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WEB AULA 02
Já sabemos que os aspectos que se constituíram no terreno fértil no qual a profissão de Serviço Social foi gestada e desenvolvida no Brasil estão atrelados à questão social. Conforme abordamos na Unidade 1, no decurso do século XIX o aumento da complexidade das relações de produção decorrente do desenvolvimento político-econômico e social, bem como a industrialização e urbanização crescentes do início do século XX, originaram e reproduziram de forma ampliada conflitos da relação capital-trabalho, ou de lutas de classes antagônicas.
ESTADO BURGUES 
A realidade brasileira nos primeiros anos do século XX trouxe à tona a contradição do modelo econômico, criando condições para as primeiras lutas das classes trabalhadoras, como as primeiras greves operárias de 1917 e 1918 e a organização do PC do B em 1922. Diante dessa multiplicação de problemas sociais originários da pobreza, pressões populares e do aumento da desigualdade social, o Estado, enquanto núcleo do poder burguês, assume a função de administrar ou reduzir as mazelas impostas às classes subalternas pela alternativa de desenvolvimento econômico perverso e excludente.
Em nome do Sistema de Reprodução do Capital, houve tempos em que utilizaram a força policial e atos repressivos. Depois prometeram melhoria das condições de vida no futuro. E, em certas ocasiões, pregaram a harmonia entre burguesia e proletariado, no progressivo crescimento industrial.
As ações governamentais que se implementavam neste período estavam focalizadas muito mais em reduzir e comprimir as manifestações não solidárias ao novo padrão de dominação, do que propriamente de administração do sofrimento desumano da classe proletária. A esta administração do subproduto do capitalismo (questão social) chamamos política social, compreendida como estratégia do Estado de intervenção nas relações sociais.
De acordo com Raichelis (1988, p. 8):
O perfil da intervenção estatal no tratamento da questão social vem sendo historicamente marcado pela ideologia paternalista/autoritária, onde a benevolência da ajuda e o clientelismo visam ocultar sua subordinação, de um lado ao processo de reprodução do capital e, de outro, contraditoriamente, às pressões da sociedade.
Mas, afinal, qual é o papel do Estado neste cenário de modernização, que se insinua contraditório a partir do desenvolvimento econômico e aumento da pobreza entre os trabalhadores?
Aos desavisados, esse papel pode caracterizar o Estado árbitro neutro de conflitos entre as classes sociais ou identificá-lo como agente fundamentado em valores ético-morais, criterioso na operacionalidade de ações equilibradas, pautando-se na verdade e na razão!
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
Nessa perspectiva, temos um Estado: Interventor ou Investidor?
Esta concepção de Estado faz sentido para muitos, porque foi transformada a partir da década de 1930, na noção ideologizada do Estado perante a sociedade brasileira como encarnação dos interesses gerais e voltada para o bem de todos. Nesta perspectiva, o Estado se tornaria responsável pela busca da harmonia e do consenso ideal entre os cidadãos.
Vejamos as palavras de Raichelis (1988, p. 29) sobre esta interpretação tão importante:
O atendimento a estas demandas constitui, também, uma forma de o Estado legitimar-se frente a estas classes, aparecendo sob a capa da neutralidade e defesa do bem-estar social de todos os membros da sociedade.
Desta forma, na realidade dos anos 30 fica claro compreender que a dominação das classes subalternas ultrapassou a utilização da violência ou do controle repressivo e legal. A economia capitalista, de acordo com Iamamoto (2000), necessita de laços extraeconômicos e também de novas formas de controle social que garantam e fortaleçam o consenso social na direção da manutenção do sistema. Segundo esta autora:
É indispensável um mínimo de unidade na aceitação da ordem do capital pelos membros da sociedade, para que ela sobreviva e se renove. Uma vez que não existe sociedade baseada na pura violência, é necessário recorrer à mobilização de outros mecanismos normativos e adaptadores que facilitem a integração social dos cidadãos e a redução do nível de tensão que permeia as relações antagônicas. (IAMAMOTO, 2000, p. 107).
Podemos então compreender que o reforço à ação estatal para difundir a noção de Estado acima dos interesses de classes se efetiva e se estende também às instituições privadas da sociedade, como a escola, a família, a Igreja, etc., as quais assumem a direção político-cultural.
Neste contexto ainda de difundir o modo capitalista de pensar que vai além da produção concreta de bens, engloba a produção de ideias, a produção de conhecimento e também o senso comum reforçando a noção ideologizada de Estado como instituição que paira sobre os interesses de classes, voltada à coesão da sociedade.
Agora, pensemos nas desigualdades sociais e suas expressões na sociedade atual?
Na atualidade são enormes as expressões da questão social. Se revelam, nas mais variadas formas de exclusão social, no pauperismo, na violência pessoal e social, no desemprego e tantas outras formas. Vejamos algumas dessas expressões que mancham negativamente a nossa sociedade.
A pobreza é entendida como a carência de recursos econômicos, sociais, financeiros e de energia para mudar o que é imposto. O fenômeno da pobreza talvez seja o que mais traduza a desigualdade social como um todo, visto que é a primeira consequência observada e identificada como divergência entre quem detém a maior parte da renda e quem não tem ou quase não possui renda. Nota-se, nos países que têm os mais altos índices de desigualdade social, a disparidade entre ricos e pobres, em que uma parcela mínima, normalmente até 10% da população, detém mais de 50 % de todos os recursos econômicos, financeiros e sociais de uma população.  A parte mais preocupante da pobreza é a por falta de  atitude de mudança, gerada por outro tipo de pobreza que é a financeira. A sociedade que sofre com o flagelo da pobreza, em geral, tende a se habituar sempre com o mínimo possível para a sobrevivência física.
O IBGE 2010, com dados de 2008, revela que 43% dos domicílios ou cerca de 25 milhões de domicílios brasileiros são inadequados (IDS..., 2010). Faltam-lhes abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede coletora ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta e condições para que menos de dois moradores ocupem cada dormitório.
No passado, o homem conviveu com vários conflitos sociais que, na maioria das vezes, tiveram suas projeções em guerras mundialmente conhecidas. Porém, um dos conflitos sociais modernos é a desigualdade social, que acontece com o enriquecimento vertical de uns e o empobrecimento da maior parte do povo, e é sobre esse assunto que o Clube da Mafalda vem essa semana trabalhar na sua oficina.
Em busca da igualdade entre as classes sociais, dos direitos iguais de todos determinados perante a lei, a Mafalda, em suas tirinhas, aborda esse tema com os debates de ideias entre seus amigos. Susanita, por exemplo, é a garota com maior status social, Mafalda não possui a mesma renda financeira que a amiga e assim é criado o cenário de conflito de modos de vida e de concepções de mundo. O que se percebe é que para o mundo infantil, no universo dessas crianças com quem nós do Clube da Mafalda trabalhamos, a desigualdade social existe concretamente, porém não é sentida e questionada pela falta desse senso crítico.
Fenômeno existente nas grandes cidades e provoca danos físicos, materiais, sociais e psicológicos a indivíduos ou a grupos sociais.
Na atualidade observamos um grande número de ações de violência contra os grupos socialmente excluídos: como homossexuais, idosos, mulheres, crianças, população indígena. A criminalidade é uma consequência perversa da desigualdade social, uma vez transgride o princípio do direito à vida. Indivíduos ainda sem acesso aos serviços básicos de saúde, educação, moradia, que sofrem com a omissão do estado, acabam por se valer da violência