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Propriedade Intelectual e Acesso ao Conhecimento

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sui generis) ou ainda estar fora da propriedade intelectual(ideias, que não são protegidas por PI de nenhuma forma). O art. 27 do TRIPS diz que qualquer invenção, de produto ou processo, em todos ossetores tecnológicos, será patenteável desde que seja nova, envolva um passo inventivo e sejapassível de aplicação industrial. Verifica-se neste dispositivo, portanto, requisitos para aconcessão de patentes. A LPI adota, em seu art. 8º, sobre as patentes de invenção, os mesmosrequisitos: (1) a novidade, (2) a atividade inventiva e (3) a aplicação industrial. O art. 9º dalasobre os requisitos do modelo de utilidade, que são os mesmos, mas descritos de formadiferente. A novidade é tudo aquilo que não está no estado da técnica e o estado da técnica étudo aquilo que está em conhecimento público (art. 11). A novidade pode ser cognoscitiva oueconômica, sendo a primeira aplicada pelo direito brasileiro (critério do acesso ao público). Aeconômica diz respeito ao que ainda não foi colocado dentro da indústria (a novidadecomercial seria aquilo que ainda não foi colocado no comércio. A novidade absoluta seriaaquilo que nunca foi colocado em prática ou em conhecimento público em lugar nenhum; anovidade relativa diz respeito a uma determinada localização geográfica. Estas classificaçõesestão de acordo com o entendimento de Denis Borges Barbosa. A novidade adotada pela leibrasileira é a novidade cognoscitiva e absoluta. De acordo com o art. 12, não será considerada como estado da técnica divulgação detécnica que tenha sido feita doze meses antes da patente; existe, desta forma, um período de
graça, no qual é possível divulgação e a patente não será impedida (não haverá quebra denovidade por causa desta divulgação). Se o inventor divulga sua tecnologia para um terceiro eeste terceiro não a divulgue para mais ninguém, não se perde também o requisito da novidade.Se há, no entanto, utilização pública da tecnologia antes do patenteamento, perde-se a
novidade.O ato inventivo (que é o mesmo que atividade inventiva) diz respeito ao mínimo deinventividade. Isso significa que a tecnologia não pode ser óbvia, vulgar ou comum (arts. 13 e14). A aplicação industrial existe quando os inventos podem ser utilizados ou produzidos emqualquer tipo de indústria (art. 15). É preciso também que o invento traga a melhor soluçãopara o problema técnico da indústria. A suficiência descritiva é também um requisito depatenteamento imposto pela LPI (Denis Borges Barbosa diz que, mesmo sem a suficiênciadescritiva, haverá invento, mas não patente). Estes dois últimos (suficiência descritiva eeficiência do invento) são requisitos adicionais impostos pela LPI. O TRIPS estabelece que determinadas tecnologias não podem ficar sem proteção porpatente (não podem haver setores da tecnologia que não são protegidos por patente). NoBrasil, não eram admitidas antes do TRIPS patentes sobre produtos químicos, farmacêuticosou alimentares (o que mudou com o acordo). O TRIPS também estabelece alguns limites:existem alguns tipos de invento que os países não podem proteger por patente. O art. 18 daLPI estabelece tudo que não pode ser patenteável. Para o patenteamento, é preciso que seja apresentado um pedido de patente para oINPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e este verificará se os requisitos econdições do art. 19 estão sendo cumpridos (exame preliminar). O pedido precisa ter todos oselementos descritos pelo art. 19: os mais importantes são o relatório descritivo, orequerimento e as reivindicações. Se o pedido atende aos requisitos, ele será depositado; senão, o requerente tem trinta dias para corrigir os defeitos e fazer o depósito (neste segundocaso, a data que constará no depósito será a data da primeira tentativa). Depois que o pedidofor depositado, ele será publicado dentro de dezoito meses (sendo facultado ao requerentepedir publicação antecipada). Durante estes dezoito meses o INPI fará o exame detalhado paraverificar se o pedido de patente será deferido ou indeferido. Quando o pedido for deferido,haverá emissão da carta patente. Todo o procedimento está descrito do art. 19 ao art. 39 daLPI. O art. 6º da LPI diz que o autor de invenção ou modelo de utilidade terá direito depedir a patente. Salvo prova em contrário, há a presunção de que aquele que está pedindo temlegitimidade para tal. É neste artigo que se encontra a regra do first to file. A prioridade
unionista está no art. 16 e de acordo com ela, qualquer estrangeiro que tenha patente em paísestrangeiro que tenha acordo com o Brasil e venha pedir patente aqui tem preferência: sequalquer outra pessoa, pelo período de um ano, quiser patentear a mesma tecnologia, terá seupedido negado, por causa da prioridade. O art. 42 trata da exclusividade na exploração econômica (direitos que a patenteconfere ao titular). A patente dá ao titular o direito de impedir terceiros, sem seuconsentimento, de produzir, usar, colocar a venda, vender ou importar o produto inventivocom determinados propósitos. A exceção se dá em relação ao usuário anterior de boa-fé, peloart. 45. Existem também as práticas que configuram fair use (utilizações do invento que nãoafetam o direito do titular), presentes no art. 43. Estas práticas incluem usos privados e usosque envolvem o interesse público. A exaustão de direitos diz respeito ao impedimento de que otitular da patente controle o que será feito com o produto do invento uma vez qu ele écolocado a venda no mercado (doutrina do first sale: isso acontece desde a primeira venda doproduto). Esta restrição diz respeito, no entanto, a produtos colocados no mercado interno dopaís (vedação à importação paralela por outros agentes). A exploração indevida é punida com pagamento de indenização ao titular, pelo art. 44da LPI. O pedido ou a patente em si podem ser cedidos (art. 58) e a extinção da patente fazcom que o objeto caia em domínio público (art. 78). A nulidade da patente pode vir porprocesso administrativo ou por ação judicial (arts. 46 a 57). O processo administrativo épromovido pelo INPI (por ele próprio ou por requerimento de terceiro interessado). A açãojudicial pode ser proposta pelo INPI ou por terceiro interessado a qualquer tempo. O foro
responsável é o Foro da Justiça Federal. A caducidade (art. 80) acontece quando, decorridosdois anos depois da concessão da primeira licença compulsória, este prazo não tiver sidosuficiente para prevenir ou sanar com o abuso ou desuso da patente por parte do titular.Aula 9: 13/10Patentes de biotecnologiaAs patentes de biotecnologia têm por objeto microrganismos, materiais biológicos emgeral, etc. Estas patentes protegem bens relacionados à vida. Existe uma discussão sobre atéque ponto é ético que os países permitam o patenteamento de matéria viva. O caso Chak----(1980), na Suprema Corte dos EUA, foi a primeira concessão de proteção patentária a ummicrorganismo per se, pois considerou-se o microrganismo um produto biológico novo, quenão se encontrava na natureza. O patenteamento do genoma humano foi objeto de pedido noReino Unido sob o argumento de que bastava o isolamento do material (e não a criação de umnovo material) para que houvesse proteção por patente – considerou-se, na França, o genomanão patenteável, por fazer parte do patrimônio da humanidade. No Reino Unido, o pedido depatenteamento foi negado pois não havia aplicação industrial ou problema técnico a serresolvido com o genoma. Os EUA exigem menor grau de atividade inventiva, mas maior grau de exposição datecnologia ao público, para que haja proteção por patente. A Convenção da União de Paris nãoprevê restrição á patenteabilidade de criações biológicas (deixando isso para adiscricionariedade dos Estados); o TRIPS, no entanto, em seu art. 27, estabelece aobrigatoriedade de patenteamento de produtos da área biotecnológica quando diz que nãopodem