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o papel da contabilidade aplicada ao setor publico

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fazer várias análises da situação patrimonial da entidade através desse 
demonstrativo (MCASP, 2014). O Anexo 14 da Lei 4.320/64, alterado pela Portaria nº 
749/2009, da Secretaria do Tesouro Nacional é que discrimina a sua estrutura (QUINTANA 
et. al, 2011). 
Segundo Kohama (2014), o Balanço Patrimonial é o quadro de contabilidade com 
duas seções, “ativo” e “passivo”, nas quais se distribuem os elementos do “patrimônio 
público”, igualando-se as duas somas com a conta “patrimônio líquido”, especificamente com 
a conta Resultados Acumulados, que pode ser “superávit” ou “déficit”, que representariam 
aumento patrimonial ou diminuição patrimonial, respectivamente. 
Depreende-se que o Balanço Patrimonial, como o próprio nome já diz, demonstra 
informações de natureza patrimonial da entidade, agrupadas em três grandes classes: Ativo, 
Passivo e Patrimônio Líquido, que são classificadas, segundo critérios de conversibilidade e 
exigibilidade, em circulante e não circulante. 
 
2.2.4 Demonstração das Variações Patrimoniais 
 
De acordo com a NBC T 16.6, a Demonstração das Variações Patrimoniais demonstra 
as variações quantitativas, qualitativas e o resultado patrimonial decorrentes da execução 
orçamentária. As variações quantitativas são aquelas que aumentam ou diminuem o 
patrimônio da entidade e as qualitativas não alteram o patrimônio líquido, apenas modificam a 
composição dos elementos patrimoniais. Pelo confronto das variações quantitativas 
aumentativas e diminutivas é que se apura o resultado patrimonial do período. 
Conforme Silva (2014), o resultado patrimonial de uma entidade é o seu indicador de 
gestão e, também, objeto de análise do anexo de metas fiscais integrante da Lei de Diretrizes 
Orçamentárias, tendo em vista sua influência na evolução do patrimônio líquido de um 
período. 
A Demonstração das Variações Patrimoniais (DVP) assemelha-se a Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE) do setor privado que é utilizada para medir o desempenho da 
entidade em termos de lucro ou prejuízo. No setor público, a DVP serve como base para 
verificar o quanto o serviço público ofertado influenciou quantitativamente nos elementos 
patrimoniais da entidade e permite, também, a análise do desempenho das entidades públicas 
(MCASP, 2014). 
A Demonstração das Variações Patrimoniais Quantitativas é um quadro de 
contabilidade com duas seções, “Variações Patrimoniais Diminutivas” e “Variações 
Patrimoniais Aumentativas”, para a sua organização utiliza-se das informações registradas nas 
contas da classe 3 – Variações Patrimoniais Diminutivas e nas contas da classe 4 – Variações 
Patrimoniais Aumentativas, que são escrituradas com a finalidade de controlar e consolidar os 
elementos que alteraram o patrimônio durante o exercício, identificado por contas que, por si 
só́, refletem o tipo de variação ocorrida e onde o Resultado Patrimonial do exercício é obtido 
 
 
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através da diferença entre a soma das Variações Patrimoniais Aumentativas e a soma das 
Variações Patrimoniais Diminutivas (KOHAMA, 2014). 
Entende-se que a Demonstração das Variações Patrimoniais evidencia todas as 
variações de uma entidade decorrentes da execução de seu orçamento, independentemente 
delas afetarem ou não o seu patrimônio líquido. Também, demonstra o resultado patrimonial 
do exercício que é apurado pelo confronto entre as variações aumentativas e as diminutivas. 
 
2.2.5 Demonstração dos Fluxos de Caixa 
 
Consoante a NBC T 16.6, a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) possibilita a 
projeção dos fluxos de caixa futuros e a análise de eventuais alterações em torno da 
capacidade de manutenção do financiamento dos serviços públicos. 
Quintana et. al (2011) descreve que a DFC é elaborada utilizando-se o método direto 
ou o método indireto e deve representar as movimentações que ocorreram nos caixas e 
equivalentes de caixa nos fluxos das operações, dos investimentos e dos financiamentos da 
entidade. 
Segundo Silva (2014), no fluxo de caixa das operações estão demonstrados os 
ingressos, inclusive os de receitas originárias e derivadas, os desembolsos relacionados com a 
atividade pública e os demais fluxos que não se enquadrem como investimento ou 
financiamento. No fluxo de caixa dos investimentos estão os recursos relativos à aquisição e à 
alienação de ativo não circulante, recebimentos em dinheiro por liquidação de adiantamentos 
ou amortização de empréstimos concedidos e outras operações similares. E, no fluxo de caixa 
dos financiamentos incluem-se os recursos relacionados à captação e amortização de 
empréstimos e financiamentos. 
As fontes de geração dos fluxos de entrada de caixa, os itens de consumo de caixa 
durante o período das demonstrações contábeis e o saldo do caixa na data das demonstrações 
contábeis poderão ser identificados através da Demonstração dos Fluxos de Caixa, conforme 
o MCASP (2014). 
Reconhece-se que a Demonstração dos Fluxos de Caixa é um instrumento voltado para 
a evidenciação das movimentações financeiras dos caixas e equivalentes de caixa da entidade, 
segregado em três fluxos: operações, investimento e financiamento. Ele possibilita, da mesma 
forma, que sejam feitas projeções futuras de caixa. 
 
2.2.6 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
 
De acordo com o MCASP (2014), a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL) evidenciará a evolução do patrimônio líquido da entidade, apresentando os 
ajustes de exercícios anteriores, as transações de capital com os sócios, o superávit ou déficit 
patrimonial, destinação do resultado e outras manutenções do patrimônio líquido. 
Apenas as empresas estatais dependentes e os entes que as incorporarem na 
consolidação das contas é que devem elaborá-la (NBC T 16.6, 2008). 
Silva (2014) aponta que o aumento ou diminuição da riqueza de uma entidade é 
demonstrado através das alterações em seu patrimônio líquido. A DMPL contemplará: 
Patrimônio Social/Capital Social; Reservas de Capital; Ajustes de Avaliação Patrimonial; 
Reservas de Lucros; Ações/Cotas em Tesouraria; e Resultados Acumulados. 
Constata-se que essa demonstração não é obrigatória para todos os entes 
governamentais, somente para as empresas estatais dependentes e os entes que as incorporam 
na consolidação de contas. Ela demonstra a evolução do patrimônio líquido da entidade no 
período, evidenciando os ajustes, as movimentações, se houve superávit ou déficit e a 
destinação do resultado. 
 
 
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2.3 Anexos da Lei de Responsabilidade Fiscal 
 
Consoante a Lei Complementar 101/2000, em seu art. 48, o Relatório Resumido da 
Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal são instrumentos de transparência da 
gestão fiscal e que devem ser amplamente divulgados, inclusive em meios eletrônicos. 
 
2.3.1 Relatório Resumido da Execução Orçamentária 
 
O art. 52, da Lei Complementar 101/2000, define que o Relatório Resumido da 
Execução Orçamentária (RREO) abrange todos os poderes e o Ministério Público, deve ser 
publicado até trinta dias após o encerramento de cada bimestre e é composto de: 
• balanço orçamentário que especificará, por categoria econômica, as receitas por fontes 
e as despesas por grupo de natureza; 
• demonstrativos da execução das receitas por categoria econômica e fonte, das despesas 
por categoria econômica e grupo de natureza da despesa e, das despesas por função e 
subfunção. 
 
Conforme o art. 53, também da Lei de Responsabilidade Fiscal, os seguintes 
demonstrativos acompanharão o Relatório Resumido: 
• apuração da receita corrente líquida; 
• receitas e despesas previdenciárias; 
• resultados nominal e primário; 
• despesas com juros; 
• Restos a Pagar, detalhados por Poder e órgão. 
 
Integrarão o relatório do último bimestre de cada exercício os demonstrativos: 
• do atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição,