PRATICA V   AULA 5, CASO CONCRETO 04  HABEAS CORPUS
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PRATICA V AULA 5, CASO CONCRETO 04 HABEAS CORPUS


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Universidade Estácio de Sá
Curso de Direito-Prática Simulada V 
Aluna: Karin L. Seibert - Matrícula: 201608078451
Caso Concreto 5
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO- RJ
Advogado, brasileiro, estado civil, inscrito na OAB Nº xxx,, com CPF: xxx.xxx.xxx-xx, com endereço profissional na rua xxx, bairro xxx, Rio de Janeiro- RJ CEP:XXXX, vem impetrar 
HABEAS CORPUS
Em razão do ato praticado pelo Exmº Senhor Doutor Juiz de Direito da 10ª Vara de Família da Comarca da Capital, pelos fatos e fundamentos a seguir aduzidos.
I-DOS FATOS
A paciente Matilde, é domiciliada na rua xxx, bairro xxx, na cidade do Rio de Janeiro-RJ, e está sendo executada por seus filhos Jane e Gilson Pires, menores, com treze e seis anos, respectivamente, representados por seu pai, Gildo, pelo rito do Artigo 911 do CPC. Na execução de alimentos, que tramita perante o juízo da 10ª Vara de Família da Capital, a paciente foi citada para pagar a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), referente aos últimos cinco meses inadimplentes dos alimentos fixados por sentença pelo juízo da mesma Vara de Família. Ocorre que a paciente está desempregada há 1 ano, fruto da grave situação econômica em que passa o país, com isso não está conseguindo se inserir novamente no mercado de trabaho nem tampouco possui condições financeiras para quitar a dívida alimentar. Diante da real impossibilidade da executa em adimplir a sua dívida, o magistrado decretou a prisão da mesma, pelo prazo de sessenta dias.
II-DOS FUNDAMENTOS
A prisão civil por alimentos teve seu cerne na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, sendo absorvida pela legislação brasileira pelo Decreto Legislativo 27, de 25/09/1992. O pacto de San José da Costa Rica, que em seu artigo 7º, vedou a prisão civil do depositário infiel, somente permitindo-a na hipótese de dívida alimentar. Cabimento do habeas corpus para garantir o direito de locomoção, nos termos do artigo LXVIII da Lei Maior, ato ilegal/abusivo praticado por autoridade, direito líquido e certo, afirma que será concedido \u201chabeas corpus\u201d sempre que alguém sofreu ou se acha ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Resta evidenciado que a paciente encontra-se desempregada, assim, não deixou de pagar por negligência, e sim por absoluta impossibilidade, o artigo 5º, LXVII, da CRFB/88 estabelece como requisito para o decreto de prisão o INADIMPLEMENTO VOLUNTÁRIO E INESCUSÁVEL da obrigação alimentícia, assim como o artigo 528, § 2º do CPC, o que não acontece no presente caso, pois o paciente não vem adimplindo com a prestação alimentícia diante do desemprego que a atingiu, pois sempre cumpriu com suas obrigações maternas, até então. A execução da prestação alimentícia com a utilização do instrumento coercitivo da ameaça de prisão civil somente é possível nas hipóteses em que o débito executado compreenda o inadimplemento dos três meses anteriores ao ajuizamento da ação. Assim, será impossível obter-se o decreto prisional por dívida referente a prestação alimentícia prevista há mais de três meses. Entende-se que não justifica a excepcionalidade da supressão da liberdade do executado quando se refira a execução a débitos vencidos a mais de quatro meses, pois o credor já não precisa urgentemente de tal valor para prover a sua subsistência, visto que decorrido prazo razoável. E, portanto, a execução por quantia certa contra devedor solvente será procedimento eficaz para a obtenção da satisfação do crédito.
Não obstante, o STJ editou a Súmula 309 que afirma: \u201cO débito alimentar que autoriza prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores à citação e as que vencerem no curso do processo\u201d. 
 
III- DOS PEDIDOS
Pelo exposto vem requerer:
1- Seja deferida a liminar para determinar ao Juízo o recolhimento, independentemente de cumprimento, do mandado de prisão já expedido, ou, caso já cumprido o mandado, seja determinada a imediata colocação em liberdade da paciente;
2- A notificação da Autoridade coatora, o Exmº Senhor Doutor Juiz da 10ªVara de Família da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro-RJ;
3- Seja concedida a ordem de HABEAS CORPUS e expedição imediata do salvo conduto para a paciente Matilde, conforme art. 670, par. 4º do Código Processo Penal);
Nestes Termos
Pede e espera suspensão da ordem de prisão.
LOCAL, DATA.
ASSINATURA ADVOGADO
OAB/RJ