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Curso de Processo Penal   Edilson Mougenot Bonfim   2015

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o réu e o autor, 
reciprocamente. 
b) Autonomia. A relação jurídica processual não se confunde com a 
relação jurídicomaterial que lhe é subjacente, sendo, portanto, completa-
mente autônoma desta. O objeto da relação jurídicomaterial é um determi-
nado bem ou interesse cuja satisfação ou tutela se requer. É o bem da vida 
sobre o qual recai uma pretensão. Já o objeto da relação jurídica processu-
al é a obtenção de um provimento jurisdicional, o interesse de obter uma 
decisão judicial. 
1. Cintra, Grinover e Dinamarco, Teoria geral do processo, p. 279-280. 
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c) Caráter público da relação jurídica processual. A relação jurídica 
processual é pública, uma vez que se desenvolve sob a tutela, diretiva e 
interventiva, do Estado-juiz. 
d) Progressividade. A relação jurídi~a processual é progressiva, uma 
vez que avança inexoravelmente em direção à solução do litígio (caracteri-
zado aí o fenômeno da preclusão). A repetição de atos processuais dentro 
de um mesmo processo somente se dá quando se identifica algum vício 
insanável a invalidar um ato já praticado. 
e) Complexidade. A relação jurídica processual é composta por uma 
série de relações secundárias que vão surgindo durante o transcorrer do 
processo. A prática sucessiva de atos processuais enseja às partes uma al-
ternância entre posições nas quais ora serão titulares de direitos e poderes, 
ora serão titulares de ônus e obrigações, ora estarão em posição de sujeição 
(isto é, sujeitas a um poder). 
3. PRESSUPOSTOS PROCESSUAtS 
Encarando-se o processo sob o·aspecto da,relação jurídica, é possível 
-identificar certos elementos que se ápresentam como·riecessários para que 
possa existir o processo, ou para que possa existir validamente. Trata-se dos 
pressuposto~ processuais, classificados em pressupostos de existência e 
pressuposto~ de validade. 
Esses pressupostos são, na verdade, situ~ções jurídicas que devem 
subsistir em todo o curso do processo. São relações jurídicas que, do ponto 
de vista lógico, antecedem o processo penal; pois, se inexistentes ou irre-
gulares, inviabilizam o próprio trâmite do processo. 
Assim, há certas relações jurídicas antecedentes -pressupostas - sem 
as quais o processo não poderá existir. São os chamados pressupostos pro-
cessuais de existência. São eles: 
a) a existência de um órgão investido de jurisdição penal; 
b) o objeto do processo (pedido, demanda ou causa penal) e 
c) as partes que ocupam os polos opostos da relação jurídica (órgão 
acusador e réu). 
Há ainda requisitos que, ausentes, impedem o desenvolvimento regu-
lar do processo e. a apreciação do mérito. São os chamados pressupostos de 
validade, ou validez. Esses pressupostos podem ser agrupados. 
a) Quanto ao juiz, identificam-se: 
i) a competência e 
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Die Lehre von den ProzejJeinreden und die Prozefivoraussetzungen, de 1868. 
Foi ele quem primeiro sistematizou claramente a noção - que não era iné-
dita, diga-se - de que o processo é essencialmente uma relação jurídica 
entre os sujeitos processuais (autor, réu e juiz), atribuindo a esse conceito 
o status de ideia científica 1• 
A noção de processo atualmente mais aceita pela doutrina resulta da 
composição desses dois pontos de vista. O processo, inegavelmente, tem 
umafacetaformal, e pode ser visto como conjunto ordenado de atos com 
vistas a uma finalidade específica. Essa a sua faceta objetiva, estática. En-
tretanto, o processo judicial tem-também um aspecto relaciona!. As partes 
e o juiz não apenas trafegam por um itinerário previsto no modelo legal, 
mas efetivamente atuam no processo, exercendo poderes, faculdades, de-
veres e ônus a eles conferidos pela lei, assumindo, alternadamente, posições 
jurídicas diversas no curso do processo, contribuindo para um contínuo 
evolver rumo à construção de uma decisão fin'al. É a faceta subjetiva, di-
nâmica do processo. 
Com o advento da concepção dualista e sua absorção também pela 
doutrina do direito processual penal, o acusado deixa de ser mero objeto 
inerte da investigação e do procedimento, tomando-se párte do processo e, 
como tal, sujeito de direitos. Finalmente, reconheceu-se o processo em sua . 
inteireza, entendido em sua dúplice natureza: ao mesmo tempo procedimen-
to e relação jurídica. 
2. CARACTERÍSTICAS DA RELAÇÃO JURÍDICA PROCESSUAL 
a) Trilateralidade. A relação jurídica processual é trilateral (ou trian-
gular), porquanto entretecida entre o juiz e as partes e entre o réu e o autor, 
reciprocamente. 
b) Autonomia. A relação jurídica processual não se confunde com a 
relação jurídicomaterial que lhe é subjacente, sendo, portanto, completa-
mente autônoma desta. O objeto da relação jurídicomaterial é um determi-
nado bem ou interesse cuja satisfação ou tutela se requer. É o bem da vida 
sobre o qual recai uma pretensão. Já o objeto da relação jurídica processu-
al é a obtenção de um provimento jurisdicional, o interesse de obter uma 
decisão judicial. 
1. Cintra, Grinover e Dinamarco, Teoria geral do processo, p. 279-280. 
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c) Caráter público da relação jurídica processual. A relação jurídica 
processual é pública, uma vez que se desenvolve sob a tutela, diretiva e 
interventiva, do Estado-juiz. 
d) Progressividade. A relação jurídi~a processual é progressiva, uma 
vez que avança inexoravelmente em direção à solução do litígio (caracteri-
zado aí o fenômeno da preclusão). A repetição de atos processuais dentro 
de um mesmo processo somente se dá quando se identifica algum vício 
insanável a invalidar um ato já praticado. 
e) Complexidade. A relação jurídica processual é composta por uma 
série de relações secundárias que vão surgindo durante o transcorrer do 
processo. A prática sucessiva de atos processuais enseja às partes uma al-
ternância entre posições nas quais ora serão titulares de direitos e poderes, 
ora serão titulares de ônus e obrigações, ora estarão em posição de sujeição 
(isto é, sujeitas a um poder). 
3. PRESSUPOSTOS PROCESSUAtS 
Encarando-se o processo sob o·aspecto da,relação jurídica, é possível 
-identificar certos elementos que se ápresentam como·riecessários para que 
possa existir o processo, ou para que possa existir validamente. Trata-se dos 
pressuposto~ processuais, classificados em pressupostos de existência e 
pressuposto~ de validade. 
Esses pressupostos são, na verdade, situ~ções jurídicas que devem 
subsistir em todo o curso do processo. São relações jurídicas que, do ponto 
de vista lógico, antecedem o processo penal; pois, se inexistentes ou irre-
gulares, inviabilizam o próprio trâmite do processo. 
Assim, há certas relações jurídicas antecedentes -pressupostas - sem 
as quais o processo não poderá existir. São os chamados pressupostos pro-
cessuais de existência. São eles: 
a) a existência de um órgão investido de jurisdição penal; 
b) o objeto do processo (pedido, demanda ou causa penal) e 
c) as partes que ocupam os polos opostos da relação jurídica (órgão 
acusador e réu). 
Há ainda requisitos que, ausentes, impedem o desenvolvimento regu-
lar do processo e. a apreciação do mérito. São os chamados pressupostos de 
validade, ou validez. Esses pressupostos podem ser agrupados. 
a) Quanto ao juiz, identificam-se: 
i) a competência e 
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ii) a imparcialidade. 
b) Quanto às partes: 
i) a capacidade de ser parte (a capacidade de direito); 
. ii) a capacidade ~rocessu~l (a capacidade de estar em juízo, que, ine-
XIste~te, deve ser s~pnda pela mterveniência de uma pessoa que represen-
te os mteresses do mcapaz) e 
iii) a capacidade postulatória. 
c) Quanto ao objeto: 
. i)~ orig~~alidade, consubstanciada na inexistência de fatos impeditivos 
trus qums a htlspendência, a coisa julgada etc. e , 
, ii) a inexistência de irregularidade procedimental que enseje prejuízo 
a~ partes. 
. -~ausência desses pressupostos, se não puder ser suprida "a poste-
non , macula os atos judiciais de nulidade. 
4. SISTEMAS PROCESSUAIS 
: ~ doutrina identificat~ê.s sistemas distintos de processo, fazendo-o, 
~rlmcipalmente e conforme a distribuição