Farmacologia 02 - Absorção e Distribuição dos Fármacos
6 pág.

Farmacologia 02 - Absorção e Distribuição dos Fármacos


DisciplinaFarmacologia para Enfermagem675 materiais22.892 seguidores
Pré-visualização3 páginas
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FARMACOLOGIA \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
1
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
FARMACOLOGIA
ABSORÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DOS FÁRMACOS
(Professora Edilene Bega)
A não ser que atue topicamente, o fármaco deve ser absorvido, penetrar no sangue e ser distribuído ao longo do 
organismo até alcançar o seu local de ação. O fármaco deve, então, deixar o espaço vascular e penetrar nos espaços 
intracelulares e/ou extracelulares para atingir o órgão alvo.
De nada adiantaria, exceto para aqueles fármacos cujo sítio de ação se encontra nos próprios vasos, que o 
fármaco permanecesse aprisionado no compartimento vascular. Ele precisa, em um dado instante, deixar o 
compartimento vascular para alcançar seus respectivos sítios de ação (membranas plasmáticas, organelas, enzimas, 
etc.).
A velocidade com a qual uma droga atinge seu local de ação depende da sua taxa de absorção e sua taxa de 
distribuição, que determinam diretamente o período de latência do referido fármaco (tempo percorrido desde a 
administração do fármaco em um determinado local até a manifestação de seu efeito terapêutico). Em termos práticos, a
absorção diz respeito à passagem da droga de seu local de administração para o sangue; a distribuição envolve o 
transporte da droga para os tecidos. Vários fatores interferem nessas duas taxas, como veremos ao longo deste 
capítulo.
ABSOR‚O
Absorção é definida como a passagem do fármaco do local depositado, através da administração, para a 
corrente sanguínea (a única via que ignora a etapa de absorção é, obviamente, a via endovenosa, uma vez que o 
fármaco já seria depositado diretamente na corrente sanguínea).
Os fatores que interferem na absorção das drogas são:
\uf0fc Membranas biológicas;
\uf0fc Propriedades físico-químicas das moléculas da droga: o fármaco deve apresentar um caráter lipossolúvel para 
sofrer absorção, mas deve sempre apresentar um certo grau de hidrossolubildade para garantir seu transporte
através do meio aquoso predominante dos sistemas;
\uf0fc Modalidade de absorção das drogas: a maioria dos fármacos atravessa as barreiras biológicas por difusão 
passiva quando se encontram livres no plasma;
\uf0fc Locais de absorção das drogas e vias de administração.
MEMBRANAS BIOLÓGICAS
Tomando como base as características estruturais e funcionais das 
membranas biológicas, temos que algumas substâncias são translocadas por 
mecanismos de transporte especializados; filtradas através dos poros membranosos 
(compostos polares pequenos); ou difundidas através das membranas lipídicas.
Em se tratando de difusão de lipídios nessas membranas biológicas, 
substâncias apolares penetram livremente nas membranas celulares por difusão. 
Esse fator constitui um dos determinantes mais importantes da farmacocinética de 
uma determinada droga.
O coeficiente de permeabilidade da membrana plasmática determina o 
número de moléculas que atravessam a membrana por área na unidade de tempo.
Os fatores que contribuem com o cálculo desse coeficiente são:
\uf0fc Solubilidade da membrana: coeficiente de partição para a substância 
distribuída entre as faces da membrana e o ambiente aquoso.
\uf0fc Difusibilidade: coeficiente de difusão.
PARTIÇÃO DO PH E RETENÇÃO DE ÍONS
No interior de cada compartimento, a relação entre substâncias ionizada e não-ionizada é controlada pelo pK da 
substância e pelo pH do compartimento. É esse pH que influencia diretamente a absorção do fármaco em um dado 
compartimento. O pK (constante de ionização de substâncias ácidas e básicas) determina a capacidade do ácido ou da 
base de doar ou receber prótons, respectivamente.
\uf0fc B + H+ \uf0e0 BH+ pKa = pH + log10 [BH+]/[B ]
\uf0fc AH \uf0e0 A- + H+ pKa = pH + log10 [AH]/[A- ]
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FARMACOLOGIA \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
2
BH+ e A- representam, respectivamente, uma base e um ácido na sua forma iônica. Nessa forma, essas 
substâncias apresentam uma lipossolubilidade muito baixa, sendo praticamente incapazes de atravessar a membrana.
Ao contrário disso, toda substancia iônica tem grande afinidade com a água, sendo, portanto, hidrossolúvel.
Já B e AH representam, respectivamente, uma base e um ácido na suas formas não-ionizadas, sendo assim 
lipossolúveis o suficiente para permitir passagem rápida pela membrana.
Para entender o comportamento de um fármaco com ambos os caracteres, observe os seguintes gráficos:
\uf0fc Os ácidos são compostos instáveis, se ionizando quando doam prótons. Quanto menor for o valor numérico do pK, em uma 
escala de 1 a 14, mais forte ele é e mais fácil se ioniza (A-). O gráfico acima, referente à curva de ionização dos ácidos 
(esquerda), diz o seguinte: quanto menor for o pH do meio (quanto maior for a concentração de hidrogênio), a reação de 
dissociação dos ácidos será deslocada para a esquerda, ou seja, o ácido permanecerá na sua forma molecular (e portanto, 
lipossolúvel). Já quando o pH do meio aumenta, a concentração de H+ diminui, deslocando a reação para a direita, fazendo 
com que o ácido passe para a sua forma iônica e polar (portanto, não-lipossolúvel).
\uf0fc As bases geralmente são moléculas estáveis e se ionizam quando elas recebem prótons. Quanto maior o valor numérico do 
pKb, em uma escala de 1 a 14, para as bases, mais forte ela é e mais facilmente se ioniza (BH+). O gráfico acima, referente à 
curva das bases (direita), diz o seguinte: quanto menor for o pH do meio (quanto maior for a concentração de hidrogênio), a 
reação de conjugação da base será deslocada para a esquerda, fazendo com que este se mantenha na sua forma polar (e 
portanto, não-lipossolúvel). Já quando o pH do meio aumenta, a concentração de H+ diminui, deslocando a reação para a 
direita, fazendo com que a base passe, gradativamente, para a sua forma molecular (portanto, lipossolúvel).
\uf0fc Para se identificar a quantidade de moléculas que foram ou não absorvidas, comparando duas substâncias de mesmo 
caráter, utiliza a seguinte regra: quando o valor do pKa,b de uma substância se iguala ao valor numérico do pH do meio, a 
reação estará em equilíbrio, ou seja, a concentração referente as formas do fármaco estará: 50% da forma ionizada e 50% 
da forma não-ionizada. Observe os exemplos:
Ex: Uma droga de caráter ácido com pKa=2. Observe seu comportamento em três compartimentos:
\uf0fc Se o fármaco estiver submetido a um pH=2, como seu pKa=2, teríamos 50% na 
forma iônica e 50% na forma não-iônica.
\uf0fc Se o pH do compartimento for maior que 2, o fármaco tenderá a entrar em sua 
forma iônica (A-) ou protonada, sendo ela não-lipossolúvel e permanecendo, cada 
vez mais, ionicamente aprisionado.
\uf0fc Se o pH do meio for menor que 2, o fármaco se apresentará mais na sua forma 
protonada (AH), sendo assim lipossolúvel, não ficando aprisionado nesse 
compartimento.
Ex²: Uma droga de caráter básico com pKb=8. Observe seu comportamento em três compartimentos:
\uf0fc Se o fármaco estiver submetido a um pH=8, como seu pKb=8, teríamos 50% na 
forma iônica e 50% na forma não-iônica.
\uf0fc Se o pH do compartimento for maior que 8, o fármaco tenderá a permanecer em 
sua forma molecular (B), sendo ela lipossolúvel e não ficaria aprisionado nesse 
compartimento.
\uf0fc Se o pH do meio for menor que 8, o fármaco se apresentará mais na sua forma 
iônica (BH+), sendo assim não-lipossolúvel, permanecendo aprisionado nesse 
compartimento. Indo mais a fundo: se o pH do meio for 6, por exemplo, teremos 
uma fração x% ionizada. Se o pH diminuir mais ainda (pH=3, por exemplo), 
termos 2.x% ionizada, ficando mais aprisionada ainda neste compartimento.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FARMACOLOGIA \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
3
OBS1: Aprisionamento iônico. É um fenômeno que acontece quando o fármaco se 
encontra na sua forma dentro de determinados compartimentos e, nesta forma, fica 
impedido de sofrer absorção. Daí, temos o seguinte raciocínio:
\uf0fc Droga ácida se acumula em regiões de pH básico;
\uf0fc Droga básica se acumula em regiões de
Milla
Milla fez um comentário
K.P.M, sexo masculino, 38 anos, morador da Zona Rural do Rio de Janeiro começou a apresentar sintomas de tosse, febre, perda de apetite, suor noturno e a reclamar de fadiga. Na ocasião, o mesmo não procurou o serviço de saúde para se tratar. Com o passar dos dias a tosse não cessava e ele notou presença de sangue ao tossir. Urgentemente K.P.M procurou o serviço de saúde onde realizou exames e foi comprovado o diagnóstico de tuberculose. O médico então me receitou o medicamento rifampicina 300 mg 2 x ao dia por um período de 6 meses. Com 4 meses de tratamento, K.P.M apresentou uma dor estomacal e iniciou por conta própria o medicamento Omeprazol 300 mg 3 x ao dia mas ainda assim o desconforto estomacal não melhorava. Explique com seus conhecimentos em farmacologia o que está acontecendo biologicamente com K.PM.... Veja mais
0 aprovações
Carregar mais