprincipal delas é que o modelo de utilidade é uma melhoria funcional de uma criação jáexistente (havendo menos inovação e menos mudança, em comparação com a patente deinvenção). A cadeira de rodas, por exemplo, é uma invenção, mas a cadeira de rodas elétrica éum modelo de utilidade. A patente de invenção é o conceito tradicional de patente, algocompletamente novo. Um mesmo objeto pode ser alvo de várias proteções: o Iphone, porexemplo, é protegido por desenho industrial, por patentes, etc. Para que uma invenção seja patenteável, há três requisitos que precisam serobservados: 1) novidade, 2) atividade inventiva e 3) aproveitamento industrial. O modelo deutilidade, no entanto, tem como requisito a ocorrência de ato inventivo (e de melhoriafuncional). O prazo de proteção para patentes de invenção é de 20 anos e para modelos deutilidade, de 15 anos (isso está de acordo com o TRIPS). O prazo começa a ser contado a partirdo depósito. Mesmo o registro sendo constitutivo, já existe utilização da patente mesmo antesdo registro (art. 40); o INPI demora para reconhecer o registro, de modo que se o prazocomeçasse a ser contado a partir do registro haveria mais proteção do que o estabelecido porlei. O problema em relação a isso acontece quando há órgãos de regulação (sendo que aexploração da patente depende de sua autorização). Existem dois regimes mundiais de patentes:
1. first to invent: é presumidamente o titular aquele que inventou, mas esta é uma questãode difícil prova;
2. first to file: art. 171 da LPI, aquele que primeiro depositou o invento é presumidamenteseu inventor (esta é uma presunção de fato e não de direito, sendo admissível,portanto, prova em contrário). Aula 8: 09/10 (reposição)PatentesA patente é um direito conferido pelo Estado que dá ao titular o direito de explorarexclusivamente determinada tecnologia. Em contrapartida à exclusividade, o titular precisadar acesso público aos aspectos essenciais do invento, havendo necessidade de publicizar umrelatório detalhado do invento (isso porque a informação é um bem não-rival e não-excludente). Além disso, o direito de patente é limitado no tempo. A finalidade principal do
Estado com a proteção da patente é de promover a inovação tecnológica. Opção de submeterou não um invento ao direito de patente é do empresário; ele pode, se quiser, optar pelosegredo industrial. O segredo industrial, no entanto, por não dar acesso público à informaçãosore a tecnologia, não promove a tecnologia da mesma forma que a patente. Além disso, apartir do momento que alguém tomar conhecimento do segredo, o titular não dispõe mais denenhum direito sobre ele. A patente de invenção e a patente de modelo de utilidade são os tipos de patente.Ambas têm uma função utilitária, técnica: a patente de invenção protege um novo produto e apatente de modelo de utilidade protege uma melhoria funcional realizada em um produto jácriado (nova forma do produto). As patentes de invenção são aplicadas mais frequentemente aprodutos químicos, farmacêuticos, etc.; as patentes de modelo de utilidade são usadas paracomputadores, celulares, etc. A principal diferença entre desenho industrial e modelo deutilidade é que o desenho industrial protege apenas o design do produto (apenas a forma), nãohavendo nenhuma preocupação com sua utilidade. As patentes de invenção são protegidas porvinte anos e as de modelo de utilidade, por quinze anos (a partir do depósito da patente, ouseja, do pedido de concessão). A vigência mínima que a LPI assegura para as patentes é de dezanos para as de invenção e sete para os modelos de utilidade (contando a partir da concessãoda patente). A LPI segue a regra do first to file: é considerado o legítimo inventor aquele quedepositou primeiro a patente. Denis Borges Barbosa diz que invento é toda a solução técnicapara um problema técnico (as patentes, de invenção e modelo de utilidade, protegeminventos). O invento é uma ação humana de intervenção na natureza, de mudança nos estadosda natureza; o invento precisa ser concreto e técnico. Existe uma diferença entre invento einvenção, portanto. A LPI não apresenta a definição de invento (apesar de protegê-lo pelaspatentes através de seu art. 6º). O art. 10º da lei, no entanto, define o que não é invento e é apartir disso que se dá a definição legal de invento. Tudo aquilo que não é invento e, portanto,não é passível de proteção por meio de patente, pode ser protegido ou incentivado de outrasformas (direito de autor, proteções