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O SISTEMA DE EDUCAÇÃO E A REPRODUÇÃO DA DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL

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FACULDADE SÃO JUDAS TADEU
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO
DENYSE REIS DE LIMA FRANÇA
 BREVE REFLEXÃO SOBRE O SISTEMA DE EDUCAÇÃO E A REPRODUÇÃO DA DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL
Rio de Janeiro
2017.2
APRESENTAÇÃO
Objetiva-se nesse artigo refletir sobre a organização do sistema educacional brasileiro, tendo como base uma breve discussão da legislação e das políticas educacionais do Brasil, percebendo o entrecruzamento na análise dessa problemática, Saviani (1999, 2000), Azevedo (1976), Paro (2001), entre outros.
DESENVOLVIMENTO
No Brasil, cada vez mais se tem discutido sobre o tema educação. Aliás, um tema bem oportuno diante da massa estudantil que realizará um dos maiores exames do país, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Todos sabem que a educação é um direito social de todos, assegurado pela Constituição Federal, desde 1988 e pela lei 9394/96 – Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB), leis que regem nosso sistema educacional. É importante destacar, que a organização do ensino ocorre por meio dos sistemas de ensino federal, estadual e municipal. 
A idealização de um sistema educacional no Brasil não é tão nova, ela remonta ao século XIX, a partir daí os principais países foram instalando seus sistemas nacionais de ensino e foi assim que se universalizou a escola básica de ensino fundamental (antigo ensino primário) garantindo a erradicação do analfabetismo. Todavia, o Brasil não seguiu a mesma orientação e, com isso as oportunidades foram se perdendo. O motivo aparente foi por causa das elites dirigentes dos grupos políticos, governantes brasileiros que nunca assumiram essa questão em âmbito nacional. 
Para Fernando Azevedo, ao se tratar do assunto fundamentos do sistema educativo não se pode deixar de lado as iniciativas de trabalho dos jesuítas no século XVI, no que diz respeito às primeiras escolas do país, onde [...] lançaram entre perigos e provações, os fundamentos de todo um vasto sistema de educação que se foi ampliando progressivamente com a extensão territorial do domínio Português (AZEVEDO, 1976, p.11). 
Desse modo, percebe-se que a ideia de sistema educacional já estava presente e vinha se desenvolvendo desde as primeiras classes escolares. Conforme Serafim Leite, [...] no mesmo momento da inauguração de Salvador (Bahia), praticamente na quinzena seguinte que desembarcaram os jesuítas, imediatamente começou a funcionar uma escola de ler e escrever – inaugurando assim, sua politica de ensino. (LEITE, apud AZEVEDO, 1976, p. 11).
É importante destacar que a escola pública, a mesma que existe hoje, surge tardiamente, mesmo tendo passado por várias formas de educação que se apresentaram no decorrer da história da educação no Brasil. Pode-se concluir que a estruturação de um sistema público é uma conquista do século passado. Desse modo, se observa a forte presença do ensino privado e a tímida do público desde o seu início. 
Desde as primeiras iniciativas de implantação de um sistema de educação, o termo “sistema” se tornou comum e frequente, fazendo com que todos o utilizassem sem saber exatamente o seu significado. Por fim, o mau uso desse conceito acaba se tornando um equívoco. Então, nos dias de hoje, é necessário rever esse conceito, pois o próprio se refere a conjunto, trata-se intencionalmente de promover a unidade de vários elementos entrelaçados. 
Saviani aconselha substituir a palavra “sistema” por “estrutura” porque é não intencional, pois estrutura implica:
[...] a própria textura da realidade; indica a forma como a coisa se entrelaça entre si, independente do homem e às vezes envolvendo o homem [...] O homem sofre a ação das estruturas, mas, na medida em que toma consciência dessa ação, ele é capaz de manipular a sua força, agindo sobre a estrutura de modo a lhe atribuir um sentido (SAVIANI, 2000, p. 82).
	Nessa trajetória percebe-se que o Brasil vai precisar de muito mais tempo para cumprir a determinação da Constituição, no que diz respeito a garantia do ensino fundamental ao povo. Nosso sistema de educação reflete as desigualdades educacionais do país. A educação sempre foi considerada um bem, e por ela é se que abrem oportunidades para a vida. A cada ano que passa o nível escolar dentro das famílias brasileiras vem aumentando. Os índices apontam que mais da metade dessa população, já ultrapassou a escolaridade dos pais. A outra parte compõe o conjunto de dados da evasão escolar e da baixa escolaridade. Todavia, não é suficiente concluir que na Educação Básica ou mesmo no Ensino Superior a qualidade da aprendizagem é ruim e o jovem não se apropria das habilidades e competências que se exigem para o exercício da condição cidadã dos tempos modernos. É preciso entender que a mobilidade em educação por aqui ainda é pequena entre uma geração e outra. Nos grupos mais pobres, onde existem pais analfabetos o percentual de filhos que conseguem concluir uma graduação de nível superior é inferior se for comparado com as camadas privilegiadas.
Entretanto, esta questão está longe de ser solucionado, pois a educação brasileira vai deixando rastros de contradição. Se de um lado, a educação é o caminho da ascensão social e a base concreta para o progresso de um país, do outro a baixa escolarização e a situação socioeconômica do Brasil influenciam diretamente na mobilidade educacional e a qualificação da aprendizagem e vai reproduzindo desigualdades econômicas, o que interfere na questão educacional. 
Importa, pois, empreender uma análise que vá além, para desvendar o que já foi descrito. No que se referem ao Sistema Educacional Brasileiro, os primeiros tiveram longa duração, vigorando por vários anos. Além disso, teve caráter excludente e desfavoreceu grande parte do povo e garantia o acesso à educação somente à elite brasileira. Conforme Ribeiro (1989), ao referir-se a esse longo período afirma que éramos um país de Doutores e Analfabetos, pois tínhamos cursos superiores para poucos e escassos recursos para a escola pública.
	
CONCLUSÃO
	Reconhece-se que, através da Constituição de 1988, que a educação é um direito humano fundamental e é essencial para se exercitar todos os direitos. A escolarização ajuda a desenvolver no homem potencialidades ao permitir a ele o seu pleno desenvolvimento, preparo para a cidadania e qualificação para a vida. 
Todavia, na desigualdade social, a educação não vale o mesmo para todos. Em nossa realidade desempenho escolar diretamente relacionado ao grau de instrução dos pais, o um indicador socioeconômico. Haja vista, o circulo vicioso de cesso à universidade que chega a se assemelhar a um "jogo de cartas marcadas". Onde o sistema educacional abriga uma escola para a camada social rica e uma escola para a camada social pobre. Muitas vezes a peculiaridade de um grupo social já condiciona, e as chances, de partida já condicionam o jogo. Caberia a escola diminuir a reprodução da desigualdade, diminuindo o abismos entre pobres e ricos. Mas não é bem assim. As famílias brasileiras de classe média e alta pode escolher aonde estudar aumentando assim as chances ascensão. 
	Isso demonstra que a educação tem sido uma ferramenta para a reprodução da desigualdade na formação educacional. Essa desigualdade torna-se relevante quando são aliados a renda e o nível de escolarização dos adultos da família. Observa-se que, quanto maior a renda familiar maior a escolarização. Por isso, é perversa a má qualidade na formação de crianças e jovens das camadas desfavorecidas. Nisso, se o sistema educacional responde aos apelos da elite, que considera inaceitável destinar qualquer recurso público para educação pública. 
	A desigualdade foi estabelecida pelos homens e tende se acumular. Desse modo, pode se compreender que os oriundos de uma família modesta terá menos chance de galgar níveis mais altos de escolarização. Assim, o círculo vicioso da desigualdade permanece, parece não ter fim, e isso interrompe o sonho de muitos que almejam pela educação

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