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Parasitologia   Rey

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2ª edição. Rio de Janeiro, Editora 
Guanabara, 2002 [380 páginas]. 
REY, L. – Dicionário de Termos Técnicos de Medicina e Saúde. 2ª
edição, ilustrada. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 2003 [950 
páginas].
REY, L. – Parasitologia. 3ª edição. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 
2001 [856 páginas].
SCHAD, G.A. & WARREN, K.S – Hookworm disease; current status and new 
directions (438 pp). London, Taylor & Francis, 1990. 
THIENPONT, D.; ROCHETTE, F. & VANPARIJS, O.F.J. – Diagnosing 
helminthiasis by coprological examination. Beerse, Belgium, 
Janssen Research Fondation, 1986.
PARASITOLOGIA 
MÉDICA
PARASITOLOGIA 
MÉDICA
19. TOXOCARÍASE, LAGOQUILASCARÍASE E 
ANGIOSTRONGILÍASE
19. TOXOCARÍASE, LAGOQUILASCARÍASE E 
ANGIOSTRONGILÍASE
Complemento multimídia dos livros “Parasitologia” e “Bases da Parasitologia 
Médica”. Para a terminologia, consultar “Dicionário de termos técnicos de
Medicina e Saúde”, de
Luís Rey
Fundação Oswaldo Cruz
Instituto Oswaldo Cruz
Departamento de Medicina Tropical
Rio de Janeiro
ToxocaríaseToxocaríase
O parasito: Toxocara canis
Como vários nematóides
de animais que infectam
ocasionalmente o homem,
este parasito não completa
seu ciclo biológico normal,
no organismo humano,
permanecendo como uma
larva migrans visceral, em
diferentes tecidos.
O verme adulto asseme-
lha-se ao áscaris, medindo a
fêmea 6 a 18 cm e o macho
4 - 10 cm (a).
Além de 3 lábios que precedem a boca, possuem 2
expansões cervicais em forma de aletas (e, f).
Ciclo de toxocara (a, b, c) e infecção
humana (d). Aletas de Toxocara canis (e) e de
Toxocara cati (f).
Toxocara canis
Em seus hospedeiros normais, o cão e outros
canídeos (eventualmente o gato), Toxocara habita a
luz do tubo digestivo.
Uma fêmea de Toxocara elimina 2 milhões de
ovos, por dia; mas esse número cai para 200 mil,
após o 8º mês de vida.
Os ovos embrionados, quando ingeridos por cães
novos e sem imunidade, eclodem no intestino.
As larvas (L3) invadem a mucosa e, pela
circulação da veia porta, chegam ao fígado.
Vão, depois, ao coração, aos pulmões e
finalmente, deglutidos, completam seu ciclo indo
localizar-se na luz do tubo digestivo.
Aí crescem e vivem como vermes adultos.
Larva migransLarva migrans
Quando um cão adulto e
com imunidade específica
contra as L3 é infectado
experimentalmente, essas
larvas são encontráveis no
fígado, nos pulmões, nos
músculos e outros órgãos.
O que mostra a tendência
de Toxocara a produzir
formas latentes mesmo no
hospedeiro natural.
Na cadela grávida, as
larvas infectam o feto por
via placentária e, após o
nascimento, essas larvas
chegam a vermes adultos.
Essa é a principal forma
de transmissão da toxoca-
ríase entre os cães.
As larvas são encontradas
também no leite da cadela,
podendo infectar as crias.
Toxocaríase
Na espécie humana,
sobretudo em crianças de
baixa idade, a ingestão de
ovos de Toxocara libera
larvas L3 no início do intes-
tino delgado.
Depois de invadir a muco-
sa, essas larvas entram na
circulação porta e alcançam
o fígado; ou, pela circulação
linfática, vão ao coração
direito, aos pulmões etc.
Nos hospedeiros anormais
(como os humanos) as larvas
L3 não passam por novas
ecdises, nem crescem, mas
vivem semanas ou meses.
Os órgãos mais afetados por
esses parasitos são, na ordem
de freqüência: o fígado, os
pulmões, o cérebro, os olhos e
os linfonodos.
Nos capilares hepáticos ou
de outros órgãos, as larvas
são retidas pela reação infla-
matória.
A lesão típica consiste no
granuloma alérgico. No centro
deste está o parasito e tecido
necrótico, cercado por eosinó-
filos e monócitos, dispostos
em paliçada, e gigantócitos.
Em torno, há um infiltrado
leucocitário e fibroblastos.
Toxocaríase
Nas localizações oculares,
em geral no segmento poste-
rior, os abscessos eosinófilos
tendem a produzir o descola-
mento da retina e opacifica-
ção do humor vítreo, com
perda da visão.
Outras vezes forma-se um
tumor fibroso e localizado,
que afeta parcialmente a
vista.
Em função da carga parasi-
tária, o quadro clínico tarda
semanas ou meses para se
manifestar e depende da
localização das lesões.
Ele varia de uma simples e
persistente eosinofilia até os
quadros graves, com febre,
leucocitose e hipereosinofilia;
hepatomegalia e manifesta-
ções pulmonares (como asma
ou síndrome de Löeffler); bem
como cardíacas e nefróticas.
As lesões cerebrais podem
produzir quadros epilépticos,
meningite ou encefalite.
Há casos que simulam um
tumor cerebral.
As crianças, entre 2 e 5
anos, são mais afetadas que
os demais. Há casos fatais.
Diagnóstico da toxocaríase
O diagnóstico fundamenta-
se em dados clínicos, hemato-
lógicos, radiológicos, biópsia
ou métodos imunológicos.
Estes últimos são os mais
sensíveis e específicos, utili-
zando-se de preferência o
método de ELISA, com antí-
genos de larvas L2 (obtidas de
culturas).
O exame de fezes nada
informa, a menos que (excep-
cionalmente) tenha havido
infecção com larvas L5, que
evoluem para adultos sem
fazer o ciclo pulmonar.
Na biópsia os cortes forne-
cem imagens que dependem
da secção da larva, como
mostram as figuras abaixo.
Toxocara canis, 
cortes transversais
Tratamento e epidemiologia
Tratamento
Em geral ele é desneces-
sário, por serem as infec-
ções benignas e autolimi-
tadas.
A duração do parasitismo
pode alcançar 6 a 18 meses.
Mas, pacientes dos grupos
de alto risco para reinfec-
ções ou superinfecções,
devem ser tratados.
Utilizar albendazol, meben-
dazol, tiabendazol ou dietil-
carbamazina. A repetir após
uma semana, se necessário.
Na toxocaríase ocular,
usar prednisona e trianci-
nolona em vez de anti-
helmínticos.
Epidemiologia
A infecção é cosmopolita.
A raridade do registro de
casos é devida à dificuldade
do diagnóstico clínico ou à
confusão com outras etiolo-
gias.
As fontes de infecção, sen-
do cães e gatos, é facilitada
pela excessiva intimidade,
sobretudo de crianças, com
esses animais (parasitados
em 15 a 45% dos casos); ou
pelo solo contaminado com
os ovos.
Nos cães, a transmissão é
congênita; mas os gatos in-
fectam-se comendo minho-
cas, baratas ou camundongos
portadores de larvas L2.
Prevenção da toxocaríase
A profilaxia da toxocaríase
é difícil por ser a convivência
com cães e gatos parte dos
hábitos anti-higiênicos de
muita gente.
Por ignorância ou baixo
nível de consciência sanitá-
ria, essas pessoas não se
importam de levar, diaria-
mente, seus animais a
poluírem com fezes as ruas,
praças e praias.
Aí, os ovos sempre muito
abundantes de Toxocara
sobrevivem por semanas ou
meses, no solo e nas poeiras.
Outra dificuldade está em
que as medidas de controle
deveriam ser de iniciativa e
responsabilidade dos pro-
prietários desses animais.
Mas, também, devem ser
colocadas cercas teladas
para proteger os parques e
lugares de recreação das
crianças (tanques de areia,
p. ex.) impedindo o acesso
dos animais.
E reduzir a população de
cães e gatos errantes, que
são os mais parasitados.
Prevenção da toxocaríase
Quanto aos animais do-
mésticos, ela deve consistir
no tratamento periódico dos
cães e gatos, segundo o es-
quema abaixo, para reduzir
as fontes de poluição persis-
tente do solo com os ovos do
parasito:
1º tratamento aos 14 dias
de idade do animal;
2º tratamento aos dois me-
ses;
3º tratamento aos seis
meses de idade;
Depois tratá-los 1 ou 2
vezes por ano.
Isso porque as reinfecções
ocorrem mesmo nas melho-
res condições.
As drogas a usar são os
imidazólicos, como o alben-
dazol, fembemdazol, levami-
zol ou mebendazol.
Contra as larvas, nos
tecidos, a eficácia é menor,
não impedindo a transmis-
são congênita em cães.
As cadelas prenhes devem
receber a medicação diaria-
mente desde