A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
63 pág.
Apostila Geral 2018

Pré-visualização | Página 10 de 21

alarmes. O diagnóstico de faltas deve apresentar grande sucesso em estimar a seção do sistema (linha 
de transmissão, barramento ou transformador) que deu origem aos desligamentos. A etapa de análise pós-morte corresponde 
a uma pesquisa bastante detalhada sobre as causas da falta, além de identificar possíveis falhas ou confirmar a correta 
operação de relés e disjuntores. Por ser uma fase bastante trabalhosa e que exige grande precisão, onde são utilizados todos 
os tipos de dados disponíveis, esta é normalmente realizada off-line. 
 
4.2 Diagnose 
 
Do ponto de vista da manutenção, pode-se conceituar a diagnose como sendo um laudo sobre a condição e confiabilidade do 
equipamento tomando-se como base análises obtidas dos ensaios realizados sobre o equipamento. Como tal (e similarmente 
ao que é feito na medicina), a diagnose é não-invasiva, ou seja, não se abre o equipamento para se observar sua condição; ela 
é não-destrutiva, ou seja, o equipamento não fica sujeito a eventual dano em função dos ensaios realizados; e também é 
preditiva, ou seja, o laudo elaborado prediz a condição do equipamento, o que pode estar sujeito a graus de incerteza em 
função de as técnicas serem em grande parte estatísticas, da mesma forma que um excelente exame de sangue com baixos 
índices de PSA pode não predizer o surgimento de um câncer de próstata daí a um ano, por exemplo. De posse dos resultados 
da diagnose, pode-se otimizar o planejamento de manutenções preventivas ou mesmo a substituição programada, tendo como 
resultado a minimização dos impactos na cadeia produtiva da empresa além da redução do ativo imobilizado na forma de 
sobressalentes. 
 
4.3 Faltas em Sistemas Elétricos 
 
Os sistemas de distribuição de energia elétrica estão susceptíveis às faltas que podem ser temporárias ou permanentes. As 
faltas temporárias são aquelas cuja duração é limitada ao período necessário para restabelecer o serviço através de operação 
automática do equipamento de proteção que desligou o circuito ou parte dele. As faltas permanentes são todas as interrupções 
não classificadas como temporárias ou programadas. Um dos tipos de faltas mais comuns em um sistema de energia elétricas 
é o curto-circuito. Este tipo de falta causa sobrecorrente e desbalanço na tensão. 
Essas faltas no sistema são normalmente provocadas pela ação de descargas atmosféricas, contatos de árvores e animais às 
partes vivas do sistema, falhas de equipamento e erro humano. Classificam-se como faltas simultâneas quando ocorrem duas 
ou mais faltas no mesmo instante de tempo. Estas ocorrências são resultados de eventos como descarga atmosférica e 
manipulações erradas de equipamentos pelos operários. Este tipo de falta é um evento que tem baixa probabilidade que 
ocorra, pois é muito difícil que ocorram duas faltas no mesmo instante de tempo. O diagnóstico de alarmes ou diagnóstico de 
faltas consiste na análise e interpretação de alarmes a partir dos relatórios de alarmes fornecidos pelo sistema SCADA de 
modo a identificar (qual componente apresenta defeito), localizar (qual a localização no sistema) e diagnosticar (saber qual tipo 
de defeito) componentes no sistema de distribuição que apresentem qualquer defeito. Esse diagnóstico pode ser efetuado de 
forma local ou centralizado. Neste trabalho considera-se o diagnóstico efetuado de forma local e limitado ao ambiente das 
subestações de distribuição de energia elétrica e tem como objetivo fornecer diagnóstico de faltas aos operadores de centros 
de controle destas unidades específicas (CODs). Através de dispositivos de proteção e controle que registram todos os 
29 
Manutenção dos Sistemas de Energia Jorge Barbosa 
eventos, pode-se monitorar faltas e registros de eventos em uma subestação, que permite identificar sobre o tipo de faltas no 
sistema ou falhas ocorridas em algum componente do sistema. Para os registros desses eventos, normalmente utilizam-se 
registradores digitais de faltas. 
 
 
 
4.4 Definição de Problemas 
 
Durante grandes contingências, a operação de relés de proteção e disjuntores espalhados pelo sistema elétrico dá origem a 
um grande volume de mensagens de alarmes, que dependendo da disponibilidade do sistema de comunicação são enviados, 
juntamente com outros valores supervisionados, aos centros de controle do sistema. Após a ocorrência de distúrbios com 
desligamentos definitivos, a prioridade é restaurar o sistema elétrico atingido. No entanto, antes desta etapa é necessário: 
 
A - Identificar o(s) componente(s) que estão em falta (selecionar a hipótese mais provável); 
B - Efetuar manobras para isolar o componente com defeito, caso seja necessário inspeção por parte das equipes de 
manutenção; 
C - Restaurar as partes do sistema atingidas pelo desligamento, mas que não estão em falta; 
D - Caso haja necessidade, as equipes de manutenção são deslocadas para que o defeito possa ser corrigido (isto geralmente 
ocorre quando algumas proteções operam, bloqueando o equipamento protegido); 
E - Finalmente, restaurar a(s) parte(s) onde ocorreu o defeito. 
 
Destas etapas, a primeira corresponde ao diagnóstico de faltas. Com a seleção da hipótese correta, consegue-se minimizar o 
tempo de interrupção e o risco de agravar a situação ou danificar equipamentos, religando-os indevidamente. Problemas 
inerentes à tarefa de diagnóstico de faltas envolvendo relés, disjuntores, canais de comunicação, entre outros, devem ser 
levados em consideração. A metodologia de solução a ser implementada deve ser escolhida levando-se em conta os seguintes 
fatores: 
 
A - Falhas em relés ou disjuntores, e faltas múltiplas, complicam o processo de diagnóstico de faltas. No primeiro caso a falta é 
eliminada através da proteção de retaguarda, implicando em uma grande área desligada. No segundo caso, o número de 
combinações possível torna o problema de diagnóstico bastante complexo, devido a sua natureza combinatória; 
B - Aquisição de dados corrompidos; 
C - A experiência do operador só pode ser obtida na prática, mas faltas severas ocorrem poucas vezes. A experiência 
adquirida sobre uma determinada falta, nem sempre é aplicável sobre a ocorrência de outras; 
30 
Manutenção dos Sistemas de Energia Jorge Barbosa 
 
Por fim, o diagnóstico de faltas ou estimação da seção em falta é definido como um problema de tomada de decisão, onde 
várias hipóteses (seções em falta), previamente formuladas, competem entre si, cabendo ao operador ou à ferramenta 
computacional de apoio, selecionar a mais provável; 
 
4.5 Analise de Falhas 
 
No estudo de falhas é importante o esclarecimento de alguns conceitos. Rausand and Oien 
(1996), definem alguns deles. Segundo os autores, falha significa o fim da habilidade de um item executar uma função exigida. 
São denominadas causas de falhas as circunstâncias durante o projeto, fabricação ou uso que levarão a uma falha. Depois de 
apresentarem os conceitos, Rausand and Oien (1996), finalizam: “A causa de falhas é um pedaço de informação necessário 
para evitar as falhas ou a recorrência das mesmas.” Para cada falha apresentada vai rastear as causas que realmente a 
provocaram, com a finalidade de agir diretamente nestas causas para que elas tornem-se incapazes de desencadear o 
processo gerador da falha. 
De acordo com Slack et al. (1997), os responsáveis envolvidos com a produção têm basicamente três conjuntos de atividades 
relacionadas com falhas: compreensão de quais falhas estão ocorrendo e porquê (etapa de detecção); análise das formas de 
reduzir a probabilidade de falhas ou minimizar as conseqüências das mesmas (etapa de análise de falhas);