A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
73 pág.
243 QUESTOES COMENTADAS DE SERVI O SOCIAL PELOS PROFESSORES DO QC.docx;filename = UTF 8''243 QUESTOES COMENTADAS DE SERVIÇO SOCIAL PELOS PROFESSORES DO QC

Pré-visualização | Página 10 de 26

um saber verdadeiro, total e crítico acerca da realidade social, realizando as necessárias ligações com a totalidade, o que pressupõe que devem ser consideradas as especificidades regionais e o contexto nacional e mundial, bem como os aspectos políticos, econômicos e sociais.
A utilização do termo “sociojurídico” é recente no Serviço Social. Nesse sentido, o campo (ou sistema) sociojurídico pode ser definido como:
Parte superior do formulário
 a)
uma área específica de intervenção do Serviço Social constituída exclusivamente por instituições carcerárias e pelos sistemas de proteção e acolhimento de crianças e adolescentes em conflito com a lei;
 b)
instituições governamentais, não governamentais e paragovernamentais que se dedicam a examinar atos de infrações leves e moderadas contra o direito à propriedade dos cidadãos;
 c)
um espaço de competência exclusiva do assistente social, que deve atuar profissionalmente na investigação e avaliação de delitos relacionados a indivíduos tidos como incapazes perante a lei;
 d)
aquele que diz respeito ao conjunto de áreas em que a ação do Serviço Social articula-se a ações de natureza jurídica, como o sistema penitenciário, o sistema de segurança, e os sistemas de proteção e acolhimento;
 e)
necessário para dotar o trabalho do assistente social de legitimidade e legalidade no que diz respeito ao atendimento e à garantia de direitos a indivíduos em comprovada ou suposta vulnerabilidade social.
A expressão "sociojurídico" é bem recente no Serviço Social, apesar da inserção deste profissional neste espaço ter ocorrido no início da profissão no Brasil, segundo apontam Marilda Iamamoto e Raul de Carvalho (Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 19ª edição. São Paulo: Cortez, 2006). Na atualidade ela tem sido utilizada para se referir ao trabalho do assistente social na esfera do Judiciário, nas Penitenciárias, no Ministério Público, nas Defensorias Públicas, nas instituições de defesa de direitos humanos, nos serviços de acolhimento institucional e familiar, no sistema de segurança e na execução de medidas socioeducativas. O termo "sociojurídico" está diretamente relacionado ao trabalho do assistente social que atua com o campo jurídico.
Em um processo judicial de adoção de uma criança, deve sempre o assistente social, a partir do processo de intervenção com quem requer a adoção, dentre outras ações:
Parte superior do formulário
 a)
identificar se é casal e avaliar sua capacidade em prover as condições materiais e emocionais para o bom desenvolvimento biopsicossocial da criança;
 b)
refletir e construir com a família as possibilidades de acesso a serviços e a seus direitos, com vistas a potencializar a proteção da criança a ser adotada;
 c)
emitir parecer social para o juiz, indicando se será bom pai ou boa mãe do ponto de vista da garantia dos direitos da criança;
 d)
realizar estudo social para averiguar se é casal e se estão aptos socialmente para o exercício da maternidade e da paternidade;
 e)
elaborar parecer social e encaminhar ao juiz sobre as condições psicossociais da família em assumir a responsabilidade pela proteção da criança.
Não somente na área sociojurídica, da qual se trata a questão acima, mas em todos os espaços ocupacionais em que os assistentes sociais atuam, é muito comum que as demandas institucionais para esses profissionais se resumam em práticas permeadas por conservadorismo. Com base no CFESS (Atuação de assistentes sociais no Sociojurídico: subsídios para reflexão. Brasília/DF, 2014) há ainda demandas a esse profissional para que o mesmo, com uma atitude policialesca, por exemplo, vá ao domicílio dos indivíduos com vistas a verificar e analisar o seu comportamento, se são inadequados ou não. E a partir disso construir o parecer ou estudo social, atestando se serão bons pais ou não, se são "adequados" ou não, se serão competentes ou não para cuidar de uma criança/adolescente. Esse tipo de prática, voltada para a análise do enquadramento das pessoas e ajustamento na sociedade, de como estas deveriam ser ou agir, que realiza julgamentos fundamentados em práticas moralizantes, não condizem com o verdadeiro trabalho do assistente social na contemporaneidade. O assistente social ao realizar um estudo social ou parecer, agindo como um disciplinador ou "policial", reproduz práticas existentes nos primórdios da profissão, que já foram e são negadas pela categoria profissional. Assim sendo, no processo de adoção não cabe ao assistente social averiguar se os pretendentes à adoção são mesmo um casal ou se observando o comportamento deles é possível afirmar ou não que serão bons pais. Ao assistente social, com base no seu Código de Ética e Projeto ético-político, bem como nas suas atribuições e competências, cabe garantir o acesso dessa família aos seus direitos, indicar os serviços disponíveis para seu atendimento e também da criança/adolescente que será adotada, informar sobre os benefícios disponíveis em determinados casos, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Deste modo, o assistente social tem o dever de assegurar e lutar pela expansão dos direitos, possibilitando o acesso aos serviços, políticas sociais e benefícios, dispensando julgamentos que cerceiem os direitos das pessoas, que sejam preconceituosos e intolerantes, devendo sempre respeitar as diferenças, os novos arranjos familiares e as opções realizadas por cada pessoa.
A introdução de políticas neoliberais em todos os quadrantes do globo terrestre implicou uma ampliação do desemprego e a exponenciação da questão social. Uma das formas de o Estado neoliberal enfrentar a questão social na contemporaneidade tem sido a: 
Parte superior do formulário
 a)
instituição de novos direitos trabalhistas;
 b)
contratação de interventores sociais;
 c)
centralização das políticas estatais;
 d)
universalização das políticas sociais públicas;
 e)
criminalização dos pobres.
A reestruturação da produção aliada às políticas de cunho neoliberal na atualidade têm rebatido fortemente sobre a classe trabalhadora, implicando no desemprego estrutural, no retraimento do Estado no que se refere às políticas sociais públicas, na eliminação de direitos historicamente conquistados pelas massas trabalhadoras, no aviltamento das condições de vida e de trabalho e também na degradação do meio ambiente. Deste modo, constata-se a acentuação das sequelas da questão social, como a fome, a miséria absoluta, o retorno de formas retrógradas de trabalho (escravo e infantil), o agravamento da saúde dos trabalhadores devido a intensificação da exploração, o aumento da violência, dentre outras expressões que podem ser citadas. O Estado, seguindo as orientações neoliberais, vem respondendo a tais expressões quando não de forma pontual e focalizada, através de políticas seletivas, basicamente de transferência de renda e de combate à fome e à pobreza, também por meio da intervenção policial, classificando as classes subalternas bem como suas lutas, como caso de polícia. Não é raro episódios em que os movimento sociais, por exemplo, são caracterizados na mídia como atos de vandalismo e de desordem, criminalizando a pobreza e os pobres por tentarem buscar formas de sobrevivência diante desse contexto. A classe trabalhadora é vista como uma classe "perigosa", sendo utilizada pelo Estado no enfrentamento das necessidades dessa classe a política focalizada e a repressão/violência neste contexto de avanço das política neoliberais.
A intervenção profissional em consonância com os parâmetros emanados pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) pressupõe enfrentar e superar duas grandes tendências presentes hoje no âmbito dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS). São elas, respectivamente:
Parte superior do formulário
 a)
rever os critérios para inclusão/exclusão de famílias nos benefícios socioassistenciais, notadamente aqueles vinculados ao Programa Bolsa Família (PBF); e captar recursos financeiros

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.