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títulos de crédito   teoria geral

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um livro próprio as decisões 
sociais, sob pena de desconsideração da personalidade 
jurídica. O capítulo décimo elenca as disposições gerais. 
Novidade no Direito Societário Brasileiro viria com a 
constituição da empresa individual de responsabilidade limitada, com o 
destacamento de parcela do patrimônio do sócio único, como apontava o 
abortado art. 44: 
O sócio único, ao constituir a empresa individual, destacará 
de seu patrimônio bens para a formação do capital social, 
destinando-os à consecução do objeto social. § 2º. 
Integralizado o capital social, somente responderá o 
patrimônio da empresa individual pelas obrigações e dívidas 
sociais. 
Esclareça-se que jamais ocorreu, com a chegada do Código 
Civil de 2002, a unificação do Direito Privado. Equivoca-se quem pensa 
assim. Ocorreu apenas a unificação das obrigações e foi incluído parte do 
conteúdo mercantil no mencionado diploma legal. É por isso que 
criticamos o Código Civil, porque bastaria unificar as obrigações, sem, 
contudo, avançar para incluir matéria empresarial. 
No que tange especificamente à teoria geral dos títulos de 
crédito, a sua inclusão no Código Civil também não foi acertada. O mundo 
globalizado e o surgimento da informática vêm exigindo novas relações 
jurídicas e a partir delas novos conceitos e princípios são e serão formados 
e consolidados nos próximos anos, nesta primeira parte do novo século e 
milênio, com transações on line. 
Porém, nem tudo merece críticas! O ponto principal de 
destaque e elogio é o conceito de título de crédito adotado pelo Código 
Civil, no art. 887, após 152 anos de indefinição no Direito Cambiário 
Brasileiro (Código Comercial Brasileiro – Lei 556, de 25/06/1850). 
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A Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil : perfeita conceituação de título de 
crédito : conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
Com precisão técnica, o Código Civil, no art. 887, adotou o 
conceito de Cesare Vivante, ao afirmar que: “O título de crédito, 
documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele 
contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.” 
É óbvio que os estudiosos da Ciência Jurídica são contrários às 
definições e conceituações. Todavia, didaticamente, a conceituação de 
título de crédito, no art. 887, apresenta-se importante, do ponto de vista 
científico-didático, porquanto o instituto foi estudado no Brasil há 152 
anos, sem conceituação legal. 
A natureza jurídica do instituto, firmada através dos atributos 
clássicos, foi a responsável pela conceituação. Assim, embora repudiando 
as definições legais, somos obrigados a reconhecer que a conceituação de 
título de crédito, lançada no art. 887 do CC, apresenta-se cientificamente 
perfeita, o que é raro. A definição, no entanto, é formulada à luz das 
características, contemplando, sem exceção, os princípios norteadores, o 
que está a merecer aplausos. 
Feliz conceituação adotada pelo legislador, posto que 
presentes, sem exceção, todas as três principais características dos títulos 
de crédito, as quais distinguem esse documento de qualquer outro. 
Os atributos clássicos da cartularidade ou incorporação, 
autonomia das obrigações cambiárias e a literalidade estão 
mantidos no conceito de título de crédito. Tais princípios são 
responsáveis pela estrutura do instituto e foram fielmente adotados. 
2. Da Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil 
Como dito acima, no Brasil, a Teoria Geral dos Títulos de 
Crédito somente agora é inserida, verdadeiramente, em um código, no 
Código Civil. 
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A Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil : perfeita conceituação de título de 
crédito : conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
Portugal, nossa pátria-mãe, fez aportar no Brasil as idéias do 
Direito Europeu, principalmente sob a influência do Código Napoleônico, 
de 1807, trazendo-nos os títulos de crédito, cuja origem remonta à Idade 
Media, na Itália. 
No Brasil, de lá para cá, o Direito Cambiário deu os primeiros 
passos graças à legislação do Reino, o que possibilitou, mais tarde, em 
1850, no segundo período do Império, a chegada do Código Comercial. 
A história do Direito Cambiário Brasileiro tem origem no 
Código Comercial Imperial, de 1850, nos artigos 354 a 427, no Título XVI 
- Das Letras, Notas Promissórias e Créditos Mercantis. A parte primeira, 
que cuidava dos títulos, foi expressamente revogada pelo Decreto n° 
2044, de 31/12/1908. 
Posteriormente, o Brasil, em 1930, aprovou a Lei Uniforme 
sobre Letras de Câmbio e Notas Promissórias. Porém, somente em 1966 o 
Brasil ratificou o referido tratado internacional, incorporando ao seu 
ordenamento jurídico a Lei Uniforme de Genebra sobre Letras de Câmbio 
e Notas Promissórias. A partir de janeiro daquele ano é que passamos a 
ter legislação internacional uniformizadora. 
O Código Comercial, a Lei Cambiária e a Lei Uniforme de 
Genebra foram os diplomas responsáveis pela criação da Teoria Geral dos 
Títulos de Crédito, no Brasil. 
Interessante registrar que a teoria geral foi criada sob a 
inspiração da letra de câmbio, porque, além de ser cambial por 
excelência, foi e continua sendo o título de maior complexidade e 
expressão internacional. 
O Direito Cambiário, hoje, no Brasil, está distribuído em 
legislação esparsa, sendo certo que cada título possui sua lei de regência. 
Os títulos apresentam características e requisitos de validade específicos; 
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A Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil : perfeita conceituação de título de 
crédito : conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
daí a necessidade de consultar a legislação extravagante para a correta 
identificação de sua natureza jurídica. 
O Título VIII, do Livro I, da Parte Especial do Código 
Civil/2002, inserido no Direito das Obrigações, obedecendo o critério de 
unificação das obrigações, passou a regular o instituto dos Títulos de 
Crédito, isto é, a Teoria Geral dos Títulos de Crédito. 
A Teoria Geral dos Títulos de Crédito, no Código Civil, são 
preceitos amplos, aplicáveis subsidiariamente, porquanto os títulos, dadas 
as suas características peculiares, variáveis conforme a sua natureza 
jurídica, possuem legislação especial, como afirmou Fiúza: 
As normas relativas aos títulos de crédito constantes do 
novo Código Civil são regras gerais que estabelecem a 
disciplina da matéria, não revogando as diversas leis e 
convenções internacionais adotadas pelo Brasil que regulam 
esse assunto. A legislação brasileira anterior ao Código Civil 
de 2002 sobre títulos de crédito é específica para cada tipo 
de título. O novo Código Civil, nesta parte, também é 
inovador por conter normas gerais que definem os títulos de 
crédito e enunciam suas características básicas.2 
Aqui o Código Civil merece críticas. Ora, evidentemente, se o 
legislador fez inserir a Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil é 
porque a finalidade era emprestar normas gerais ao instituto, servindo de 
base ao seu estudo. 
Sucede que, no caso particular dos Títulos de Crédito, se, 
reconhecidamente, a matéria é especializada e que cada título tem 
natureza específica, com requisitos próprios e legislação especial, por 
óbvio que restará inaplicável ou pouco aplicável a Teoria Geral dos Títulos 
de Crédito, salvo a sua utilização subsidiária. 
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Forçoso é concluir que o legislador cochilou ao lançar a 
matéria no Código Civil. A letra da lei é natimorta, porque somente na 
omissão de lei especial é que o intérprete de utilizará da Teoria Geral, 
 
2 FIÚZA, Ricardo. Novo Código Civil Brasileiro.