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Manual de moléstias vasculares

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A seção óssea deve 
ser realizada preferencialmente no terço distal do fêmur, porém o mais alto possível para não pressionar a 
pele que irá recobrí-lo (Figura 4).
Figura 3 - Demarcação do retalho na amputação transtibial.
1/3 2/3
bordo
posterior
da fíbula
1/3
2/3
veia
safena
FHM
FH
M
FHM
FHM
Amputações e Reabilitação Charles Angotti Furtado de Medeiros
Moléstias Vasculares164
Figura 4 - Demarcação do retalho nas amputações transfemoral e transtibial.
 8-10 cm
 o u
4 d ed o s
1 0 -12 cm2 cm
FHM
Amputações e Reabilitação Charles Angotti Furtado de Medeiros
A desarticulação do quadril é uma cirurgia de exceção e está reservada para os poucos casos nos quais a 
amputação transfemoral não foi bem sucedida ou na vigência de neoplasias malignas. A morbi-mortalidade 
é altíssima e as chances de reabilitação, mínimas.
Moléstias Vasculares 165
Complicações das Amputações
A isquemia do coto varia de acordo com a experiência do serviço (5%-30%). Geralmente resulta da 
falta de suprimento sanguíneo adequado ou de técnica cirúrgica inapropriada, sendo necessário subir o nível 
da amputação. Normalmente, as chances de sucesso em uma amputação transtibial são de 70%-80% mas a 
ausência de fluxo detectável na região poplítea ao Doppler indica, claramente, que um coto abaixo do joelho 
não irá cicatrizar. A infecção e a deiscência do coto também são frequentes e estão obviamente relacionadas 
à presença de infecção prévia do membro a ser amputado.
A dor fantasma é caracterizada pela continuação do quadro doloroso, muito semelhante ao que o pacien-
te sentia antes da amputação do membro. A incidência e a gravidade da dor fantasma estão diretamente rela-
cionadas aos longos períodos de isquemia e à demora na reabilitação. O tratamento é difícil e inclui o uso de 
antidepressivos tricíclicos, eventualmente bloqueios simpáticos podem ser indicados para os casos refratários.
O paciente pode também cair do leito à noite ao tentar se levantar e andar, porque tem a impressão 
que o membro amputado ainda está presente, fenômeno conhecido como sensação fantasma. 
Principalmente devido à imobilização prolongada, muitas vezes presente já no pré-operatório, os pa-
cientes submetidos à amputação apresentam um risco considerável de desenvolverem trombose venosa pro-
funda e embolia pulmonar.
Reabilitação
Quanto mais longo for o intervalo entre a amputação e o começo da reabilitação, menores serão as 
chances do paciente voltar a andar. Por isso, a fisioterapia deve ser iniciada precocemente, mesmo antes da 
cirurgia. A mobilização contínua do paciente no leito visa evitar as úlceras de decúbito e a rigidez articular 
causada pela posição antálgica. São necessários exercícios para fortalecimento dos membros superiores, do 
tronco e do membro inferior contralateral. As transferências para as posições sentadas e de pé devem ser 
estimuladas bem como a independência nas atividades diárias mais simples.
Outro aspecto importante é a avaliação e o apoio psicológico. Pacientes deprimidos e sem motivação 
tornam o trabalho de reabilitação muito mais difícil. É preciso informá-los que as amputações, muitas vezes, 
propiciam uma qualidade de vida relativamente melhor que a atual, sem a dor e sem o sofrimento presente. 
Que o desenvolvimento industrial de próteses mais modernas e que requerem menos energia é crescente. E 
que novos componentes permitem a fabricação e a comercialização de próteses ultraleves e que apresentam 
maior durabilidade.
 O paciente amputado passa ainda por uma avaliação funcional com a finalidade de medir a sua 
capacidade durante as atividades mais complexas. As doenças cardiorespiratórias e a debilidade física inca-
pacitantes tornam a reabilitação muito mais difícil. Infelizmente, o paciente que já não deambulava antes da 
cirurgia, raramente conseguirá reabilitar-se.
O comprimento do coto também correlaciona com a habilidade para deambulação. Um indivíduo 
submetido a amputação transtibial apresenta chance de reabilitação em torno de 80%, enquanto que na 
amputação transfemoral o índice de sucesso cai pela metade. Um dos fatores responsáveis é o gasto energé-
tico necessário, que é duas a três vezes maior nas amputações ao nível da coxa em relação àquelas realizadas 
abaixo do joelho. Fica claro que a reabilitação é muito mais difícil nos casos de amputação bilateral.
Existem dois tipos de próteses: as convencionais e as modulares. As convencionais (exoesqueléticas) 
são confeccionadas com componentes maciços, em madeira ou plástico, que servem de conexão e têm como 
vantagens a resistência e a durabilidade. As próteses modulares (endoesqueléticas) são compostas de tubos e 
encaixes de espuma rígida e são superiores às convencionais sob o ponto de vista funcional e estético.
Finalmente, os pacientes que são submetidos a amputação de membros inferiores devem ser acom-
panhados com relativa frequência, não só para os cuidados com o coto, fisioterapia e apoio psicológico, 
mas principalmente, tendo em vista a sua doença de base, a possibilidade de comprometimento do outro 
membro e o aparecimento de novas complicações.
Amputações e Reabilitação Charles Angotti Furtado de Medeiros
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