A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
52 pág.
CENTRO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Pré-visualização | Página 5 de 14

o assunto, vamos entender que uma empresa se utiliza de materiais para diversos fins: como matérias-primas, materiais de escritório, materiais auxiliares de pro​dução, materiais para embalagens, materiais de higiene e limpeza etc. 
Desses, somente as matérias-primas irão compor os produtos. No caso de uma carteira escolar, temos: madeira, fórmica, parafusos, rebites, tinta, verniz, solda etc. Sabemos que no processo de fabricação serão empregadas serras, lixas, estopas etc., porém sem integrar fisicamente o produto, e neste caso, serão os materiais auxiliares de produção, também chamados de materiais indiretos. 
Dentro da cadeia produtiva, um produto fabricado por uma empresa poderá ser matéria-prima em uma outra empresa. É o caso do parafuso, em cuja produção se consomem matérias-primas, e que agora será matéria-prima na fabricação de carteiras. 
Veja outro exemplo de matéria-prima transformada em um produto que volta a ser matéria-prima em um novo produto: 
 SHAPE ���
De modo geral, o produto é aquele destinado ao consumidor, que o utilizará para consumo ou aplicação em um outro produto (neste caso, como matéria-prima). 
A matéria-prima compreende os materiais aplicados na fabricação de um produto e que fazem parte dele. Entre os materiais integrantes de um produto encontramos aqueles cuja quantidade efetivamente consumida podemos identificar nesse produto e aqueles que não podemos. Os primeiros são considerados custos diretos e os demais, indiretos, pois sua apropriação se dará por rateio. 
	Aos primeiros, ainda, dá-se o nome de material direto. Conforme Li , "O termo material direto representa a parcela dos materiais usados no processo de fabricação que é imediatamente identificável e mensurável aos produtos fabricados. Os materiais postos no processo que não atendem a estes dois critérios são geralmente tratados como material indireto, uma parte do custo indireto de fabricação. 
Sendo a matéria-prima um custo direto, além de se incorporar ao produto, há a necessidade de se reconhecer a quantidade consumida neste, quer seja medindo ou contando. Por exemplo, em um produto que utiliza cola ou tinta, embora tenha estes componentes como matéria-prima, o consumo por produto nem sempre é possível ser obtido; em razão disso. São agrupados aos custos indiretos para rateio. 
4.1.1. Perdas de matéria-prima
O custo da matéria-prima deve corresponder à quantidade consumida na fabricação do produto. Dessa forma, vamos observar que de alguns materiais são necessárias quantidades maiores que aquelas efetivamente incorporadas ao produto. É o caso do tecido para confec​cionar uma calça. Certamente ocorrem sobras (retalhos) na produção. O mesmo acontece com outros materiais, como a madeira para fazer o braço de uma carteira, chapas de aço para fazer uma peça e assim por diante. Estas perdas fazem parte do processo de fabricação, podendo-se minimizá-las, mas não evitá-las. São chamadas de perdas normais, e por isso integram o custo dos produtos.
Assim, a quantidade necessária de um material corresponde àquela disponibilizada para a produção. Nessa quantidade incluem-se as perdas normais de processos, por exemplo: se de uma chapa de aço de 300 kg se obtém uma peça de 290 kg, os 10 kg sobram naturalmente no processo. 
Caso tenha disponibilizado quantidade excedente de material à produção e a sobra decorrente possuir aproveitamento em outro produto, nesse caso não haverá o consumo e, conseqüentemente, não haverá o custo no produto. 
Suponhamos que no exemplo acima fossem disponibilizados 500 kg de matéria-prima para retirar 300 kg necessários à fabricação da peça. Os 200 kg excedentes seriam devolvidos ao estoque, e o custo do material corresponderia aos 300 kg. 
Se houver perda anormal, como no caso, por exemplo, de incêndio no almoxarifado, roubo, enchente etc., os valores correspondentes não devem ser tratados como custo de produção, e sim levados diretamente ao resultado.
4.1.2. Composição do custo da matéria-prima
Ao adquirir materiais, geralmente a empresa incorre em outros gastos que não somente o valor pago ao fornecedor. Pode o comprador ser o responsável pelo frete, seguro, armazenagens e outros gastos e, se o material for importado, pelo frete marítimo ou aéreo, despesas aduaneiras e outros gastos alfandegários. Somando todos esses gastos, temos o valor do material. 
Conforme Martins, a regra é "Todos os gastos incorridos para a colocação do ativo condições de uso (equipamentos, matérias-primas, ferramentas etc.) ou em condições de venda (mercadorias etc.) incorporam o valor desse mesmo ativo." 
Assim, o valor de um material pode ser obtido mediante a aplicação da seguinte seqüência de cálculo: 
Valor pago ao fornecedor 
(-) IPI (se houver recuperação) 
(-) ICMS (se houver recuperação)
(+) Frete (se houver) 
(+) Seguro (se houver) 
(+) Armazenagem e outros gastos (se houver)
(=) Valor do material 
Se forem materiais integrantes da política de estoques da empresa, esse resultado será ativado para posterior consumo. 
Se o material for adquirido para aplicação específica em um produto, será este o valor matéria-prima a ser apropriado ao produto. 
4.1.2.1 O IPI e o ICMS incidentes nas compras
Os impostos IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) incidentes na aquisição dos materiais merecem atenção especial.
São impostos “pagos” somente uma vez pelo consumidor final. Em termos gerais funciona assim: uma empresa vende seus produtos e cobra do cliente esses impostos. Recolhe-os para o governo, não constituindo dessa forma, receita sua. O cliente utiliza esse material para fabricar seu produto, que por sua vez será vendido. Ao vender o produto, irá cobrar novamente esses impostos. Se recolher os valores recebidos, o governo irá receber os impostos duas vezes. No entanto, não há incidência em cascata desses impostos, sendo eles compensados pelo consumidor seguinte até atingir o alvo final, que não terá como repassa-lo e, consequentemente, compensá-lo.
	Exemplificando: suponhamos que a matéria-prima V seja transformada no produto X pelo fabricante Alfa. Esse produto X volta a ser matéria-prima no produto Y quando transformado pelo fabricante Beta. Esse produto Y volta a ser matéria-prima quando aplicado no produto Z pelo fabricante Gama, que vende a um consumidor final.
O fabricante de X vende este produto por $ 2.200,00, estando inclusos nesse valor 10% de IPI ($ 200,00) e 18% de ICMS ($ 360,00). 
	O fabricante de Y adquire e aplica esta matéria-prima em seu produto, que é vendido por $ 22.000,00, estando inclusos nesse valor 10% de IPI ($ 2.000,00) e 18% de ICMS ($ 3.600,00).
O fabricante de Z adquire e aplica esta matéria-prima em seu produto, que é vendido por $ 110.000,00, estando inclusos nesse valor 10% de IPI ($ 10.000,00) e 18% de ICMS ($ 18.000,00).
Ocorreram três transações, tendo os fabricantes destacados nas notas fiscais de vendas um total de $ 12.200,00 de IPI e $ 21.960,00 de ICMS.
Nesse caso, não seriam esses os valores recolhidos ao governo, pois eles não constituem custo ou receitas para essas empresas. Representam para elas, na compra, um adiantamento dos impostos para o governo, que foram compensados na venda de seus produtos, ocasião em que tais impostos foram cobrados novamente. Funcionaram elas como intermediárias entre o governo e o cliente.
No exemplo acima, seriam recolhidos os seguintes valores ao governo:
1º fabricante de X 
Valor bruto da venda 	 = $ 2.200,00 
(-) IPI incluso (10%) 	 = 200,00
(-) ICMS incluso (18%) = 360,00
(=) Receita líquida da venda = 1.640,00
Esse fabricante recolhe $ 200,00 de IPI ao governo federal e $ 360,00 de ICMS ao 
governo estadual.
2º fabricante de Y 
Valor pago ao 1º fabricante = $ 2.200,00
(-) Crédito de IPI = 200,00
(-) Crédito de

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.