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ED THAU III 5º SEMESTRE UNIP TODOS OS MÓDULOS

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Revisão: A linguagem Clássica: Proporção e Harmonia
Base bibliográfica principal: SUMMERSON, John. A linguagem clássica da arquitetura.
São Paulo: Martins Fontes, 2006.
 
A partir de Summerson (2006), fundamentação do conceito “Clássico” como linguagem e
orientação sobre as regras de utilização no âmbito da Arquitetura e Urbanismo. A
gramática da antiguidade. A re-invenção da gramática clássica no século XVI. Breve
escopo sobre os tratadistas e sua produção a partir da leitura de Vitruvius. As ordens
arquitetônicas e a harmonia como premissa.
 
O que é Clássico?
A palavra “clássico” tão presente em nosso vocabulário cotidiano quando utilizada no
campo da arquitetura urbanismo demanda um trabalho de desambiguação.
 
Para além de cortes de cabelos, estilos de penteado, roupas, figurinos, obras literárias e os
mais diversos mobiliários, dos quais alguns exemplares são apresentados ao público como
“modelos clássicos”. Em arquitetura, é preciso entender o classicismo como uma
linguagem e não como um estilo construtivo.
Móveis trabalhados pelo marceneiro Thomas Chippendale nos anos de 1750 são posteriormente utilizados em profusão na
Europa do Século XIX.
De forma bastante simplificada, podemos dizer que um estilo marca períodos da história
arquitetura que são visualmente definidos por características formais específicas, contudo
para além da apreensão estética pura e simples subjaz uma história das tecnologias
construtivas, as transformações do universo sensível, a influência dos grandes mestres
que acabam ampliando o alcance e a difusão desse “savoir faire”, além, é claro, das
disponibilidades materiais passíveis de variação de região para região.
Por esta linha, Summerson (2006, p. 4-12) propõe a consideração de apenas dois
significados a serem aplicados ao universo da arquitetura e urbanismo. “O primeiro é o
mais óbvio: um edifício clássico é aquele cujos elementos decorativos derivam direta ou
indiretamente do vocabulário arquitetônico do mundo antigo – o mundo ‘clássico’, como
muitas vezes é chamado”.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As ordens da arquitetura. Com esta gravura em madeira, de
1540, Sebastiano Serlio começou seu tratado sobre as “cinco
maneiras de construir”.
 
Contudo, apesar de clara, essa primeira definição é superficial. Segundo Summerson,
permite reconhecer o uniforme, porém nada diz sobre a essência do classicismo na
arquitetura. Essa essência seria a harmonia inteligível do edifício, cuja base é a proporção
de todas as partes ordenadas por razões aritméticas relacionadas entre si. Aí, subentende-
se também a idéia de ritmo, já que a repetição sucessiva de determinados elementos
estruturais ou decorativos também foi estudada e regulada por Vitrúvio e seus sucessores
no Renascimento. Exemplo disto são os diversos tipos de intercolúnio que como em uma
orquestra determinam o “andamento” de um edifício. Summerson (2006, p.23) menciona
o próprio registro vitruviano e apresenta o picnóstilo, ordenado em razão de 1 ½ do
diâmetro das colunas, o sístilo, o êustilo, o diastilo e finalmente, o mais largo araeóstilo
com 4 diâmetros de coluna.
 
Ao destacar a profusão tratadista do período Renascentista, Summerson (2006) enfatiza o
grande feito da Renascença que para além da imitação dos edifícios romanos, restabeleceu
a gramática clássica como disciplina universal – a disciplina herdada do passado remoto da
humanidade e aplicável a todos os empreendimentos dignos de nota.
 
Após a presente introdução recomendamos a leitura dos dois primeiros capítulos de
Summerson que na edição do ano de 2006 abrange as páginas 3 a 37. Pedimos
atenção nessa leitura no sentido de ciente da proposta desse autor procure entender o
classicismo como uma linguagem apta a tornar-se parte constituinte de diversos estilos
arquitetônicos desde o Renascimento até alguns exemplares da modernidade. Assim, será
possível compreender que mesmo o Barroco, teorizado por Argan como “anticlássico”,
utiliza com intensidade a linguagem classicista, obviamente, retrabalhada, simplificada e
invariavelmente ampliada para apreender a escala colossal de seus edifícios.
 
TRABALHO PARA ESTUDO:
 
Ficha de leitura:
 
SUMMERSON, John. A Linguagem Clássica da Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes,
2006, p.3-37.
 
Assistir o documentário BBC – Construindo um Império – Roma.
 
Disponibilizado em:
http://www.youtube.com/watch?
v=DoJeuS5ahXc&list=FLTV8W4yImXNctEP38Gatr1g&index=6&feature=plpp_video
 
Módulo 01: Arquitetura do Renascimento, Tratados e obras, a atuação de Filippo Brunelleschi
 
Base bibliográfica:
ARGAN, Giulio Carlo. Clássico e Anticlássico. São Paulo: Cia. Das Letras, 1999.
SEVCENKO, Nicolau. Renascimento. São Paulo: Editora Atual, 2001.
Focar leitura nos Tópicos de destaque:
Ação humana na sociedade sob a perspectiva da produção de imagens. Platão e
Aristóteles. O demiurgo e o mundo dos homens. Preeminência do pensamento aristotélico
a partir do final da Idade Média. Preâmbulo do Renascimento. Utilização da perspectiva e
processo de subjetivação. Criação individualizada. Periodização: Trecento, Qattrocento,
Cinquocento. Cidade e ornamentação. A Cúpula. As transformações urbanas.
 
Observação inicial importante:
Cuidado ao fazer referência aos países europeus e suas divisões político-administrativas no
período anterior ao século XX. A Europa foi e, de certa forma, ainda é um continente em
transformação. Ao falarmos em Renascimento, principalmente, em ser berço de
nascimento na península Itálica é preciso lembrar que o país Itália na forma que
entendemos hoje, dado a sua unificação tardia, constitui-se como uma entidade política e
administrativa no ano de 1871 com integração do Vaticano, último e mais resistente
“Estado” independente.
 
 
A Itália Renascentista constitui-se em um conjunto cidades independentes e reinos que
dominam um determinado território e mantém um luta constante pela hegemonia
comercial nesse momento de formação de uma economia de trocas de base capitalista.
No campo filosófico o Renascimento emerge ao final do grande embate entre os
enunciados de Platão e Aristóteles. A produção artística e arquitetônica espelha esse
embate. Se durante quase toda a Idade Média é intrínseca a associação entre Deus e
beleza, temos então que as idéia, de harmonia e proporção, são entendidas como
rebatimento nunca completo dessa perfeição superior.
Platão (428/427 a
348/346 a.C)
 
Belo é o bem, a verdade, a
perfeição, existe por si e
para além do mundo
sensível.
 
Concepção do belo se afasta
da interferência e do juízo
humano. Portanto, não seria
uma responsabilidade
humana o julgamento do
que é ou não belo.
 
Platão aponta para duas
direções:
 
O mundo das idéias: plano
superior, o conhecimento,
que é, ao mesmo tempo,
absoluto e estático;
 
O mundo das coisas, dos
humanos. Este, de
aparência sensível, é
constituído pela imitação de
um ideal concebido no
mundo das idéias: portanto,
num processo de cópia.
 
Aristóteles (384-322 a.C)
 
Diferentemente de Platão,
acredita que o belo seja
inerente ao homem, afinal,
a arte é uma criação
particularmente humana e,
como tal, não pode estar
num mundo apartado
daquilo que é sensível ao
homem.
 
A beleza de uma obra de
arte é assim atribuída por
critérios tais como
proposição, simetria e
ordenação, tudo em sua
justa medida.
 
 
Em contrapartida, na Renascença o artista passa para uma dimensão maior, não de mero
imitador, nem de um serviçal de Deus, mas de um criador absoluto, cujo potencial genial
faz surgir uma arte de apreciação, de fruição.
 
Para entender e diferenciar cópia do conceito de representação, objetivação do real que
implica necessariamente uma relação entre sujeito e objeto, ver Argan (1999, p.134).
Exemplo do universo sensível bizantino: Nikitari - Chipre.
Exemplo do universo sensível renascentista:
Capela Cistina:

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