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MÓDULO  DE FUNDAMENTOS DE ADMINISTRAÇÃO

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FUNDAMENTOS DE ADMINISTRAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
A palavra administração vem do latim ad (direção, tendência para) e minister (subordinação ou obediência). Vários autores definem de diversas maneiras a administração. Uma definição bem moderna: administrar é prever, organizar, comandar, coordenar e controlar.
“Administração é o ato de trabalhar com e através de pessoas para realizar os objetivos tanto da organização quanto de seus membros.”
Existem três aspectos essenciais que devem ser apontados nesta definição:
- Dá maior ênfase ao elemento humano na organização;
- Focaliza a atenção nos resultados a serem alcançados, isto é, nos objetivos, em vez de enfatizar as atividades;
- Incluiu o conceito de que a realização dos objetivos pessoais de seus membros deve ser integrada à realização dos objetivos organizacionais.
A administração é praticada desde que existem os primeiros agrupamentos humanos. A moderna teoria geral da administração, que se estuda hoje é formada por conceitos que surgiram e vêm-se aprimorando há muito tempo, desde que os administradores do passado enfrentaram problemas práticos e precisaram de técnicas para resolvê-los.
2 TEORIA CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO
ANTECEDENTES HISTÓRICOS
Toda e qualquer matéria teórica que busque explicar ou modificar o comportamento humano necessita ser analisada também sob o ângulo histórico, ou seja: necessita de uma explicação sobre as forças que antecederam determinado período.
Por este motivo, considerando que a Administração é uma ciência humana, que cria teorias que busquem um melhor desenvolvimento das organizações (empresas, Estado, etc.), abordaremos o contexto histórico em que tais teorias nasceram.
O TRABALHO NA ERA FEUDAL
Sabe-se que, no feudalismo, a sociedade estava divida em estamentos, isto é, ou o homem fazia parte da classe dos privilegiados (nobres, senhores feudais, clérigos), classe esta que vivia à custa de outra; ou fazia parte da classe dos explorados (camponeses ou servos).
O declínio do Império Romano, especialmente sua vulnerabilidade ante as investidas germânicas e eslavas, instituiu como prioridade do homem europeu a segurança e propiciou o surgimento de um novo sistema: o feudal.
No sistema de produção historicamente denominado feudalismo, o homem comum abriu mão de sua liberdade em troca da proteção propiciada pelo senhor feudal: os fortes defendiam os fracos. Alguns historiadores dizem que a referida proteção era falsa.
O sistema feudal, em última análise, repousava sobre uma organização que, em troca de proteção, frequentemente ilusória, deixava as classes trabalhadoras à mercê das classes parasitárias, concedia a terra não a quem a cultivava, mas aos capazes de dela se apoderarem.
O homem, enquanto inserido neste sistema, preocupava-se, antes, com a salvação de sua alma e com problemas cotidianos (quantidade de dias que tinha de trabalhar para o senhor feudal, por exemplo): por trás do sistema feudal havia a Ética Paternalista Cristã, teologia que refletia e legitimava o status quo feudal.
A dita teologia, pregada pela Igreja, maior senhora feudal da época, tinha grande influência no pensamento e no comportamento do homem: a vida terrena era colocada em segundo plano; o prazer e a felicidade seriam alcançados fora desta vida. Tais conceitos faziam com que o homem camponês suportasse as piores condições possíveis, na esperança de alcançar a felicidade no Paraíso.
O camponês era explorado, mas havia uma segurança neste modo de vida, mesmo que ilusória: o campônio sabia que estava preso a terra, mas sabia que não poderia dela ser retirado, e nas épocas de má colheitas, poderia recorrer ao senhor:
O famoso historiador Eric Hobsbawm assim se manifestou sobre o período:
Durante a Idade Média europeia, os camponeses trabalhavam a serviço dos nobres latifundiários. Esses trabalhadores chamados servos que cuidavam das terras de seu dono, a quem chamavam de senhor, recebiam em troca uma humilde moradia, um pequeno terreno adjacente, alguns animais de granja e proteção ante os foragidos e os demais senhores. Os servos deviam entregar parte de sua própria colheita como pagamento e estavam sujeitos a muitas outras obrigações e impostos. “[...] o velho sistema tradicional, embora ineficaz e opressor, era, também, um sistema de considerável certeza social e, num nível bastante miserável, de alguma segurança econômica, para não mencionarmos que era consagrado pelo costume e a tradição.” As fomes periódicas, o peso do trabalho, que faziam os homens se tornarem velhos aos 40 anos de idade; as mulheres, aos 30, eram atos de Deus; só se transformaram em atos pelos quais os homens eram considerados responsáveis em tempos de miséria anormal ou de revolução...
O CAPITALISMO E A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Forças que possibilitaram o desenvolvimento do comércio e da produção manufatureira - embrião do capitalismo:
a) crescimento da produtividade agrícola e o aperfeiçoamento tecnológico: o homem, enquanto ser pensante, sempre busca formas de facilitar sua vida e diminuir a fadiga: assim se deu com o desenvolvimento da “pedra lascada” para a “pedra polida”, assim se deu também com o desenvolvimento de novas ferramentas.
Tal criação tecnológica pode, hoje, parecer simplista, mas, para o homem do campo, a criação de uma ferramenta nova, como a enxada, por exemplo, poderia significar menor gasto de tempo para o arado da terra e possibilidade de produzir mais num menor tempo. A substituição do sistema de rodízio de cultura em dois campos pelo sistema de rodízio de três campos foi o avanço tecnológico mais importante ocorrido na Idade Média.
Os camponeses que cultivavam as terras do feudo perceberam também que poderiam trocar o excedente por dinheiro nos mercados locais de grãos. Com esse dinheiro, eles podiam obter do senhor a comutação de suas obrigações em trabalho.
Uma série de mudanças profundas provocou o declínio do feudalismo e a emergência de uma nova economia orientada para o mercado. As mais importantes dessas mudanças foram os progressos ocorridos na tecnologia agrícola entre o século XI e o final do século XIII. Os aperfeiçoamentos introduzidos na tecnologia agrícola desencadearam, nos séculos subsequentes, uma sucessão de acontecimentos que culminaram na consolidação do capitalismo.
b) Crescimento populacional: nesta época histórica, houve um elevado e célere crescimento populacional, ocasionado, principalmente, pelo aperfeiçoamento da tecnologia agrícola e dos meios de transporte. As estimativas históricas mais seguras demonstram que a população europeia duplicou entre os anos 1000 e 1.300.
c) Migração do homem para os centros urbanos: o rápido crescimento da concentração urbana foi a outra segunda mais importante mudança relacionada ao crescimento populacional. 
d) Desenvolvimento da produção manufatureira: com o crescimento da produtividade agrícola, a utilização mais racional do trabalho humano, da energia e dos transportes, o excedente de alimentos criado, houve um excedente de mão-de-obra para os mercados locais, enquanto que o desenvolvimento do comércio estimulou a produção manufatureira, pois o excedente de mão-de-obra migrou para onde havia “demanda por trabalho”: as manufaturas.
O rápido e intenso fenômeno da maquinização das oficinas provocou fusões de pequenas oficinas, que passaram a integrar maiores e que, aos poucos, foram crescendo e se transformando em fábricas.
A INVENÇÃO DA MÁQUINA A VAPOR E O IMPULSIONAMENTO DO CAPITALISMO
O espaço temporal no qual o camponês exercia sua atividade laborativa era o dia; o espaço físico era o feudo. Nos primórdios do capitalismo, a possibilidade de acumulação de riqueza através do lucro provocou uma ânsia em criar meios de maior produção que possibilitassem o aumento de lucros. Por isso, foi inventada a máquina a vapor (James Watt), sendo que as primeiras foram construídas na Inglaterra durante o século XVIII. Retiravam a água acumulada nas minas de ferro e de carvão e fabricavam tecidos.
A utilização destas máquinas possibilitou um inimaginável