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Propriedade Intelectual e Acesso ao Conhecimento

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semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com aquela 
marca alheia. 
 
Princípio da Especialidade 
 
 Está presente no ordenamento jurídico nacional e é consagrado internacionalmente 
no direito comparado no sentido de que o direito de uso exclusivo da marca está limitada 
junto à classe de produto ou serviço no qual se encontra registrada no INPI. 
 
Regulação na lei em termos de marcas com vistas a evitar o risco de confusão 
 
 Entende-se que há confusão se uma marca é tomada por outra em razão de um 
suposta semelhança entre elas. Uma vez que a marca tem a função de diferenciar produtos 
ou serviços de seus iguais ou similares, entende-se que quando uma marca é tomada por 
outra dada a similaridade , confundindo o consumidor, então ela perde sua função e gera 
desconfiança. Por isso, o INPI não pode registrar marcas que sejam similares e portanto 
impeçam a distinção. Nesse sentido a marca pode ser uma estratégia de concorrência 
desleal, que é provocar pela similaridade da marca a confusão proposital do consumidor. O 
art. 132 trata dos direitos e das limitações aos direitos dos proprietários de marcas. 
 
 Art. 132. O titular da marca não poderá: 
 I - impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que 
lhes são próprios, juntamente com a marca do produto, na sua promoção e 
comercialização; 
 Ex.: se você vai a determinado mercado, vem também a marca do agente que 
distribuiu o vinho e não somente a marca do vinho. 
 II - impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a 
destinação do produto, desde que obedecidas as práticas leais de 
concorrência; 
 III - impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno, por 
si ou por outrem com seu consentimento, ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º 
do art. 68; e 
 A partir do momento que coloco um produto no mercado e a marca no 
produto, não tenho nenhum direito de evitar a livre circulação desse produto 
dentro do território nacional. 
 
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 IV - impedir a citação da marca em discurso, obra científica ou literária ou 
qualquer outra publicação, desde que sem conotação comercial e sem 
prejuízo para seu caráter distintivo. 
 Uma vez que a marca se torna de titularidade de alguém, ela pode ser utilizada 
em todo e qualquer veículo de conotação não comercial. 
 
Vigência 
 
 O prazo de vigência de uma patente de inovação é de 20 anos, de modelo de utilidade 
é de 15 anos. Conforme o art. 133, a marca tem um prazo de vigência de 10 anos contados 
da sua concessão, o qual pode ser prorrogado por idênticos períodos indefinidamente. 
 
 Art. 133. O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, contados 
da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e 
sucessivos. 
 § 1º O pedido de prorrogação deverá ser formulado durante o último ano de 
vigência do registro, instruído com o comprovante do pagamento da 
respectiva retribuição 
 § 2º Se o pedido de prorrogação não tiver sido efetuado até o termo final da 
vigência do registro, o titular poderá fazê-lo nos 6 (seis) meses subseqüentes, 
mediante o pagamento de retribuição adicional. 
 § 3º A prorrogação não será concedida se não atendido o disposto no art. 
128. 
 
 Caso a utilização não se inicie no prazo de 5 anos pós registro ou haja suspensão da 
utilização pelo período de 5 anos, pode ocorrer a caducidade da marca, perdendo, portanto, 
o direito sobre ela. EX: Funcionário da Brahma que fez o funcionário da Antártica esquecer 
de renovar a marca para poder registrá-la. Isso é concorrência desleal, pois houve sedução 
do funcionário do concorrente, é um ato antiético no mercado para falsear a concorrência 
leal. A concorrência traz benefícios ao mercado, mas concorrência mediante atos de 
lealdade. Seduzir o funcionário do concorrente para que haja caducidade de uma marca para 
que seja obtida mediante ato de deslealdade, implica concorrência desleal e, portanto, 
indenização. Pode também tentar anular o registro da marca. 
 
Casos que geram a extinção da marca (nos termos do art 142 da lei 9279): 
• Expiração do prazo de sua vigência (10 anos) 
• Renúncia que pode ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados 
• Pela caducidade (se ela deixa de ser utilizada por cinco anos, salve motivo de força maior) 
• Falta de representante com domicílio no país. Inobservância do disposto no art. 217, o 
qual diz que a extinção da marca ocorre se o titular dela não deixar o representante legal 
 
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domiciliado no país para receber qualquer intimação ou citações. Isso é necessário quando 
o titular tiver domicílio no exterior. 
 
Extinção do registro 
 
 Art. 119. O registro extingue-se: 
 I - pela expiração do prazo de vigência; 
 II - pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros; 
 III - pela falta de pagamento da retribuição prevista nos arts. 108 e 120; ou 
 IV - pela inobservância do disposto no art. 217. 
 
 Art. 217. A pessoa domiciliada no exterior deverá constituir e manter 
procurador devidamente qualificado e domiciliado no País, com poderes para 
representá-la administrativa e judicialmente, inclusive para receber citações. 
 
 
 
 
 
 
DESENHO INDUSTRIAL 
 
Introdução 
 
 Está regulado nos artigos 94 ao 121 da Lei 9279/96, que inovou ao tratar do tema de 
desenho industrial, nunca antes regulado nacionalmente. Antes, a lei tratava modelos e 
desenhos industriais por meio de patentes. Hoje, a lei apenas concede o registro a desenhos 
industriais. 
 
CONCEITO 
 
 O conceito de desenho industrial encontra-se previsto em nossa lei no art. 95. 
 
 Art. 95. Considera-se desenho industrial a forma plástica ornamental de um 
objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a 
um produto, proporcionando resultado visual novo e original na sua 
configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial. 
 
 O desenho industrial diz respeito à forma de produtos que possam vir a ser fabricados 
industrialmente. Desenho industrial deve ser entendido como uma ornamentação 
 
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(bidimensional ou tridimensional) de um produto que pode ser industrializável (fabricado 
em termos de massa). Se eu crio um estilo novo a um produto inexistente, sobre ele eu não 
tenho patente, mas um desenho industrial. Em razão do registro, há titularidade do design 
para impedir que terceiros produzam o mesmo produto. 
 Gama Cerqueira fala de desenho industrial. Diz: “desenhos industriais são invenções 
de forma, destinadas a produzir efeito meramente visual”. Desse conceito, ele deixa claro 
que a proteção que se visa por meio do design é tutelar a aparência nova dada a um produto 
industrializado. Com essa nova aparência, o objetivo é claro: tornar esses produtos 
esteticamente diferenciados de produtos idênticos já existentes ou produtos já existentes 
com a mesma função. Por meio do design, faço com que meu produto seja diferente dos 
demais produtos. 
 
Requisitos 
 
 Para que o desenho industrial seja objeto de registro junto ao INPI, nos termos do art. 
96 e seguintes, ele precisa reunir alguns requisitos: 
• Novidade: é considerado novo quando não compreendido no estado da técnica 
• Originalidade: deve possuir uma configuração própria, não encontrada em outros 
objetos 
• Ornamentalidade 
• Aplicação industrial 
 
 Art. 96. O desenho industrial é considerado novo quando não compreendido 
no estado da técnica. 
 § 1º O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível ao 
público antes da data de depósito do pedido, no Brasil ou no exterior, por uso 
ou qualquer outro meio, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e no art. 
99. 
 § 2º Para aferição unicamente da novidade, o conteúdo completo de pedido 
de patente ou de registro depositado no Brasil, e ainda não publicado, será 
considerado