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títulos de crédito   teoria geral

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: conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
Já o segundo – legalidade ou tipicidade - diz respeito ao 
surgimento e à criação, não material, mas jurídica/legislativa dos títulos 
de crédito; os títulos são emitidos por vontade das partes, porém, a rigor, 
a criação decorre de lei; os títulos de crédito são criados por lei e assim os 
requisitos de validade, essenciais ou não, estão previstos na lei de 
regência; a ausência dos requisitos essenciais, ao tempo da cobrança, 
permite ao devedor opor-se ao pagamento, por vício de forma, salvo se 
houver oportuno preenchimento. 
Outros atributos dos títulos de crédito, a exemplo da abstração 
e da independência, não são aplicáveis a todos os títulos, por conta da 
respectiva natureza jurídica da cártula. 
O atributo da abstração diz respeito a origem da cártula - faz 
surgir títulos causais e acausais, conforme a sua vinculação ou não à 
causa de dever, ao negócio subjacente, a relação jurídica material anterior 
à emissão do título. O atributo da abstração, no desdobramento do título 
acausal, revela-se como o grau maior da autonomia das obrigações 
cambiárias, porquanto o título é emitido sem qualquer vinculação à causa 
que lhe deu origem. 
O atributo da abstração é da essência dos títulos acausais. Por 
ele não se vincula o título à sua causa material, antecedente à criação ou 
emissão. Contudo, o atributo da abstração sofre decotamento quando se 
está diante de título causal. Nesta hipótese, investiga-se a causa material 
antecedente é o título somente poderá ser emitido e exigido se houver 
comprovada causa de dever. 
Já a independência desdobra-se em títulos dependentes e 
independentes de outro documento que lhe complete. A idéia da 
dependência reside no fato de que, para alguns títulos, exige-se prévia 
existência de outro documento que o complemente, de modo que possa 
garantir validade e eficácia à cártula. 
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A Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil : perfeita conceituação de título de 
crédito : conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
Com o atributo da independência, o título somente terá 
validade e eficácia se restar completado por outro documento. A 
independência é atributo específico e de rara aplicabilidade no Direito 
Cambiário, porquanto poucos são os títulos que dependem de outro 
documento para o seu aperfeiçoamento. 
Tendo em vista a utilização relativa ou restrita da abstração e 
da independência, o legislador deixou de incluir tais atributos no conceito 
contemplado no art. 887 do Código Civil. O legislador prestigiou somente 
os atributos clássicos, isto é, aqueles aplicáveis a todo e qualquer título de 
crédito. 
A omissão justifica-se plenamente. Sendo o art. 887 de 
comando genérico, conceitual, jamais poderia o legislador contemplar 
atributos especiais, de utilização restrita, eis que, como dito, os atributos 
da abstração e da independência não são aplicáveis a todos os títulos de 
crédito. 
O conceito previsto no art. 887, embora sem correspondência 
anterior no ordenamento jurídico nacional, em verdade, é a incorporação 
da definição dada pelo ilustre professor italiano Cesare Vivante, aliás, 
responsável por influenciar os ordenamentos jurídicos europeus, no 
campo dos títulos de crédito. 
Já o art. 888, complementando a idéia sobre o conceito de 
título de crédito, aponta que A omissão de qualquer requisito legal, que 
tire ao escrito a sua validade como título de crédito, não implica a 
invalidade do negócio jurídico que lhe deu origem. 
O conteúdo do artigo revela-se inovador. Não há registro de 
tal tratamento na legislação esparsa que cuida dos títulos de crédito. 
Assim, é certo que a inviabilidade do documento como título garante ao 
portador o direito de reaver o seu crédito na via ordinária, com ampla 
discussão acerca do negócio jurídico que deu origem a emissão do título. 
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A Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil : perfeita conceituação de título de 
crédito : conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
Como já mencionado nos articulados anteriores, quando 
cuidamos dos comentários ao art. 887, dissemos que o atributo clássico 
do formalismo exige que o título apresente requisitos essenciais e não 
essenciais de validade, de forma, como previsto na legislação de regência 
de cada um dos títulos, respeitando-se a natureza jurídica. 
Assim, cada título, não por livre vontade ou manifestação das 
partes, mas por determinação legal, obrigatoriamente, deve apresentar-se 
com os requisitos de validade, com os requisitos extrínsecos. 
A ausência dos requisitos essenciais implica descaracterização 
do documento como título de crédito, passando a cártula a ter a natureza 
de qualquer outro documento, menos letra, como afirma textualmente a 
Lei Cambiária Nacional ao tratar dos requisitos de validade da letra de 
câmbio e da nota promissória. 
A igual modo, a Lei Uniforme de Genebra, cuidando 
respectivamente da letra de câmbio e da nota promissória, também, 
expressamente, nega validade ao título em que faltar os requisitos 
essenciais.5
A Lei Uniforme de Genebra faz menção aos requisitos de 
validade essenciais, daí as exceções contempladas salvo nos casos 
determinados nas alíneas seguintes. As alíneas seguintes dizem respeito 
aos requisitos não essenciais. 
Já o art. 888 do CC/2002 definitivamente consagrou o melhor 
entendimento no sentido de que a falta de requisito de validade prejudica 
o título, retirando-lhe a característica da executividade, não sendo mais 
possível a sua cobrança, via processo de execução. A inovação contida no 
art. 888 reside no fato de que a ausência de requisitos, embora invalide o 
título de crédito, não implica invalidade do negócio jurídico que lhe deu 
origem. 
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5 Cf. nota de rodapé n. 142. 
 
 
A Teoria Geral dos Títulos de Crédito no Código Civil : perfeita conceituação de título de 
crédito : conceito construído à luz dos atributos clássicos 
 
Até a chegada do CC/2002 o assunto encontrava-se sem 
disciplinamento, posto que a previsão era específica quanto à invalidação 
da cártula, como título de crédito, porém silenciava-se no que tange ao 
negócio jurídico decorrente da relação material subjacente. 
Feliz a redação do art. 888 porque garantiu o atributo do 
formalismo. Emprestou segurança a relação jurídica entabulada entre as 
partes. Na hipótese de ausência de requisitos essenciais, de forma, de 
validade do título de crédito, nada impede que as partes resolvam a 
relação jurídica material, na via própria, através do processo de 
conhecimento, nos ritos ordinário ou sumário. 
O título que não preencher os requisitos de validade não se 
revestirá de executividade. Nesse caso, o portador do título, através do 
processo de execução, terá de provar a sua condição de credor. Esta via 
abre ao suposto devedor o direito de discutir amplamente a relação 
jurídica obrigacional, antes cambiária, agora comum. Tem-se, assim, em 
favor do suposto devedor a garantia constitucional do devido processo 
legal, com o contraditório e a ampla defesa, com os recursos dela 
decorrentes. 
4. Conclusão 
A Teoria Geral dos Títulos de Crédito inserida no Código Civil 
contempla normas de caráter geral, aplicáveis apenas supletiva e 
subsidiariamente, quando for omissa a lei de regência do título de crédito. 
Na omissão ou lacuna da lei especial, de regência do título em 
espécie, autorizado estará o intérprete a utilizar-se das normas gerais 
previstas na Teoria Geral dos Títulos de Crédito. 
Do estudo realizado, resta evidente que a única inovação e 
contribuição efetiva