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títulos de crédito   teoria geral

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A Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil : perfeita conceituação de título de 
crédito : conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
como aponta o Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-
se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. 
3. O Perfeito Conceito de Título de Crédito – Artigo 887 do 
Código Civil 
O art. 887 do Código Civil definiu O título de crédito, 
documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele 
contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. 
Reputamos tal conceito como de grande importância para o 
estudo do Direito Cambiário Brasileiro. O art. 887 é feliz na conceituação, 
porquanto conseguiu reunir, sem exceção, todos os atributos clássicos dos 
títulos de crédito, o que garantiu excelência na definição do instituto. 
Infere-se que no art. 887 estão presentes todas as 
características essenciais ou atributos clássicos dos títulos de crédito. Os 
traços especiais distinguem os títulos de crédito de todos e quaisquer 
outros títulos ou papéis, residindo no próprio conceito a natureza jurídica 
do instituto. 
São atributos clássicos e, portanto, comuns a todos e 
quaisquer títulos de crédito: cartularidade ou incorporação, literalidade, 
autonomia das obrigações cambiárias, formalismo e legalidade. 
Tais atributos ou características estão presentes em todos os 
títulos de crédito, independentemente de sua classificação. 
Os atributos da incorporação, literalidade e autonomia são 
reconhecidamente clássicos por toda a doutrina comercialista, no Brasil e 
no exterior. 
O art. 887 reuniu as referidas características quando afirma 
que título de crédito é documento necessário ao exercício do direito. Aqui 
indica o atributo da cartularidade ou incorporação, isto é, o direito de 
crédito incorpora-se no documento, na cártula; não há direito de crédito, 
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A Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil : perfeita conceituação de título de 
crédito : conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
em sede de Direito Cambiário, se o crédito não estiver materializado ou 
incorporado no documento - que é o próprio título ou cártula. 
Com o título, o credor poderá exercer o seu direito de crédito, 
daí por que o legislador indicou o exercício do direito literal. Aqui reside o 
atributo da literalidade, ou seja, vale tudo aquilo que estiver lançado ou 
grafado no título; é a exata dimensão da obrigação cartular através do 
conteúdo indicado no título; nem mais e nem menos, mas exatamente 
aquilo que estiver lançado no corpo do título de crédito, o que garante a 
validade do título mesmo se posteriormente completado ou preenchido 
pelo portador, como previsto e autorizado pela Lei Cambiária Nacional e 
Lei Uniforme de Genebra. 
O direito contido no título é autônomo. Por isso é que o 
preceito legal dispõe que o crédito nele, título, contido é autônomo. Tal 
previsão garantiu a plena autonomia da obrigação cambiária, isto é3, os 
participantes da cadeia cambiária não podem se opor ao pagamento da 
obrigação ao credor, alegando direito pessoal ou exceções pessoais ao 
portador do título ou a outro coobrigado, salvo a ocorrência de má-fé, 
vício de forma da cártula ou, ainda, prescrição da ação cambiária;4 é a 
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3 Lei Cambiária Nacional – Decreto 2.044, de 31.12.1908: 
Art. 3º. Esses requisitos são considerados lançados ao tempo da emissão da letra. A 
prova em contrário será admitida no caso de má-fé do portador. 
Art. 4º. Presume-se mandato ao portador para inserir a data e o lugar do saque, na letra 
que não os contiver. 
Art. 39. O possuidor é considerado legítimo proprietário da letra ao portador e da letra 
endossada em branco. 
Lei Uniforme de Genebra – Decreto 57.663, de 24.01.1966: 
Art. 10 – Se uma letra incompleta no momento de ser passada tiver sido completada 
contrariamente aos acordos realizados, não pode a inobservância desses acordos ser 
motivo de oposição ao portador, salvo se este tiver adquirido a letra de má-fé ou, 
adquirindo-a, tenha cometido uma falta grave. 
4 Lei Cambiária Nacional – Decreto 2.044, de 31.12.1908: 
Art. 2º Não será letra de câmbio o escrito a que faltar qualquer dos requisitos acima 
enumerados. 
Art. 3º Esses requisitos são considerados lançados ao temo da emissão da letra. A prova 
em contrário será admitida no caso de má-fé do portador. 
Art.52. A ação cambial, contra o sacador, aceitante e respectivos avalistas, prescreve em 
5 (cinco) anos. 
Art. 54, § 4º Não será nota promissória o escrito ao qual faltar qualquer dos requisitos 
acima enumerados. Os requisitos essenciais são considerados lançados ao tempo da 
 
 
A Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil : perfeita conceituação de título de 
crédito : conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
consagração aos princípios da vinculação e solidariedade e da 
inoponibilidade das exceções pessoais. 
Com efeito, o título somente produz efeito quando preencha os 
requisitos da lei. Aqui o legislador, em boa hora, reforçou os atributos do 
formalismo e legalidade ou tipicidade. 
O primeiro - formalismo, o título para surtir efeito como tal, 
obrigatoriamente, deve preencher os requisitos de validade, requisitos 
esses previstos na lei de regência de cada título, os quais emprestam 
natureza jurídica à cártula; a ausência dos requisitos implica 
descaracterização da qualidade de título de crédito, passando o 
documento a ser qualquer outro papel, menos título de crédito. 
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emissão da nota promissória. No caso de má-fé do portador, será admitida prova em 
contrário. 
Lei Uniforme de Genebra – Decreto 57.663, de 24.01.1966: 
Art. 2º - O escrito a que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior não 
produzirá efeito como letra, salvo nos casos determinados nas alíneas seguintes: 
A letra em que se não indique a época do pagamento entende-se pagável à vista. 
Na falta de indicação especial, o lugar designado ao lado do nome do sacado considera-
se como sendo o lugar do pagamento, e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do 
sacado. 
A letra sem indicação do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o sido no lugar 
designado, ao lado do nome do sacador. 
Art. 70 – Todas as ações contra o aceitante relativas a letras prescrevem em 3 (três) 
anos a contar do seu vencimento. 
As ações ao portador contra os endossantes e contra o sacador prescrevem num ano, a 
contar da data do protesto feito em tempo útil, ou da data do vencimento, se se trata de 
letra que contenha cláusula “sem despesas”. 
As ações dos endossantes uns contra os outros e contra o sacador prescrevem em 6 
(seis) meses a contar do dia em que o endossante pagou a letra ou em que ele próprio 
foi acionado. 
Art. 71 – A interrupção da prescrição só produz efeito em relação à pessoa para quem a 
interrupção foi feita. 
Art. 76 – O título em que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior não 
produzirá efeito como nota promissória, salvo nos casos determinados das alíneas 
seguintes: 
A nota promissória em que se não indique a época do pagamento será considerada à 
vista. 
Na falta de indicação especial, o lugar onde o título foi passado considera-se como sendo 
o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do subscritor da nota 
promissória. 
A nota promissória que não contenha indicação do lugar onde foi passada considera-se 
como tendo-o sido no lugar designado ao lado do nome do subscritor. 
 
 
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crédito