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Aula 10

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1.
		Leia o poema Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade, e responda o que se pede:
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microcopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
 Acerca do poema seria inválido afirmar:
	
	
	
	
	
	Sentimento do mundo pode ser entendido também como um poema sobre o próprio fazer literário (minhas lembranças escorrem), onde os poemas ("escravos") surgem como armas.
	
	 
	O poeta revela, neste poema, uma visão de mundo extremamente pessimista, com um amanhecer mais noite que a noite.
 
	
	
	Os versos da terceira estrofe, indica que apesar da ajuda incompleta dos companheiros de vida (Camaradas), o poeta não consegue decifrar os códigos existenciais e perde, humilde, desculpas.
	
	 
	O eu-lírico do poema, apesar de nos revelar que a realidade sempre nos espanta, visto que é dura e desafiante, faz um apelo para que se deixe de sonhar.
	
	
	O poeta inicia o poema indicando suas limitações e impotência perante o mundo, nos versos, tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo.
	
	
	
		2.
		O samba-enredo, de 1993 da escola de samba Salgueiro, revela a dura realidade do nordestino que sai de sua terra para as grandes cidades em busca de melhores condições de vida. A partir desta reflexão e da leitura da letra apresentada abaixo, escolha a alternativa correta.
 Lá vou eu, lá vou eu lá vou eu
Me levo pelo mar da sedução (sedução)
Sou mais um aventureiro
Rumo ao Rio de Janeiro, adeus adeus,
Adeus Belém do Pará
Um dia volto, meu pai
Não chore, pois vou sorrir
Felicidade, o velho Ita Vai partir
Oi no balanço das ondas, eu vou
No mar eu jogo a saudade, amor
O tempo traz esperança e ansiedade
Vou navegando em busca da felicidade
Em cada porto que passo
Eu vejo e retrato em fantasias
Cultura, folclore e hábitos
Com isso refaço minha alegria
Chego ao Rio de Janeiro
Terra do samba, da mulata e futebol
Vou vivendo o dia a dia
Embalado na magia
Do seu Carnaval, explode
Explode Coração
Na maior felicidade
É lindo o meu Salgueiro
Contagiando sacudindo essa cidade
	
	
	
	
	
	A letra de música não dialoga com o gênero lírico.
	
	
	Não existe relação entre literatura e música.
	
	 
	A letra de música, assim como o poema, funciona como um veículo que promove a denúncia de aspectos sociais.
	
	
	A letra de música, assim como o poema, tiram o leitor da realidade, não promovendo, por isso, reflexão.
	
	
	A letra de música, assim como o poema, apresenta pouca subjetividade.
	
	
	
		3.
		Considere o poema de Gullar transcrito abaixo e marque a alternativa que não está em conformidade com o que diz o poema.
Meu povo, meu poema
 
Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova.
 
No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar.
 
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro.
 
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil.
 
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta.
	
	
	
	
	 
	A intenção do autor é clara: colocar a palavra povo no início de cada estrofe, com a mesma função sintática, ou seja, objeto indireto.
	
	
	No título se anuncia o ritmo inicial de cada uma das cinco estrofes do texto, em cujo primeiro verso surge sempre o substantivo povo.
	
	
	Partindo da palavra povo, o poema se constituirá a fim de retornar ao seu ponto de origem.
	
	
	Na primeira das cinco estrofes, povo e poema possuem crescimento simultâneo; sua forma de crescer é igual à da árvore que, em forma de semente, de vida potencial, repousa no interior do fruto.
	
	
	A segunda e a terceira estrofes apresentam um movimento, em que o povo agora é o próprio espaço onde rebenta o poema, é a própria terra nutriente que concebe e alimenta o broto.
	 Gabarito Comentado
	
	
		4.
		Leia, abaixo, o poema de Carlos Drummond de Andrade e assinale a única alternativa que reflete o sentimento do Eu lírico.
Os Inocentes do Leblon
                                    
Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem. (Carlos Drummond de Andrade - http://drummond.memoriaviva.com.br/alguma-poesia/inocentes-do-leblon/)
 
 
 
	
	
	
	
	
	Crítica ao tráfico
 
	
	
	Crítica ao contrabando
 
	
	 
	Crítica à elite
 
	
	
	Crítica à censura
 
	
	
	Crítica ao tráfico de mulheres
	 Gabarito Comentado
	
	
		5.
		Leia o poema de Vinícius de Moraes:
A rosa de Hiroxima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada
(Vinicius de Moraes. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998, p.381.)
Com base no poema acima, assinale a única assertiva que poderia explicar o nome do poema e a comparação que é feita?
 
	
	
	
	
	
	Compara as crianças vítimas de abuso e o silêncio.
	
	
	Compara o álcool com a cirrose hepática.
	
	
	Compara todos os excluídos com uma rosa sem perfume.
	
	
	Compara meninas cegas com pessoas que não enxergam a realidade. 
	
	 
	Compara o cogumelo da explosão atômica com uma rosa aberta.
	 Gabarito Comentado
	
	
		6.
		Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) pertence à elite dos poetas brasileiros mais importante do século XX. Dentre os muitos temas trabalhados pelo poeta, o sentimento da cidade e as reflexões sobre o espaço urbano estão muito presentes não só na sua produção poética, como na sua produção narrativa. A transcrição que segue é parte de um poema extenso intitulado "Edifício Esplendor".
Na areia da praia/ Oscar risca o projeto./ Salta o edifício/ da areia da praia./ No cimento, nem traço/ da pena dos homens./ As famílias se fecham/ em células estanques./ O elevador sem ternura/ expele, absorve/ num ranger monótono/ substância humana./ Entretanto há muito/ se acabaram os homens./ Ficaram apenas/ tristes moradores./ [...].
Neste versos de Carlos Drummond de Andrade, é possível afirmar que:
	
	
	
	
	
	as células estanques são os apartamentos do edifício que protegem e acolhem os moradores. É possível comparar o nascimento do prédio e as demais descrições com a delicadeza e a ternura de um organismo vivo, representado, por exemplo, pela atividade do elevador.
	
	
	o desenvolvimento da cidade não impacta a maneira de estar no mundo do homem. Na última estrofe transcrita, a expressão tristes moradores recupera rigorosamente o sentido do substantivo homens, usado na mesma estrofe, evidenciando a manutenção da condição humana pós-urbanização.
	
	
	a maneira de o homem morar nas cidades não alterou a sua substância, pelo contrário, o poema mostra que o edifício é uma extensão harmônica da própria natureza. Esta ideia expressa-se, por exemplo, na menção de que o