A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
168 pág.
Manual de moléstias vasculares

Pré-visualização | Página 20 de 50

ta causados por germes Gram negativos, principalmente em imunodeprimidos e 
transplantados; secundários a traumas penetrantes, como em ferimentos por arma 
de fogo ou branca e fraturas; e nos casos de aneurismas anastomóticos.
Quanto à localização dos aneurismas verdadeiros, a mais comum é o 
aneurisma de aorta abdominal infrarrenal. Oitenta por cento dos aneuris-
mas de aorta acometem a aorta abdominal na sua porção infrarrenal. Esta 
localização parece ocorrer preferencialmente devido à parede da aorta neste 
local apresentar menor espessura e menor teor de fibras de colágeno e elás-
ticas. Também neste local existe menor quantidade de vasa vasorum, o que 
sugeriria uma menor capacidade de nutrição da parede. Quando a onda do 
pulso cardíaco atinge a bifurcação da aorta, ocorre uma onda de ressonância 
que se propaga retrogradamente, gerando também maior estresse da parede 
neste local. As artérias ilíacas comuns estão frequentemente acometidas em 
35Hans Christian Joachim 
Gram, 1853-1938. Farmacolo-
gista e patologista dinamarquês.
36Hulusi Behçet, 1889-1948. 
Dermatologista turco.
37Antoine Bernard-Jean 
Marfan, 1858-1942. Pediatra 
francês.
38Edvard Lauritz Ehlers, 
1863-1937. Dermatologista 
dinamarquês. Henri-Alexandre 
Danlos, 1844-1912. Clínico e 
dermatologista francês.
39Mikito Takayasu, 
1860-1938. Oftalmologista 
japonês.
40Tomisaku Kawasaki. Pediatra 
japonês. Descreveu a doença 
em 1967.
Tabela 1: Etiologia dos aneurismas
Degenerativa
Defeitos do 
Colágeno
Doenças 
Inflamatórias
Infecciosa
Mecânica
Ateroscleróticos
Displasia Fibro-muscular
Síndrome de Marfan
Síndrome de Ehlers-Danlos
Doença de Takayasu
Doença de Kawasaki
Poliarterite Nodosa
Doença de Behçet36
Sífilis terciária
Pós-estenóticos (costelas 
cervicais, aprisionamento 
de artéria poplítea)
Traumática
Infecciosa
Anastomótica
Pós Dissecção 
aguda de aorta/
carótidas
Iatrogênicos
Pós ferimentos pérfuro-
contusos
Staphilococus aureus
Gram35 Negativos
pulmonar obstrutiva crônica e cistos renais; doenças também relacionadas à 
perda do colágeno. Outro fator importante na etiologia é a maior incidência 
de aneurismas entre parentes de primeiro grau (irmãos, pais, filhos), sugerin-
do que esses pacientes apresentem a estrutura do colágeno mais fraca, ou em 
menor quantidade.
Verdadeiros Falsos
Moléstias Vasculares64
Aneurismas Fábio Hüsemann Menezes
continuidade com a aorta abdominal e são consideradas como uma unidade anatômica do ponto de vista 
cirúrgico (aneurismas aorto-ilíacos).
Em seguida, por ordem de frequência, estão os aneurismas da artéria poplítea, os da aorta torácica e 
tóraco-abdominal, os de femoral, carótida, subclávias, axilares e viscerais.
Os aneurismas anastomóticos podem ocorrer em qualquer local onde é colocada uma prótese. A loca-
lização mais frequente de próteses arteriais é o setor aorto-ilíaco e, portanto, ocorrem com maior frequência 
nas anastomoses na aorta, ilíacas e principalmente nas regiões femorais. Todo paciente onde é utilizada uma 
prótese deve ser mantido em seguimento no mínimo anual, por tempo indeterminado, de maneira a vigiar 
as anastomoses.
Sintomas
A grande maioria dos aneurismas é assintomática e corresponde a achado de tumoração pulsátil em 
trajeto vascular. Os aneurismas de aorta são encontrados na maioria das vezes por exames de imagem ab-
dominal (ultrassonografia) na pesquisa de outras patologias, como doenças digestivas, urológicas e gineco-
lógicas. Podem ser suspeitados ao exame físico abdominal quando o diâmetro da aorta ultrapassa 5 cm e o 
paciente apresenta um volume abdominal pequeno. Em pacientes obesos (perímetro abdominal maior do 
que 100 cm) é muito difícil de se perceber um aneurisma de pequenas dimensões.
Costumam ser assintomáticos até a iminência da ruptura, quando então apresentam-se com intensa 
dor abdominal, irradiada para as costas, confundindo com quadros de litíase renal. Se evoluir para a ruptura, 
o paciente frequentemente apresenta sintomas de hipotensão temporária, como desmaios ou sensação de 
mal estar acompanhada de sudorese gelada e palidez, que pode compensar espontaneamente caso o sangra-
mento seja contido pelas estruturas abdominais vizinhas ao aneurisma. No entanto, na maioria das vezes o 
paciente apresenta-se taquicárdico, descorado e com hipotensão postural. A tríade clássica para o diagnós-
tico de um aneurisma abdominal roto é: presença de massa abdominal pulsátil, dor abdominal e sinais de 
choque hemorrágico. Caso a ruptura do aneurisma se faça para a cavidade abdominal (ruptura livre dentro 
do peritônio) o paciente evolui rapidamente para o óbito.
Os aneurismas de aorta podem, mais raramente, complicar com trombose da luz, produzindo quadros 
de isquemia dos membros inferiores; apresentar embolização da árvore arterial distal, levando ao que se cha-
ma de trash foot ou “pé de lixo”, onde a microcirculação é obstruída levando a intenso livedo e necrose das 
polpas digitais; comprimir estruturas vizinhas como a coluna vertebral, levando mesmo à erosão do corpo 
vertebral; pode fistulizar para a veia cava inferior ou veia renal esquerda produzindo dor e quadro de insufi-
ciência cardíaca com hipertensão venosa dos membros inferiores, fistulizar para o duodeno ou via urinária, 
produzindo hematêmese e melena ou uretrorragia.
Um subtipo especial de aneurisma corresponde ao aneurisma inflamatório. Nestes casos ocorre 
espessamento do retroperitônio que engloba não somente a aorta, mas também os ureteres. Este qua-
dro está associado à presença de dor abdominal e pode levar a alteração da função renal pela obstrução 
das vias urinárias. Quando um paciente se apresenta com aneurisma de aorta e dor abdominal, deve-se 
pesquisar a iminência de ruptura, aneurismas inflamatórios ou a presença de um tumor abdominal con-
comitante com o aneurisma.
Os aneurismas de poplítea costumam passar despercebidos até que resultem em uma obstrução arte-
rial aguda (Tabela 2). Os aneurismas tendem a apresentar na sua luz camadas de coágulos bem organizados, 
que vão preenchendo a área dilatada de maneira a manter o calibre da luz original do vaso. Estes trombos 
podem se desalojar em pequenos fragmentos, levando a microembolizações da árvore arterial distal, ou frag-
mentos maiores que produzem obstrução súbita e completa da irrigação do membro. A trombose do aneu-
risma de poplítea leva em 50% dos casos à perda do membro. Os aneurismas de poplítea também podem 
produzir compressão de estruturas do cavo poplíteo, especialmente da veia poplítea, levando a trombose 
Moléstias Vasculares 65
Aneurismas Fábio Hüsemann Menezes
venosa e edema, ou dor e incômodo pela presença da massa no cavo poplíteo. 
O principal diagnóstico diferencial se faz com cistos posteriores da articulação 
do joelho (cistos de Baker41).
Tabela 2: Tipo de aneurisma e complicação mais comum
Aorta abdominal
Poplítea
Subclávia/axilar/femoral
Ruptura
Trombose aguda
Embolia distal
41William Morrant Baker, 
1839-1896. Cirurgião inglês.
42Michael Ellis DeBakey, 
1908-2008 . Cirurgião americano 
de Houston, Texas.
Os aneurismas de artéria subclávia/axilar produzem quadros de emboliza-
ção distal com muita frequência, por se tratar de área muito móvel e passível de 
compressão entre a clavícula e a primeira costela, levando a uma alta chance de 
desalojar fragmentos do trombo mural.
Exame físico
Como citado anteriormente, se o paciente for magro é fácil de se palpar 
todo o trajeto da aorta abdominal e das ilíacas. Desta maneira pode-se diag-
nosticar a presença de um aneurisma de aorta abdominal e ilíacas e de artérias 
dos membros inferiores apenas pela palpação. Lembrar-se de sempre pesquisar 
a aorta abdominal nos pacientes com aneurismas