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TOSSE CRÔNICA

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pela tosse. Antibióticos inalatórios são usados na infecção por pseudomonas na fibrose cística e nas agudizações em casos refratários à antibioticoterapia sistêmica. Broncodilatadores e corticóides inalatórios são administrados nos casos de obstrução ao fluxo aéreo ou na presença de hiperresponsividade brônquica, com boas evidências clínicas de sucesso. O uso sistêmico e prolongado de antibiótico pode produzir efeitos colaterais indesejáveis, com pequeno benefício na diminuição da purulência e volume do escarro. A resposta aos antibióticos em doses habituais ocorre em 50% dos casos, em doses maiores em 30%, e com antibiótico por via inalatória em 20% dos casos (aminoglicosídeos, amoxicilina).
	F. Tuberculose: Possibilidade deve ser excluída nos casos de tosse e expectoração por mais de três semanas, especialmente em regiões com alta prevalência de tuberculose. Solicitar raio x de tórax e duas amostras de baciloscopia de escarro. 
	G. Neoplasia: Pacientes com sinais de alerta, como hemoptise, emagrecimento e/ou tabagismo, devem iniciar investigação com raio x de tórax para excluir neoplasia brônquica.
	H. Tosse psicogênica: A tosse psicogênica é uma causa rara de tosse crônica. Esta tosse é persistente, interrompe as atividades cotidianas e pode causar morbidez a longo prazo. Em contraste com a tosse de origem orgânica, na qual a causa física pode ser diagnosticada, na tosse psicogênica não é observada nenhuma evidência clínica ou laboratorial de doença. O diagnóstico da tosse psicogênica é complicado, porém crucial para o sucesso do tratamento e redução da morbidade deste tipo de tosse crônica. Para isso, o médico especialista deve realizar todos os testes possíveis capazes de apontar causas orgânicas para a tosse, desde as mais comuns até as mais raras. Caso nenhuma hipótese seja confirmada através dos exames, o profissional pode apontar para um diagnóstico de tosse psicogênica e iniciar seu tratamento. A tosse emocional se caracteriza por ser uma tosse alta, seca e que provoca muito incômodo ao paciente. Sua principal característica, no entanto, é ser interrompida durante o sono. Além disso, quadros de infecção respiratória, depressão e estresse no trabalho são fatores de risco para o surgimento de tosse psicogênica. O tratamento da tosse emocional deve passar fundamentalmente pelo combate à causa do problema seja ela um quadro depressivo ou situações de forte estresse pelas quais o paciente esteja passando. Para isso, é necessário buscar aconselhamento psicológico ou psiquiátrico, dependendo da origem da tosse. Existem no mercado remédios antitussígenos, ou seja, que combatem especificamente a tosse. Apesar de apresentarem bons resultados, eles sozinhos não serão capazes de eliminar a tosse caso a origem do problema tenha fundo emocional. Crianças que apresentam tosse com as características da tosse emocional devem ser tratadas de maneira similar aos adultos, com aconselhamento de profissionais especializados em psicologia infantil. Casos de bullying na escola ou abuso por parte de pais e familiares são causas comuns da tosse psicogênica em crianças. Assim que a causa da tosse emocional estiver controlada, o problema irá desaparecer. Desta forma, é possível afirmar que a tosse emocional tem cura. Porém, em alguns casos, o tratamento do problema emocional que provoca a tosse pode levar bastante tempo para ser concluído.
	I. Tosse tabágica: O fumo do tabaco e muitos dos seus componentes, incluíndo a acroleína, acetoaldeído, formaldeído e radicais livres alteram directamente a estrutura e as funções das vias aéreas centrais e periféricas, dos alvéolos, dos capilares e do sistema imunitário do pulmão. Estas alterações provocam alterações inflamatórias nas grandes vias aéreas, com aumento das glândulas secretoras de muco e inflamação das pequenas vias aéreas, provocando obstrução, aumento das resistências e aumento da actividade proteolítica com destruição das paredes alveolares, provocando enfisema e traduzindo-se por uma queda dos débitos aéreos expiratórios (inicialmente ao nível dos pequenos brônquios e seguidamente dos brônquios mais proximais). Além destes mecanismos, temos de considerar a importância da alteração da eliminação de microorganismos da nasofaringe pela mucosa, muco e cílios nasais. Nos fumadores, a frequência dos movimentos dos cílios não está diminuída, mas está afetada devido à perda de cílios e a alterações da viscosidade do muco nasal, o que conjuntamente com as alterações estruturais torna o fumador mais sensível às infecções respiratórias. O fumo do tabaco tem ainda várias substâncias carcinogenicas que induzem o aparecimento de neoplasias. Os efeitos do fumo do tabaco podem-se dividir em Agudos e Crónicos. Efeitos agudos do tabagismo - Exacerbação de asma: existe relação entre a exposição ao fumo do tabaco e o aparecimento de sintomas de asma em crianças e adolescentes e na dificuldade no controlo da doença. Irritação da mucosa nasal e brônquica: pode levar à congestão nasal, espirros e tosse. Constipações, gripe e infecções das vias aéreas inferiores: são mais frequentes nos fumadores e nas crianças expostas ao tabagismo passivo. Pneumonia bacteriana: os fumadores de qualquer tipo de tabaco têm o dobro de Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) em relação aos não fumadores. Tem relação com a duração dos hábitos tabágicos, com o nº de cigarros/dia e com a carga tabágica. Os ex-fumadores têm uma redução de 50% na incidência após 5 anos de cessação. Nas PAC graves, o espectro microbiológico dos fumadores é diferente, devendo-se considerar a hipótese de Gram- nestes doentes. Pneumotórax espontâneo: fumar é o principal factor de risco. Nos fumadores a sua incidência está aumentada e está também relacionada com uma maior frequência de recaídas. Tuberculose: o risco de infecção a Mycobacterium tuberculosis, aumenta com o nº de cigarros fumados. Efeitos crônicos do tabagismo - Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC): O tabaco é a principal causa de DPOC. Cerca de 15% dos fumadores de 20 cigarros/dia e 25% dos fumadores de 40 cigarros/dia irão desenvolver esta doença. Em Portugal, no estudo Pneumobil, 25% dos fumadores e ex-fumadores apresentavam obstrução brônquica. Os fumadores têm ainda um risco dez vezes superior de morrer por DPOC, em comparação com os não fumadores. O risco de DPOC está aumentado nas mulheres. Segundo alguns estudos, 90% dos casos de DPOC na mulher são devido ao tabaco. A função pulmonar diminui precocemente nas fumadoras. Em alguns países, como os EUA e Austrália, o número de mulheres com DPOC já ultrapassou o número de homens. A cessação tabágica é a única intervenção eficaz para evitar a doença e diminuir a progressão da DPOC. O tratamento apenas diminui os sintomas e as complicações. Deixar de fumar aumentar a sobrevida e há melhoria dos sintomas, como a tosse e expectoração, após algumas semanas/meses. Existe melhoria da função respiratória e a mortalidade reduz-se para 50%, dez anos após a cessação tabágica. Patologia do Interstício - A Fibrose Pulmonar Idiopática: é mais frequente nos grandes fumadores. A explicação pode ter a ver com os efeitos do tabaco nos processos inflamatórios do pulmão, na função imunitária e na permeabilidade vascular. Existe tambem associação entre a carga tabágica e a gravidade da doença do intersticio nos doentes com artrite reumatoide. Neoplasia do pulmão: O fumo do tabaco tem inúmeras sustâncias cancerígenas provocando o dobro da mortalidade por cancro nos fumadores e quatro vezes mais nos grandes fumadores em relação aos não fumadores. Estima-se que: Um consumo de 40 cigarros por dia expôe a um risco de cancro do pulmão, duas vezes maior do que no fumador de 20 cigarros /dia. O início dos hábitos tabágicos também tem influência, tendo aqueles que começam a fumar antes dos 15 anos, um risco 4 vezes superior aos que iniciam após os 25 anos. Se a duração do tabagismo fôr multiplicada por 2, o risco multiplica-se por 24 a 2 5. A utilização de filtros e/ou cigarros light ou ultra light modifica muito pouco esta mortalidade.