A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
9 pág.
As doenças decorrentes de imunodeficiência envolvem o mau funcionamento do sistema imunológico

Pré-visualização | Página 2 de 3

adquirida (AIDS), que é a doença de imunodeficiência adquirida mais grave e frequente.
Desnutrição - quer seja de todos os nutrientes ou de apenas um nutriente - pode danificar o sistema imunológico. Quando a desnutrição causa uma perda de peso até menos de 80% do peso recomendado, o sistema imunológico é afetado. Uma redução de 70% ou mais conduz, habitualmente, a uma debilitação grave.
Sintomas
Pessoas com uma doença decorrente da imunodeficiência tendem a contrair infecções constantes. Geralmente, as infecções respiratórias (como infecções dos seios nasais e pulmões) surgem primeiro e repetem-se com frequência. A maior parte das pessoas vai desenvolvendo infecções bacterianas graves que persistem, reincidem, ou levam a complicações. Por exemplo, as dores de garganta e as infecções respiratórias comuns podem evoluir para uma pneumonia. No entanto, ter muitos resfriados não sugere, necessariamente, uma doença decorrente da imunodeficiência.
As infecções da boca, olhos e trato digestivo são frequentes. As aftas, uma infecção da boca provocada por fungos, podem ser um primeiro sinal de uma doença decorrente de imunodeficiência. Podem se formar feridas na boca. As pessoas podem ter uma doença gengival crônica (gengivite) e infecções frequentes de ouvido e pele. As infecções bacterianas (por estafilococos, por exemplo) podem originar piodermite, na qual a pele fica coberta de úlceras cheias de pus. Pessoas com certas doenças decorrentes de imunodeficiência podem ter verrugas grandes e evidentes (causadas por vírus).
A maioria das pessoas apresenta febre e calafrios e perdem o apetite e/ou peso.
Pode surgir dor abdominal, possivelmente porque o fígado ou baço estão aumentados de volume.
As crianças podem ter diarreia crônica e tendem a não crescer e a desenvolver como deveriam (chamada falha em desenvolver-se). A imunodeficiência pode ser mais grave se os sintomas se desenvolverem na primeira infância do que posteriormente.
Outros sintomas variam dependendo da gravidade e da duração das infecções.
Imunodeficiências primárias podem ocorrer como parte de uma síndrome com outros sintomas. Esses outros sintomas são mais facilmente reconhecidos do que aqueles da imunodeficiência. Por exemplo, os médicos podem reconhecer a síndrome de DiGeorge porque as crianças afetadas apresentam implantação baixa das orelhas, maxilar inferior pequeno e desviado para trás, e olhos muito separados.
Diagnóstico
Os médicos devem primeiro suspeitar da existência de uma imunodeficiência. Então exames serão feitos para identificar a anomalia do sistema imunológico específica.
Os médicos suspeitam de imunodeficiência quando uma pessoa desenvolve infecções recorrentes (tipicamente sinusite, bronquite, infecções do ouvido médio ou pneumonia). Os médicos também suspeitam de imunodeficiência quando as infecções são graves ou atípicas ou quando uma infecção grave é causada por um organismo que normalmente não causa uma infecção grave (como os fungos Pneumocystis ou o citomegalovírus).
Os resultados do exame físico podem sugerir uma imunodeficiência e algumas vezes o tipo de imunodeficiência. Por exemplo, os médicos suspeitam de certos tipos de doenças de imunodeficiência quando linfonodos e amígdalas são extremamente pequenos e de outros tipos quando os linfonodos e amígdalas estão inchados e sensíveis.
A fim de identificar o tipo de doença decorrente da imunodeficiência, o médico questiona o paciente sobre a idade na qual começou a apresentar infecções reincidentes ou estranhas ou outros sintomas característicos. Diferentes tipos de doenças decorrentes de imunodeficiência são mais prováveis na idade em que a infecção começa, como abaixo:
Menor que 6 meses: geralmente uma anormalidade nas células T
6 a 12 meses de idade: possivelmente um problema com as células B e as células T
Maior que 12 meses: geralmente uma anormalidade nas células B e na produção de anticorpos
O tipo de infecção pode igualmente ajudar os médicos a identificar o tipo de doença ao qual se deve a imunodeficiência. Por exemplo, saber qual o órgão (ouvido, pulmão, cérebro ou bexiga) afetado, qual o organismo infeccioso (bactéria, fungos ou vírus) e qual a espécie do organismo, pode ajudar.
O médico questiona o paciente sobre os fatores de risco, como o diabetes, o consumo de determinados fármacos, a exposição a substâncias tóxicas e a possibilidade de existirem familiares próximos com doenças decorrentes de imunodeficiência (histórico familiar). A pessoa também pode ser questionada sobre sua atividade sexual passada e atual, o consumo de drogas intravenosas e transfusões de sangue anteriores para determinar se a infecção pelo HIV poderia ser a causa ( Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)).
Exames
São necessários exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico de imunodeficiência e para identificar o tipo de doença decorrente de imunodeficiência. Uma amostra de sangue é tomada e analisada para determinar o número total de glóbulos brancos e a porcentagem de cada tipo básico de glóbulos brancos. Os glóbulos brancos são examinados sob o microscópio para se detectar anomalias. O médico também determina os níveis de imunoglobulina, o número de glóbulos vermelhos e plaquetas, e os níveis de certos anticorpos específicos depois de a pessoa ser vacinada. Se algum dos resultados for anômalo, exames complementares são normalmente realizados.
Testes cutâneos podem ser feitos se a imunodeficiência puder ser de uma anomalia da célula T. Os testes cutâneos são semelhantes aos exames cutâneos da tuberculina, que é usada na detecção da tuberculose. Pequenas quantidades de proteínas provenientes de micro-organismos infecciosos comuns, como os fungos, são injetadas sob a pele. Se uma reação (vermelhidão, calor e edema) ocorrer em 48 horas, é sinal de que as células T estão funcionando normalmente. Nenhuma reação poderia sugerir uma anormalidade das células T. Os médicos podem verificar a presença de anormalidades das células T fazendo exames de sangue para determinar o número de células T e avaliar a sua função.
Pessoas que sabem que seus familiares são portadores de um gene causador de uma doença de imunodeficiência hereditária podem querer submeter-se a testes genéticos para saber se têm o gene suspeito e quais as possibilidades de terem um filho afetado por ele. Converse com um consultor genético antes de realizar os exames. Várias doenças decorrentes de imunodeficiência, como agamaglobulinemia ligada ao cromossomo X, síndrome de Wiskott-Aldrich, imunodeficiência combinada grave e doença granulomatosa crônica, podem ser detectadas no feto, através do exame de uma amostra do líquido que o rodeia (líquido amniótico) ou do sangue fetal (exame pré-natal - Procedimentos). Este exame pode ser recomendado a pessoas com um histórico familiar de doenças decorrentes de imunodeficiência quando a mutação tiver sido identificada na família. Alguns especialistas recomendam a triagem de todos os recém-nascidos usando um exame de sangue que determina se eles têm células T anormais ou em quantidade insuficiente - denominado teste dos círculos de excisão dos receptores de células T (T-cell receptor excision circles, TREC). Esse teste consegue identificar deficiência de imunidade celular, como imunodeficiência combinada grave. A identificação de bebês com imunodeficiência combinada grave precocemente pode ajudar a prevenir sua morte em idade jovem. A realização do TREC em todos os recém-nascidos é agora exigida em muitos estados nos EUA.
Prevenção e tratamento
Algumas das doenças que podem causar imunodeficiência podem ser prevenidas e/ou tratadas ajudando, assim, a prevenir o desenvolvimento de imunodeficiências. A seguir, alguns exemplos:
Infecção pelo HIV: A propagação das infecções pelo HIV pode ser reduzida pela prática de sexo seguro e ao não compartilhar seringas para a injeção de drogas. Além disso, geralmente medicamentos antirretrovirais conseguem tratar a infecção pelo HIV com eficiência ( Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)