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PRIVATIZAÇÃO CARCERÁRIA

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RESULTADO DA PESQUISA SOBRE A PRIVATIZAÇÃO DO CÁRCERE.
O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo, contando com aproximadamente 622 mil detentos, incluindo também os provisórios. Até poderia ocorrer comemorações acerca desse número, levando em conta uma punibilidade do Estado, porém, 40% desses detentos, não obteve uma sentença e continua vivenciando situações dentro de um sistema carcerário precário, onde o governo não consegue sustentar as despesas que cada indivíduo proporciona ao sistema. 
Observamos que a administração pública na gestão dos estabelecimentos carcerários não tem atendidos aos anseios propostos nos Direitos Humanos, as práticas sociais e a ressocialização do indivíduo, vindo a apresentar problemas com a superlotação, falta de atendimento à saúde e uma grande ineficiência na reabilitação dos indivíduos, vindo a apresentar falhas quanto ao princípio da dignidade humana.
A ideia de privatização busca trazer uma esperança, mas é criticada por especialistas e motivo de discussão em Projetos de Lei do Senado. O Projeto de Lei nº 513/2011 prevê parcerias públicas-privadas nos cárceres, para se ter uma infraestrutura digna, a empresa poderia utilizar a mão de obra do detento, onde o trabalho no cárcere seria obrigatório. Críticos analisam e argumentam que esse é um sistema projetado pelos Estados Unidos, onde claramente vemos que não deu certo, já que foi anunciado pelo governo norte-americano que deixarão de utiliza-la para abrigar presos de custódia-federal.
Por outro lado, afirmam que a transferência para a iniciativa privada não implicará na retirada da influência que o Estado tem, o qual é indelegável, sendo a iniciativa privada responsável pela administração dos presídios, e o poder público seria encarregado dos incentivos fiscais, subsídios, fiscalização e controle, tendo apoio da sociedade, da imprensa e do Ministério Público. 
Os trabalhos seriam mediante remuneração justa, podendo reparar os problemas causados a vítima e desonerando o Estado do auxílio reclusão, também seria revertido para o desenvolvimento do próprio presídio, como forma de valorização e de crescimento pessoal, valorizando até mesmo a sociedade. 
A principal preocupação quanto ao sistema privatizado, é mediante ao fato da obrigatoriedade, sendo igualado a um regime de escravidão, em condições degradantes sob tutela do estado, porém essa é uma visão equivoca, comparando ao o que é atualmente um sistema degradante. 
No Brasil, temos a primeira experiência de privatização no complexo penal de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, onde foi construído por um consórcio com a junção de cinco empresas, inaugurado em 2013, ele comporta 3.336 detentos, o Gestores Prisionais Associados (GPA). 
O complexo prisional possui uma administração diferente dos outros presídios, não há presos provisórios em condições de pré-julgamentos e de alto risco ou periculosidade, fazem uma pré-seleção, para que seja evitado custos maiores e atrapalhe o andamento do projeto que está em fase de desenvolvimento. 
A GPA não possuí até o momento, estudos e empregos para todos os detentos, tendo em vista sua maturação, o que acaba divergindo opiniões. Para quem desfruta dessas oportunidades, no aspecto material elogiam a infraestrutura e os itens básicos de higiene fornecidos, no aspecto psicológico, apontam que os monitores são menos hostis comparados aos de penitenciárias públicas, sendo um ambiente mais leve e sendo um ambiente melhor para o cumprimento da pena. Já os que não possuem estudos e empregos, acabam indignados por não poderem participar das mesmas atividades, com o tempo de empréstimo dos livros, os 5 minutos de banho e o difícil acesso da família nas instalações, porém também elogiam a estrutura ela serve. 
Não podemos deixar de mencionar os obstáculos quanto os aspectos éticos sociais, políticos e jurídicos. Observa-se que a privatização tem como um dos pontos positivos o fato da preservação da dignidade humana, porém, para que isso ocorra, deve-se assegurar que não tenha da iniciativa privada busca de lucro e isso se torne uma exploração, mas que seja para a valorização do profissional encarcerado, e o trabalho seja regido conforme a CLT. Para o jurídico, as restrições se encontram na legislação brasileira, a lei proíbe que o sistema carcerário seja administrado por empresas privadas, o Estado é o único poder jurisdicional e o único executor das sanções, sendo assim, não está autorizado a transferir o poder para o privado, encontramos esta restrição no art. 24 da CF/88, onde indica que a competência da administração penitenciária é da União, Estado ou Distrito Federal. Na visão política, privatizar indicaria demonstrar que o governo é falho quanto ao sistema penitenciário. 
Para Fernando Capez, a melhor solução para a melhora de condição da vida dos detentos é a privatização: “[....] Ou privatizamos os presídios; aumentamos o número de presídios; melhoramos as condições de vida e da readaptação social do preso sem necessidade do investimento do Estado, ou vamos continuar assistindo essas cenas que envergonham nossa nação perante o mundo. Portanto, a privatização não é a questão de escolha, mas uma necessidade indiscutível é um fato”. (CAPEZ, 2009)
A privatização vai muito além, seu principal objetivo é romper com a crise que o sistema prisional encontra, a falta de dignidade dentro de um presídio faz com que a reabilitação do encarcerado seja prejudicada, visto que, a situação que ele irá encontrar fora do cárcere exigirá que ele tenha sido reeducado com trabalho, estudos, e além de tudo, que tenha saúde para poder reingressar nas atividades laborais, e não ter uma reincidência ao crime, tudo que o atual sistema não pode oferecer. 
 FONTE: 
http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2017/01/prendemos-muito-e-prendemos-mal-o-problema-das-prisoes-no-brasil.html
http://www.ambito-juridico.com.br/site/?artigo_id=9822&n_link=revista_artigos_leitura
http://www.gpappp.com.br/index.php/br/
http://gvpesquisa.fgv.br/sites/gvpesquisa.fgv.br/files/conexao-local/o_primeiro_complexo_penitenciario_de_parceria_publico-privada_do_brasil.pdf
http://www.dicionarioinformal.com.br/sinonimos/ressocializa%C3%A7%C3%A3o/