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Linguagem e Linguística - John Lyons (livro completo)

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JOHN LYONS 
Professor de Lingüística, Universidade ~e Sussex 
LINGUA@~~ e 
LINGÜÍSTICA 
uma introdução 
Tradução: 
Marilda Winkler Averbug 
Mestre em Lingüística - Museu Nacional, UFRJ 
Professora do Departamento de Letras e 
Doutoranda em Lingüística Aplicada - PUC/ RJ 
Clarisse Sieckenius de Souza 
Mestranda do Departamento de Letras, PUC/RJ 
GUANABARA~KOOGAN 
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Título do original: 
Language and Linguistics 
Tradução autorizada da primeira edição inglesa, publicada em 1981 
por Cambridge University Press, Inglaterra 
Copyright e by Cambridge University Press 1981 
Ali rights reserved 
Direitos exclusivos para a língua portuguesa 
Copyright e 1987 by 
EDITORA GUANABARA KOOGAN S.A. 
Travessa do Ouvidor, 11 
Rio de Janeiro, RJ - CEP 20040·040 
Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou 
reprodução deste volume, ou de partes do mesmo, 
sob quaisquer formas ou por quaisquer meios 
(eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, ou outros), 
sem permissão expressa da Editora. 
Índice 
.'Vota dos Tradutores 
Prefácio 
l. Linguagem 
• 1.1 O que é lingua(gem)? 
1.2 Algumas definições de 'lingua(gem)' 
1.3 Comportamento lingüístico e sistemas lingüísticos 
1.4 Língua e fala 
1.5 O ponto de vista semiótica 
1.6 A ficção da homogeneidade 
1.7 Não há línguas primitivas 
2. Lingüística 
2.1 Ramificações da lingüística 
- "2.2 A lingüística é wna ciência?· 
- 2.3 Terminologia e notação 
2.4 A lingüística é descritiva, não prescritiva 
~ 2.5 Prioridade da descrição sincrónica 
• 2.6 Estrutura e sistema 
3. Os Sons da Língua 
3.1 O meio fónico 
3.2 Representação fonética e ortográfica 
3.3 Fonética articulatória 
3.4 Fonemas e alofones 
3.5 Traços distintivos e fonologia supra-segmenta! 
9 
11 
15 
15 
17 
21 
24 
29 
35 
37 
43 
43 
45 
53 
54 
60 
64 
71 
71 
73 
76 
87 
91 
96 3.6 Estrutura fonológica FC ______ __. 
6 Lingua(gem) e Lingüística 
4. Gramática 
4.1 Sintaxe, flexão e morfologia 
4.2 Gramaticalidade, produtividade e arbitrariedade 
4.3 Partes do discurso, classes formais e 
categorias gramaticais 
4.4 Outros conceitos gramaticais 
4.5 Estrutura de constituintes 
~:>4.6 A gramática gerativa 
J. Semântica 
101 
101 
105 
109 
113 
117 
123 
133 
5.1 A diversidade do significado 133 
5.2 Significado lexical: 
homon ímia, polissemia, sinonímia 140 
5.3 Significado lexical: sentido e denotação 146 
5.4 Semântica e gramática 150 
5.5 Significado de sentença e significado de enunciado 157 
5.6 Semântica formal 163 
6. Mudança Lingüística 
6.1 Lingüística histórica 
6.2 Famílias de línguas 
6.3 O método comparativo 
• 6.4 Analogia e empréstimo 
6.5 As causas da mudança lingüística 
, 7. Algumas Escolas e Movimentos Modernos 
l O historicismo 
2 O estruturalismo 
3 O funcionalismo 
4. O gerativismo 
~ 8. A Linguagem e a Mente 
8.1 A gramática universal e sua relevância 
'-' 8.2 Mentalismo, racionalismo e inatismo 
o 8.3 A linguagem e o cérebro 
8.4 Aquisição da linguagem 
8.5 Outras áreas da psicolingüísHca 
8.6 Ciência cognitiva e inteligência artificial 
170 
170 
174 
181 
189 
194 
201 
201 
203 
207 
211 
219 
219 
222 
228 
231 
236 
239 
Cndice 7 
linguagem e Sociedade 244 
9 .1 Sociolingüística, etnolingüística e psicolingüística 244 
9.2 Sotaque, dialeto e idioleto 246 
9.3 Padrões e vernáculos 253 
9.4 Bilingüismo, mudança de código e diglossia 257 
9.5 Aplicações práticas 262 
9.6 Variação estilística e estilística 265 
10. Linguagem e Cultura 
10.1 O que é cultura? 
10.2 A hipótese Sapir-Whorf 
10.3 Termos que denominam cores 
10.4 Pronomes de tratamento 
10.5 Justaposição cultural, difusão cultural e 
possibilidade de tradução 
Bibliografia 
índice Analítico 
273 
273 
275 
283 
287 
291 
300 
317 
1 
Linguagem 
1~1 O que é .-ª-lingua(gem)? 
A linguística é o estudo científico da lingua(gern). À primeira vista esta de-
finição - que se encontra na · r rte os 1vros e tratamentos gerais 
do assunto - é suficientemente direta. Porém, qual o significado exato 
de "lingua(gem)" e de "científico"? Poderá a lingüística, tal como é prati-
cada atualmente, ser corretamente descrita corno urna ciência? 
A pergunta "O que é a lingua(gem)?" é comparável - e alguns diriam 
quase tão profunda quanto - a "O que é a vida?", cujas pressuposições 
circunscrevem e unificam as ciências biológicas. Evidentemente, "O que é 
a vida?" não é o tipo de pergunta que um biólogo tenha constantemente 
diante de si em seu trabalho cotidiano. Tem uma natureza muito mais filo-
sófica. E,· assim corno outros cientistas, o biólogo normalmente está por 
demais imerso nos detalhes de algum problema específico para poder pesar 
as implicações de questões tão gerais. Contudo, o suposto significado da 
pergunta "O que é a vida?" - a pressuposição de que todos os seres vivos::' 
compartilham de algumas propriedades ou de algum conjunto de propriefl,. 
dades que os distinguem das coisas não-vivas - estabelece os limites da~ 
investigações do biólogo e justifica a autonomia, ou a autonomia parcial, 
de sua disciplina. Embora se possa dizer que a pergunta "O qiJe é a vida?", 
neste sentido, fornece à biologia a sua própria razão de ser , não se trata 
tanto da pergunta em si quanto da interpretação particular que o biólogo 
a ela atribui e do desvendar de suas implicações mais detalhadas dentro de 
uma estrutura teórica atualmente aceita que alimentam a pesquisa e as 
especulações diárias destes cientistas. O mesmo ocorre com o lingüista em 
relação à pergunta "O que é a lingua(gem)?". 
A primeira observação sobre "O que é a Jingua(gem)?" é que a pala-
vra "lingua(gem)" aparece no singular e precedida de artigo definido.n 
n A pergunta em questão no original é "What is language?". Ciente da ambigüidade 
do termo 'language' no inglês, o autor apresenta uma explanação sobre os dois signi-
ficados possíveis, que em português são dois vocábulos distintos: 'língua' e 'lingua-
gem'. (N. do T.) 
15 
Jorge
Arrow
Jorge
Underline
16 Lingua(gem) e Lingüística 
Assim formulada, ela difere, gramaticalmente, senão pelo sentido, da per-
gunta "O que é uma lingua(gem)?", superficialmente semelliante. Diversas 
línguas européias. têm duas traduções, e não uma, para o vocábulo inglês 
la,_ngua~e: haja vista o francês langage: laniue, o italiano linguaggio: lingua 
e o espanhol lenguaje: lengua. Em cada um dos· casos, a diferença entre as 
duas palavras está correlacionada, até certo ponto, com a diferença entre 
os dois sentidos da palavra inglesa "language ". n Por exemplo, em francês a 
palavra langage é usada com referê~cia à linguagem em geral, e a palavra 
langue aplica-se às diferentes língua1. De tal forma que o inglês permite a 
seus falantes dizer de alguma pessoa que não só "he possesses a /anguage" 
" ["ele possui uma língua] (inglês, chinês, malaio, suaili etc.), mas que "he] 
possesses language" ["ele é dotado de linguagem"). Filósofos, psicólogos 
.,. e lingüistas freqüentemente salientam que é a posse da linguagem o que ~ 
mais claramente distingue o homem dos outros animais. No presente capí-
' tulo analisaremos a essência desta afirmação. Quero enfatizar aqui o fato 
... óbvio, mas importante, de que não se pode possuir (ou usar) a linguagem r 
natural sem possuir (ou usar) alguma língua natural específica. · ., 
Acabo de mencionar os termos 'lingua(gem) natural', o que levanta 
uma outra questão. A palavra 'lingua(gem)' aplica-se não apenas ao inglês, 
malaio, suaíli etc. - ou seja, ao que todos concordariam em chamar ade-
quadamente de línguas - mas a uma série de.Qfil.ros sistemas de comuni-
.cação, notação ou cálculo,