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Propriedade Intelectual e Acesso ao Conhecimento

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público. Canotilho acredita também que não é verdade que as patentes estrangeiras nãocumprem os requisitos da lei brasileira: há novidade, mas esta novidade é relativa, e nãoabsoluta. Ela é relativa porque o produto é novo por ainda não ter ido para o mercado (sendoeste um dos requisitos da pipeline), apesar de não ser novo no estado da técnica. Além disso, orequisito da novidade não está previsto na Constituição – apenas em lei ordinária. Destaforma, mesmo que houvesse ausência de novidade, isso não seria motivo para declarar aspatentes pipeline inconstitucionais. Quem defende a inconstitucionalidade diz também que a pipeline viola a livreconcorrência, porque estabelece condições concorrenciais diferentes para os agentesnacionais e estrangeiros dentro do mercado. Canotilho defende, no entanto, que a própria leitrata os concorrentes de forma diferente, de modo que não há discriminação. Não hádiscriminação ainda porque as patentes estrangeiras foram depositadas em paísesestrangeiros que possuem requisitos para patenteamento (requisitos estes, inclusive, queestão de acordo com o TRIPS e as Convenções). A homologação das patentes no Brasil nãosignifica, portanto, ausência de análise dos requisitos – esta análise já foi feita em momentoanterior, e os requisitos são os mesmos, pois ambos os países são signatários do TRIPS e dasConvenções (a questão é meramente temporal). Para Canotilho, também não há violação dasoberania nacional porque as patentes continuam independentes. Apesar de haver umahomologação, o depósito é necessário tanto para o nacional quanto para o estrangeiro. Existe também uma controvérsia em relação ao prazo de vigência da pipeline. O prazode proteção é o prazo remanescente no país de origem, contado a partir da data do depósitoda patente no Brasil, não se aplicando o disposto do parágrafo único do art. 40 (masaplicando-se o caput). O prazo é, portanto, o prazo restante, desde que não seja maior que 20anos (o termo inicial do prazo é a data de depósito no Brasil e o termo final é o prazo final dalei estrangeira). Quando há prorrogação da proteção no país estrangeiro (por circunstânciassupervenientes), espera-se que essa prorrogação seja feita também feita no Brasil. Outroproblema: verificar se a anulação da patente no estrangeiro acarreta na anulação da patente
no Brasil (princípio da territorialidade, independência entre patentes). Jurisprudencialmente, entende-se que circunstâncias supervenientes que digamrespeito ao mérito da patente estrangeira afetam sim a patente nacional. Além disso,considera-se que a patente nacional termina quando termina a patente estrangeira, nãoimportando a prorrogação de prazo feita o estrangeiro (termo final definitivo). Licenciamento de patentesA propriedade industrial (mais especificamente, a patente) circula através decontratos registrados. A concessão de patentes precisa, portanto, ser feita através de umcontrato registrado no INPI para que seja válida. A lei fala na obrigatoriedade da averbação docontrato para que este seja oponível a terceiros. A circulação pode ocorrer de duas formas:1. autorização (licença de patente);2. cessão de patente (transferência definitiva).A licença é uma autorização concedida pelo titular da patente para a exploraçãoeconômica ao passo que a cessão é uma transferência definitiva com a qual o titular abre mãode seu direito de patente para cedê-lo à outra parte). A licença compulsória é uma autorizaçãoforçada, a despeito da vontade do titular, para a exploração econômica da invenção; as licençassancionatórias não são remuneradas, mas as compulsórias são. Além disso, as licençascompulsórias não consistem em perda da titularidade da patente pelo inventor. Aula 11: 21/10 (reposição)Licenciamento de patentes – continuaçãoExistem duas formas de circulação da patente: a licença e a transferência definitiva.Na licença, a patente não sai da esfera jurídica do titular. Ha apenas uma autorização para queterceiro a explore. Esta licença pode ser de dois tipos: voluntária (concedida pelo titular aterceiro, que terá em relação a patente todas ou algumas das faculdades concedidas pelo art.42 da LPI) ou compulsória. A licença exclusiva é concedida apenas para uma pessoa (o titularsó permite que aquela pessoa explore a tecnologia). A exclusividade pode se dar em relação apessoa ou em relação ao território.Para o titular da patente, o beneficio que existe ao conceder a licença e aremuneração. Ha ainda um outro interesse: se o licenciante não explora a patente, ele podeperdê-la (caducidade, pois a patente foi feita para ter aplicação industrial, não para ficar"parada" nas mãos do titular, ou licença compulsória., em que o titular não perdepropriamente a patente, mas seu direito de exploração é dado obrigatoriamente a terceiro).Desta forma, o titular, ao conceder a licença, visa também a proteção de seu próprio direito(pois com a licença a patente está sendo explorada, ainda que não pelo titular).A licença serve, portanto, para viabilizar a exploração da patente. O INPI funciona, noBrasil, como um intermediário para ajudar os titulares a conceder as licenças (por meio deuma espécie de "classificado"). A própria lei brasileira incentiva a concessão de licenças. Otitular, ao publicar a patente, pode fazer uma oferta da licença (de que forma ela seráconcedida, quais serão as faculdades do licenciado, etc.).Existe um questionamento, na doutrina e na jurisprudência, sobre se é possívellicença compulsaria enquanto esta pendente uma oferta de patente, ou se é possívelcaducidade. É possível dizer que sim: se, mesmo com a oferta não houve interessados, é dointeresse do Estado, para que haja exploração da patente, conceder a licença, ou aplicar acaducidade (pois se não há interessados e a patente não está sendo explorada, ela é "inútil").Um argumento negativo seria dizer que não é possível ter caducidade (ou licençacompulsória., por analogia) porque estas só podem ser aplicadas quando o titular não está
realizando esforços para a exploração da patente, e a oferta é claramente um esforço. Oposicionamento majoritário da doutrina é que não cabe licença compulsória. ou caducidadenestes casos, pois seria uma penalidade indevida aplicada ao titular.O depositante pode celebrar contrato de concessão de licença da patente (mesmoantes de a patente ser concedida). Isso por dois motivos principais: 1) as patentes demorammuito para serem concedidas, não sendo viável obstaculizar a concessão de licenças nestecaso e 2) o registro da patente é constitutivo, mas seus efeitos retroagem a data do deposito.No caso de o contrato ser celebrado, o licenciado pagar e a patente não ser concedida peloINPI, a solução mais viável é o pagamento de indenização, por parte do licenciante, aolicenciado.No momento da assinatura, a licença é valida e eficaz entre as partes. A averbação dalicença no INPI, no entanto, é condição indispensável a oponibilidade da licença a terceiros(entre estes terceiros estão o Banco Central, o INPI, a Receita Federal, e todos os demaisórgãos públicos).Existe uma diferença entre direito de preferência e direito a primeira oferta: apreferência pressupõe que haja uma oferta de alguém (e, em relação a esta oferta, alguém temo direito de preferência) e, no caso do direito a primeira oferta, não há uma oferta, mas se otitular pretender vender, precisa oferecer primeiro a uma pessoa especifica).O art. 63 da LPI diz que qualquer aperfeiçoamento da tecnologia feito pelo licenciadopertence a ele. Este aperfeiçoamento pode ou não ser patenteado. Este dispositivo não é, noentanto, cogente: pode ser afastado pelas partes no contrato de licenciamento.O art. 64 da LPI fala