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que está sendo assessorado;
 d)
emitir opinião em concordância com os interesses expressos do assessorado;
 e)
analisar as situações do ponto de vista psicossocial e emitir opinião técnica ao assessorado.
Na assessoria, cabe ao assessor indicar aos assessorados caminhos e alternativas, devendo estas últimas serem concebidas em conjunto entre assessor e equipe técnica a qual assessora. A opinião emitida pelo assessor não é imposta, ela pode e deve ser discutida com os assessorados, que podem ou não concordar com as proposições e ideias apontadas pelo mesmo. Portanto, o papel do assessor é de contribuir na elaboração do projeto de prática de uma equipe ou profissional, os quais, por sua vez, tem a autonomia de seguir ou não o que lhes foi indicado.
Tomando por base a análise realizada por Iamamoto (2009), pode-se compreender que as alterações verificadas nos espaços sócio-ocupacionais do assistente social estão relacionadas:
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 a)
a processos sociais historicamente datados, expressando a dinâmica da acumulação, a composição do poder político e a correlação de forças em seu âmbito, refratando ainda as particulares condições e relações de trabalho prevalecentes na sociedade brasileira
 b)
 a processos macrossociais que incidiram sobre o universo do trabalho na sociedade pós-industrial, sendo agudizados a partir do regime de acumulação flexível
 c)
 a processos ético-políticos gestados pelo movimento de renovação do Serviço Social no Brasil que possibilitaram novas bases para a construção do projeto ético-político crítico
 d)
a processos sociais historicamente datados, expressando a dinâmica da acumulação, a composição do poder político e a correlação de forças em seu âmbito, referindo-se a condições sociais globais inscritas no âmbito do capital fetiche
 e)
à autonomia e ao pleno desenvolvimento da profissão que permite que, no momento presente, o Serviço Social tenha prestígio e reconhecimento pela classe trabalhadora
O mercado de trabalho assim como os espaços em que os assistente sociais atuam sofre alterações devido às transformações ocorridas no âmbito da produção e na esfera do Estado. Assim, na dinâmica atual do capitalismo em que se tem uma flexibilização do processo produtivo e da gestão da força de trabalho e a instauração dos processos de contrarreforma do Estado, visando a minimização e extinção de direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores, teremos então impactos em todos os espaços ocupacionais bem como em todas as categorias profissionais. Deste modo, a flexibilização das relações de trabalho, a implementação de novos meios que intensificam a exploração do trabalhador, a regulação da terceirização, dos part-time, o rebaixamento dos salários, o desemprego estrutural, afetam em igual medida os assistentes sociais, precarizando suas condições e relações de trabalho. Além de que, a radicalização das expressões da questão social diante desse novo contexto trará ainda mais e novas demandas ao assistente social, que possui a questão social como seu objeto de trabalho. Outro fator importante que deve ser considerado é o desfinanciamento das políticas sociais, lócus de trabalho privilegiado desse profissional, resultando tanto na precarização desses espaços quanto no fechamento de postos de trabalho para essa categoria e para outras que também atuam junto a política social, como psicólogos, pedagogos, advogados, etc. Em resumo, os processo sociais e as mutações no interior do capitalismo que buscam recuperar suas taxas de super lucros incidem diretamente sobre os espaços ocupacionais de toda a classe trabalhadora, dentro da qual encontram-se os assistentes sociais, posto que são também trabalhadores assalariados. Assim sendo, o avanço da agenda neoliberal no Brasil acarretou consequências catastróficas para os trabalhadores, observando que sempre tivemos formas precárias de trabalho que nunca foram superadas e que a partir desse momento passam a ser acentuadas.
Ao abordar o tema dos estudos socioeconômicos no âmbito do Serviço Social, Mioto (2009) afirma que estes estudos, na trajetória do Serviço Social, tiveram um grande desenvolvimento técnico no período de consolidação da profissão, por meio da apropriação de um dado marco conceitual, o qual se refere:
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 a)
ao Serviço Social americano e, particularmente, o Método do Serviço Social de Casos
 b)
ao Serviço Social estrutural-funcionalista e, particularmente, o Método do Serviço Social de Grupo
 c)
 ao Serviço Social pautado na realidade brasileira, advindo do processo de renovação latino-americano e, particularmente, o Método do Desenvolvimento de Comunidad
 d)
ao Serviço Social Crítico e, particularmente, o Método BH
 e)
ao Serviço Social conservador e, particularmente, o Método sociológico que requeria a perspectiva da neutralidade
Os estudos socioeconômicos estão presentes como ação dos assistentes sociais desde os primórdios da profissão, quando a mesma era ainda conservadora, pautada em perspectivas positivistas. O Serviço Social constituído nos Estados Unidos e, especificamente, o método cunhado de Serviço Social de Casos, propunha a realização de estudos socioeconômicos como uma das etapas desse método. Esse método visava integrar o indivíduo na sociedade, minimizar os desajustamentos sociais, através da realização de um estudo social de caso e, após, o diagnóstico e o tratamento. A profissão ainda conservadora nesse período entendia  a questão social como fatos sociais e natural de toda sociedade, buscando promover o ajustamento dos indivíduos com desvios de caráter, personalidade, etc. Atualmente os estudos socioeconômicos constituem competência profissional do assistente social, conforme disposto na Lei de Regulamentação da Profissão (Lei n. 8.662/1993), em seu Art. 4º, inciso XI. Porém, destacamos que a direção impressa ao se realizar esse estudo na atualidade é completamente distinta daquela que possuía a profissão em sua gênese no país.
Na elaboração do estudo social é fundamental que o assistente social estabeleça as mediações com a totalidade social e a realidade social na qual o sujeito esta inserido. Logo, se constituem chaves do conhecimento para a construção do estudo social os eixos de:
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 a)
trabalho, cidade, políticas sociais e família ar t iculadas às pecul iar idades sociais, econômicas e culturais relacionando com as questões estruturais nacionais e mundiais.
 b)
família, gênero, poder judiciário e poder público, articulados aos processos sociais contemporâneos que modificam gradativamente, na sua totalidade, suas estruturas
 c)
questão social, políticas sociais, movimentos sociais e relações de gênero veiculados às modificações societárias que potencializam a essência destes conceitos.
 d)
políticas sociais, territorialidade, educação e ética, atrelados aos impactos que produzem na vida do usuário quando modificados na sua estrutura socialmente construída.
De acordo com Eunice T. Fávero (O estudo social - fundamentos e particularidades de sua construção na Área Judiciária. In: O estudo social em perícias, laudos e pareceres técnicos: debates atuais no judiciário, no penitenciário e na previdência social. Org.: CFESS, 11ª edição - São Paulo: Cortez, 2014), na elaboração do estudo social, no qual o assistente social dotado de suas competências profissionais vai examinar determinada situação e/ou expressão da questão social, é fundamental que este profissional, por meio de referencial crítico, analise a realidade social em sua totalidade, realizando as conexões com as particularidades que atingem o sujeito em questão. Deste modo, para a autora há elementos chaves ou categorias fundamentais que contribuem para a elaboração do estudo social, permitindo uma abordagem bastante próxima da realidade dos sujeitos, sendo elas: trabalho, cidade/território, políticas sociais, família e cultura. Conforme a autora, a consideração desses elementos amplificam as possibilidades de construir