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KRAUSS, Rosalind. Caminhos da escultura moderna

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APRESENTAÇÃO 
Critica e-pro{"""' do""""" Cotq<, 
em N0\'3 Yort. RoiahDd E. Knuss tomou-se, entre os 
anos 60 e 70. wn1 du ma1!1 influentes pensadoras da 
IX)ntemporonddod~ urtist~et~. Naquele momento. foi 
uma das fundadora' da revi sra ONober, uma das pnn .. 
dpais referências inlclcclllais da êpoca nos EUA. que 
editou durante: vários nno11. B. no p11pcl dç critica,l\iu-
doo a eslabeleccc a rtvilltl& Artjbmm como uma da$ prin-
cipais publicações sobre o p:tnorumn artístico interna-
l"ional. 
Kmuss é uma das rormul:ldoriH das ceorias da pós-
modcmidade nos Es~ Unidos. A panir de suas lei4 
tuns polêmi<:u c uxn·ldoru da p~ de artistas 
"""-"""'- lluancio desde • - de 60, cl• 
c:oasuuiu wn repa16no unpactank de pc:nsamc:nm 
que C$11bclcci.J uma a.~dlde de mudança ao tn-
tendunento dos c:oocci101 de IJ1e que 1r.a.ca am a mt)o 
&midade. 
Um dos tex:kiS crucia•s de s~ :tutoria, The Orlgi-
nality of lhe Awmt-Garrlr and Other ,\fndernist Mylh.s, 
rotiUadO por artigos Ol'iginnlmenle public~ em Qct()-
/Nr c reunidos em lllll I i\•ro I>C la M IT r~ (Cambridge, 
Mass~husctts). (m IC)K(•, da dchenda os "miloi mcr 
demos··, nn:ali'i:llll"l n 41tH-a de n•1iStílS consagrados, <:o--
• 
..., ....._ Rodin, ~IM Ra). Goocomctb. ""'""''• !"'· 
pilerdeiiUIU6ea1islas~-.c:anoJaehoo 
l\)l)od:,, Sol Lewin c Ric:bard Sen'l.. ~pandtndo~•-' no 
caminho de uma formulação do pós-modcrni .. nlO. 
l1lllitando uma moldura crittea ooolcrt..,or:lne3. que 
J\l 'iUipõe ml1ltiplos instrumentos de mccodolow.iu. ttu!l 
como scmiologia, estrutu111Jjsmo, J>ÓS..C.SiruiUrttli'imo 
e dcllcon~II'UCào, Krauss fun<~l noções cru<:iaiJt ourn o 
entendimento da cultura e arte: conlcmporAnca>. wmo, 
pOr e'emplo, a de que a vangu:~r~ é um mito rnockr-
IWilll. enquanto conceitos como auteohcKlad" tomam-se 
anacrônicos na medtda em que o IJlW'Ido ~ progra.'IJ· 
'filOltnk! o«t~tmdo pc-la produçio de toaM~. 
No pmc::ate Ca111illhos da t:sadtvtV modn'11D, Ro-
•IIOd E. Kraussoosrescrva OUII'a5 i~...-prnas 
onoe--. Aqui.,.,. rdumulaçio ..,.,W da DOÇio 
de ''e(1udM de casos"", ela nos ofcnce datcus~ en-
(U.)Ilitl\ldib e chelb de in.(iglus a rc~110 de perso-
nJaens da hi~órill da arte que fi tcram da ~ultura 
um corpo de materialidade fís1ca c de l<tRcdo leóric.a. 
Krflw;s inicia suas discussões occrcn da moderni-
dade ncgundo o tratado do alcmiio ( l(ltlho)d Lessing, 
c$Crlto em 1766, que estabelece prtmiS.IOI.L~ ~obre o es-
euhum. uiando como paradigma o coa\)unto cscultóri-
co IAot'()Oflf~. encontrado em 1506. em CSCJ\';tÇÕb 
fcal» em Rocrtl. A obra é atribuída ao ese-uhor a:rego 
Alcundrt Rodes. em~ com~ filho~ F\J.ttdoro 
c Atcnodoro. 
t.ç...~l.ngafumaqueafSC'ulnua.toCOflcririo da m6-
~ou da poHI&, que .. form.as de ar1C k'mfl(WiiS. ~ 
ru um• ane un.camecne espacaal Kraur.a contra-1ltgu-
mcnla Tmça.ndo um percurso que LTK'tCia ~·o.luç~ 
h& .. t\•rlc:l a ~nãhses pontuais de olnas de: art~. a crl11c::a 
d(mnn..crn como a tseulrura do século XX .:ap61ap'ie num 
\:tuAlnM:"niO de tempo e espaço. Pura ela, n!lo o;;cria pos .. 
bivt.!l'cllartu' •"~to dois ci.xos. j á que ' 'todu c qu.1lqucr ot .. 
ttunllllçfin c~pacialtraz ea" seu bojo um:• :•l u·maç3o 
t<-.:1*..:a1n d:~ narutcza da experiêncw tcmpcwul", 
Rosalind ~ p6Moe • pttCOI~t um c::aaW:Ibo am-
plo.rd<mdo ... rep<nónode~de-oomo 
Rodin, Booci001. .,.,.,.,, Tatbn, Gabo, Moboly-Nagy. 
Duchamp. BI"III>CUSL Calder. Cl""" Olderlburg. J._ 
Johns. Fnmk Stdla. Oú•,ald Jmld. Dan f'lavin. chegando 
à /and arl de Robcn Smith.'iOn e à.'i instalações oontcm· 
porâncas de Bnn)C Naumun. No pett.'Urso, a auloro oom~ 
p!U".a e con&untà !1\llu. obnu1 em rulaçló ao "\>,~;píril6 do 
tempo", tecendo tbliC'urso~ profundos sobre esses cru-
zamentos cspaç~trotJ)OOIJII, oorpori ficaclo5 a partir t.le 
"""lios f'orm,u,. 
Como tempero cxua pam um c:oudápio repleto de 
dens:ls c 11npomnu:s c:once•waçõcs intelcct~Ws que se 
eompacbm numa k::CI&n de pc>eocas. Roabnd Knuss 
aiod:a nos ((ll'l)CCC anc:doca$ unpmih~ic; soi:Jre as car-
reiras de '--ários dc$!iCJ .,.~..,e as rdações cnue dcs. 
FtCI.DlOS sabc:odo, ror c~mrto, como, antes de ficar 
coobec:ido na Rússia, o JO''CM 'lln.tin .JUI1lOU todas as suas 
economias para 1r tcntJir a vida e:m Pans e se oferec:cr 
como assistente de lllC11..,4iO, lcndo Sido recusado por ele. 
Ou como Martcl Duchanl), \•isit;uldo o at)artamcnto do 
itticianteAie:xandcr C.ldcr, n.pelidou suas obras de ' 'mó-
biles". Està tudo aqui. 
AGRADECIMENTOS 
O prooes50 de rcoonhe«r as dividas imeledua1s 
em que: moom:: um aUior ao ciCf'e'\'CI' um livro é idên· 
tioo, oio raro, à c:xphcaçJo de como de~ernllnado pro· jeto se coocrelitou e J)Or qut tomou sua fonn.a parh~ 
cular. No étlsó do prc~tc 1rubalho, dois g_rupos de 
pes~oas aJudurnm·mc o muldnr meu sentidQ da neces-
sidldc: c do prop6$lto de uma história critictt d3 escul-
tura moderna. Em pnmeiro lu.ear. meus alunos do 
MJ.T. [Massachu:.c!U lnstitutt of Te<:bnology]. da 
Princeton Uni~·er&it)' e do l-lunter CoiJegc-- a quttn bC 
destinao."'UD •rucWmcnlc: meu." es(orços por esclarecer 
dcternunadas ~ c dcset'l\olver uma lmguagem 
descritM.. Sou n ·Klmtemcmt grao P« sua pacitocla 
e toleriacia. ~ia&i q~~e •w.o. por&n. foram. sews pene· 
t:raDlc:s quc:stiocwncrtiOI c sua rdutância em aceitar 
explicações pm:taas que me le\'aram s rcconstder.lr a 
adequação do que ttc: podem de-nominar a visão canõ-
nica do desen\LOI\'ImtlltO dn esculTura no sêculo XX. 
Em teSJ~1 fi busca de clarCI'Jl por pane deles. e minha. 
vi-1uc motivm.la 11 c~lil\:\'1:1' c't~ livro. 
' lendo e m vbt" llh.!ulçar c-... sa clare:r..a, recom a di· 
\ 'CI"'I-'1 l llllU!'I de sr;u\ll..: fljUJ.I lniCICCIUal: COlegas C 
I ' 
amigos críticos, estudiosos e escollores. Lco Stcin· 
bcrg. cujo cns.1io sobre Rodin (oca publicado em Othe.r 
Crlterla) eu havia lido no início da década de 60. foi 
o prime.iro a demonst.rnr·me a impossibilidade de. uma 
concepção <.1.1 esc~•ltura modtma vista como a amite~ 
se da obra deste artista. Minha abordagem sobre Rodin 
nestas páginas deve muito a esse ensaio e. além de o 
tl"'11:to t".((nt('r citaç(ies: de lrechos eo~pedficoJ: do prQtês-
sor Stelnberg. quero registrar aqui a influência mais 
geral que oofri de sua ooncepçãQ da relaçllo de Rodin 
com o modcrnismQ • 
.Paf:t oom Anneue Micbelson, tenho uma dh•ida 
nilo apeo."\s pelo efeito cumulntivo dos ensaios eriticos 
que .. ·em publicando sob~ escuJtura e c inema nos últi-
mos dez anos. mas também pelas várias conversas du-. 
rante as quais ela critiéou, franca c generosamente, o 
meu trabalho. O efeito de seu pensamento teve muito 
a ver oom a imponância assumida pelas questões rcla-
tivns :i temporoJidade na discus....OO que se segue. 
No â.mbito mais scrnl, a comunicklde de trocas com 
oolegas criboos. possjbilitada por meu Cai'b'O de. editoro-
adJunta (b revist.aArt.fomm entre 1971 e 1975,l0j de 
um vaJor iJteSlimá.vel. Além do oonl.3to oorn Anneue 
Michelson c Jcremy Oltbert·ROLfe. quero registrar a 
importãncia de lCJ' tmOOJhado aí com John Coptans e 
RobcrL fin(.US·Witten. t\s criticas deste último. pores-
crito ou velbais., chamaram-me constantemente a aten-
ção para alguns aspectos da produc;~io escultural CQn-
temporãne.'l qoo eu (endia a negligenciar. 
A tarefa de analisar a escultura da déc3da de 80 le-
vou-me a avaliar m.inha própria ootnpretnsão da im-
portãnçia dessa obra. à luz de conversas com vários 
escultores que a criaram, em particular rucho"'rd Serra, 
Robe:rt Smilhson, Mel Boclmer e Roberl Mocris. Sou-
lhes extremamente grata. por sua amizade e generosi-
dade. passada e presente. 
Partes do presente texto foram lidas, em diferentes 
..,;gios ele Seu "-"''~>~Yim<n!O. po< alguos IDlicoa 
meus da comurudadc: da h1Réna da Ane. e eom eb 
di.scutidas. panu.:ularmentc Nan Ptene, euja obra tccr· 
ca do cineuct~ 1110!IU'(MH!t swnamenre esclarece-
dora paro mlm. c Andréc: llayum So\1 profwulamenlc