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Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia   Edson Ibrahim  Mitre 1

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3. Hungria H. Patologia do ouvido externo. In: Hungria H, editor. Otorrinolaringologia. 8a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan;
2000. p.363-7.
4. Jahrsdoerfer RA. Congenital atresia of the ear. Laryngoscope 1978;LXXXVIII (suppl. 13).
5. Lopes Filho OC. Deficiência auditiva. In: Lopes Filho OC, Campos CAH. Tratado de otorrinolaringologia. São Paulo: Roca;
1994. p.535-40.
6. Lopes Filho OC, Ribeiro FAQ. Cirurgia funcional das malformações congênitas da orelha. In: Hungria H, editor.
Otorrinolaringologia. 8a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2000. p.475-91.
As otites externas são afecções inflamatórias, que podem apresentar
componente infeccioso, e que acometem o pavilhão auditivo e o meato acústico
externo, cada qual isoladamente ou em associação.
As otites externas podem ser divididas em seis tipos diferentes, segundo a
forma de ocorrência e o agente determinante: difusa aguda, eczematosa, circunscrita,
granulosa, estenosante e maligna (2,4).
Deve-se lembrar que a manifestação auditiva nas otites externas é sempre
de disacusia condutiva, reversível com a resolução do quadro.
OTITE EXTERNA DIFUSA AGUDA
Esta é uma das manifestações mais comuns de otite externa, onde ocorre
um processo inflamatório agudo da pele que reveste o meato acústico externo.
Dentre os fatores desencadeantes mais comuns, deve-se salientar o contato
freqüente com água, como no caso dos nadadores; a introdução voluntária ou acidental
de corpos estranhos no meato acústico externo, assim como a tentativa de remoção
destes com objetos inadequados; os quadros de otorréia crônica, em que a secreção
infectada acaba por agredir diretamente o revestimento cutâneo; e mais comumente,
os traumatismos decorrentes do emprego de hastes flexíveis com algodão e utilização
de outros objetos com o intuito de se promover a limpeza do meato acústico externo.
O processo inflamatório local provoca descamação epitelial acompanhada
de edema cutâneo e redução da produção de cerume. É muito comum o aparecimento
de secreção inicialmente serosa, que pode sofrer contaminação e se transformar em
purulenta. O quadro inflamatório leva à hiperemia da pele do meato acústico externo (2).
Com freqüência os pacientes relatam otalgia intensa, às vezes com irradiação
para a região temporal ipsilateral. Há possibilidade do edema da pele ser muito intenso
a ponto de ocluir totalmente o meato acústico externo, agravando a disacusia condutiva
que se instala neste quadro.
OTITE EXTERNA ECZEMATOSA
Esta forma de otite externa consiste em uma hipersensibilidade alérgica da
pele do meato acústico externo, que pode ser desencadeada por diversos fatores tais
OTITES EXTERNAS
Capítulo II
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Edson Ibrahim Mitre
como alimentares, medicamentosos, contato local de diversas substâncias e,
principalmente, manipulação excessiva do meato.
O quadro clínico é caracterizado por prurido freqüente e geralmente intenso,
além de descamação epitelial difusa. Algumas vezes o quadro é tão intenso que leva a
uma transudação serosa abundante, que pode chegar a escorrer pelo lóbulo da orelha,
provocando irritação da pele circunvizinha.
Este quadro pode ser observado, eventualmente, em pacientes usuários de
próteses auditivas, devido a um processo alérgico desencadeado pelo material do
molde. Felizmente esta manifestação tem se tornado menos freqüente com o emprego
de moldes de materiais hipoalergênicos.
OTITE EXTERNA CIRCUNSCRITA
A otite externa circunscrita é uma manifestação exclusivamente do terço
externo do meato acústico externo, sendo a única região que apresenta pêlos e glândulas
sebáceas e sudoríparas.
Trata-se de um quadro infeccioso limitado a uma pequena região da pele,
mais especificamente de uma glândula sebácea. A infecção é, geralmente, estafilocócica
e autolimitada (3).
Caracteriza-se por otalgia intensa, às vezes acompanhada de plenitude
auricular decorrente da oclusão do meato acústico externo decorrente do processo
infeccioso. À inspeção, identifica-se um ou mais furúnculos no terço externo do
meato e, por vezes, áreas de drenagem espontânea da secreção hemo-purulenta (2).
OTITE EXTERNA GRANULOSA
Esta forma de otite externa é conseqüência da exsudação purulenta crônica
decorrente de otite média crônica ou de otite externa difusa aguda de longa evolução,
geralmente em indivíduos imunocomprometidos, como ocorre no paciente diabético (2,3).
A agressão constante à pele do meato acústico externo estimula o
desenvolvimento de um tecido de granulação, havendo grande resistência aos
tratamentos habituais. É muito comum o preenchimento do meato por este tecido,
dificultando a inspeção mais detalhada da membrana timpânica.
O histórico de doença auricular crônica do paciente facilita a suspeita clínica
deste diagnóstico.
OTITE EXTERNA ESTENOSANTE
Com certeza um dos quadros mais temidos em otologia, a otite externa
estenosante é um quadro mais raro, geralmente evolutivo da otite externa
granulosa, onde a inflamação crônica da pele do meato acústico externo leva à
hiperplasia da pele com obstrução progressiva e permanente de sua luz, sepultando
a membrana timpânica e a orelha média (2,3).
À inspeção, observa-se o meato em fundo cego ou com pequeno pertuito,
podendo ocorrer em qualquer região da extensão do meato acústico externo.
OTITE EXTERNA MALIGNA
Esta é uma forma muito grave de otite externa difusa aguda, de ocorrência
quase exclusiva em pacientes diabéticos e imunocomprometidos, determinada por
Pseudomonas aeruginosa. Esta é uma bactéria habitualmente presente no meato acústico
externo, sem causar infecções. Ela se torna patogênica na presença de certas condições
especiais.
Em sua evolução, a otite externa maligna pode se estender à glândula
parótida, mastóide, porção escamosa do osso temporal e até mesmo à região cervical
mais inferior. Além disso, pode provocar paralisia facial periférica, comprometimento
de outros pares cranianos e meningite (1).
Caracteriza-se clinicamente por otorréia purulenta acompanhada de otalgia
e sinais de osteíte do meato acústico externo. Mais raramente o quadro pode assumir
proporções muito maiores, com agravamento das condições gerais do paciente.
O comprometimento auditivo pode ser importante se houver invasão da
orelha média e destruição da membrana timpânica.
1. Chandler JR. Malignant external otitis. Laryngoscope 1968;78:1257-94.
2. Grandis JR, Kamerer DB. Otite externa. In: Lopes Filho OC, Campos CAH. Tratado de otorrinolaringologia. São Paulo: Roca;
1994. p.651-61.
3. Hawke W, Wong J, Krajden S. Clinical and microbiologic features of otitis externa. J Otolaryngol 1984;13:289-95.
4. Hungria H. Patologia do ouvido externo. In: Hungria H, editor. Otorrinolaringologia. 8a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan;
2000. p.363-7.
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ROLHA DE CERUME
O meato acústico externo apresenta, em seu terço externo, glândulas
ceruminosas, cuja secreção, de produção contínua, é constantemente eliminada em
direção ao exterior. Esta secreção funciona como um mecanismo de defesa da orelha
externa, facilitando a retenção de partículas estranhas (1).
Algumas vezes, existe produção excessiva de cerume ou, o que é mais
freqüente, a eliminação em menor quantidade, proporcionando a retenção no meato
acústico externo. O emprego de hastes flexíveis com algodão, amplamente difundido,
assim como a tentativa de remoção do cerume com técnicas e objetos inadequados
também propicia a retenção.
Quando a quantidade retida é excessiva, pode ocluir a luz do meato acústico
externo, levando à sensação de plenitude auricular, com disacusia condutiva transitória (2,3).
Isto pode levar a resultados errôneos em exames audiométricos, assim como
pode alterar a eficiência de próteses auditivas, bem como dificultar a pré-moldagem
para próteses auditivas e a confecção de tampões auriculares do tipo plug.
ROLHA EPIDÉRMICA
O meato acústico externo é revestido internamente por tecido