Funções mentais superiores
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Funções mentais superiores


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As funções mentais superiores
José Osmir Fiorelli/Marcos Julio Olivé Malhadas Junior/Maria Rosa Fiorelli
Autor: José Osmir Fiorelli/Marcos Julio Olivé Malhadas Junior/Maria Rosa Fiorelli
Páginas: 106-137
Id. vLex: VLEX-579189698
Link: http://vlex.com/vid/as-funcoes-mentais-superiores-579189698
Texto
Contenidos
4.1. Sensação.
4.2. Percepção.
4.2.1. Fatores que afetam a percepção.
4.2.2. Fenômenos da percepção.
4.2.3. Como o cérebro trata a percepção.
4.2.4. Percepção subliminar.
4.2.5. Percepção e comportamento.
4.3. Atenção.
4.4. Memória.
4.5. Linguagem e pensamento.
4.5.1. Linguagem.
4.5.2. Pensamento.
4.5.3. Pensamento e geração de opções.
4.6. Emoção.
4.6.1. A emoção e as funções mentais superiores.
4.6.2. Emoção e motivação.
4.6.3. Manifestações de emoção.
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Este capítulo tem por objetivo proporcionar ao leitor uma visão ampla e sistêmica das funções
mentais superiores, por meio das quais se realizam as principais atividades mentais, cujo
conhecimento interessa para a compreensão do comportamento humano.
Por intermédio das funções mentais superiores os indivíduos desenvolvem imagens mentais de
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si mesmos e do mundo que os rodeia, interpretam os estímulos que recebem, elaboram a
realidade psíquica e emitem comportamentos.
As principais funções mentais superiores são: atenção, sensação, percepção, memória,
pensamento, linguagem, emoção e orientação. A orientação não será abor-dada neste texto,
porque as observações a respeito dela têm cunho preponderantemente fisiológico.
O leitor observará que se dá particular atenção à percepção, porque por meio dela o indivíduo
interpreta os estímulos provenientes do ambiente que o cerca. Deve-se, entretanto, destacar que
a emoção constitui uma função mental superior que sempre influencia as demais, a ponto de ser
determinante no modo de interpretar os estímulos e reagir a eles, conforme se verá adiante.
4.1. Sensação
Segundo Braghirolli et al. (1998, p. 73), \u201cas informações relativas aos fenômenos do meio
externo e ao estado do organismo são processadas em dois níveis: os níveis da sensação e da
percepção\u201d. Sem esse mecanismo, o cérebro se perderia em um oceano de informações, em
parte contraditórias (por exemplo, o indivíduo pode sentir fome enquanto digita um documento:
ele continua o trabalho ou procura alimento?).
\u201cSensação\u201d e \u201cpercepção\u201d constituem um processo contínuo, desde a recepção do estímulo até
a interpretação da informação pelo cérebro, valendo-se de conteúdos nele armazenados (figura
4.1).
Figura 4.1. Da sensação à percepção \u2014 um processo contínuo
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\u201cOs processos de sensação e percepção são normalmente difíceis de separar\u201d, explica Weiten
(op. cit., p. 93), \u201cporque as pessoas automaticamente começam a organizar a recepção de
estimulação sensorial no momento em que ela chega\u201d. Efetivamente, todos os fenômenos
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mentais superiores encontram-se interligados e ocorrem simultaneamente. Não há percepção
sem atenção e memória para recuperar informações anteriores e compará-las com as novas. A
comparação requer um pensamento que a realize; este depende de uma linguagem. A emoção
determina a natureza das interpretações e assim por diante.
Por razões didáticas, estudam-se as funções mentais superiores separadamente, como se cada
uma delas pudesse se constituir em entidade única, da mesma maneira que se faz no estudo da
fisiologia.
Sensação é a operação responsável pela comunicação entre o mundo interno do indivíduo e o
mundo externo, por meio dos órgãos dos sentidos. Sem ela, nenhuma atividade (física ou
mental) seria possível. Essa comunicação pode ser prejudicada por fatores físicos (traumas,
sequelas, patologias) e emocionais (o indivíduo dominado por uma intensa raiva concentra
todas as energias e sentidos em um único alvo: o oponente).
Por intermédio da sensação as informações relativas a fenômenos do mundo exterior ou ao
estado do organismo chegam ao cérebro e constituem a \u201cmatéria-prima\u201d a partir da qual será
construída a compreensão do meio ambiente e do próprio corpo. Duas conclusões são óbvias:
a. O sucesso de qualquer comunicação depende de como o indivíduo toma contato com ela.
Em primeiro lugar, a comunicação deve atuar sobre os mecanismos da sensação. Daí a
vantagem de se combinar, por exemplo, estímulos verbais com a comunicação por escrito,
para aumentar a possibilidade de contato. Há pessoas que \u201cnão ouvem\u201d, mas conseguem
ler com eficácia; outras necessitam ouvir porque possuem dificuldade para a leitura; há
aquelas que necessitam da presença da outra parte para estabelecer a comunicação.
b. Não haverá comunicação sem a formação, em um primeiro momento, de imagem mental
correspondente à sensação (a interpretação dessa imagem mental, em seguida, constitui a
percepção). O conteúdo não garante que a comunicação aconteça. Na maior parte das
situações, a forma possui tanta importância quanto o conteúdo. Isso se aplica às
empresas, famílias, sociedades etc. e explica porque a simples visão de um desafeto
desencadeia inúmeras e poderosas emoções: antes que ele fale, por exemplo, o cérebro
já ativou a memória e o ódio aflora; da mesma maneira, a figura da pessoa amada
desencadeia emoções positivas.
Lucinha e Norival compareceram à audiência em que se buscou a reconciliação do casal.
Entraram sem se olhar. Durante o encontro, permaneceram de cabeça baixa ou olhando para os
respectivos advogados; ficou bastante claro que, bastava a um dos cônjuges ver o outro, para
que isso lhe despertasse fortíssimos sentimentos, capazes de impedir qualquer pensamento
construtivo. Dessa maneira, ficou evidente a presença de um obstáculo intransponível à
celebração de acordos mutuamente vantajosos. A imagem do outro ocupava todo o pensamento
de cada um deles de modo tão negativo que não sobrava espaço para uma reflexão.
c) Sensações são processos ativos, assinala Luria, em que o indivíduo participa.
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A simples produção de estímulos pode revelar-se insuficiente à geração da sensação, caso o
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indivíduo não corresponda ativamente. Não basta ao advogado promover um encontro entre as
partes, se uma ou ambas não se empenham na busca de uma solução. Fenômenos de natureza
psicológica estão por trás de posturas aparentemente sem lógica, do tipo atrasar-se, não prestar
atenção, delegar a decisão ao advogado ou a um outro preposto, agredir desnecessariamente,
ignorar os argumentos do outro lado etc.
O leitor encontra um estudo detalhado da sensação em Fiorelli (2004). As seguintes
características da sensação têm interesse direto para o profissional de Direito, porque estão
sempre presentes nas mais diversas situações:
\u2022 Algumas pessoas possuem extraordinária capacidade de experimentar sensações decorrentes
de mínimas transformações fisiológicas em seus interlocutores. Tem-se a impressão de que elas
\u201cadivinham emoções\u201d, detectando, por exemplo, que seu interlocutor está mentindo ou irá fazê-
lo. Em geral, mal tomam conhecimento dessa habilidade. O contato frequente com os mais
variados tipos de pessoas contribui para desenvolver e aperfeiçoar essa capacidade,
reconhecida em delegados de polícia, investigadores, juízes e advogados experientes.
\u2022 No calor do conflito, em que fortes emoções encontram-se presentes, os participantes tendem
a se tornar mais sensíveis a estímulos como luz, calor, ruído, movimentos dos opositores etc. De
modo similar, pode ocorrer redução seletiva da sensibilidade, dependendo de como um estímulo
confirme ou não determinado sentimento (uma forma de o psiquismo proteger-se contra algo que
o agride profundamente).