A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
89 pág.
AULA 1 HISTORIA DA SAUDE PUBLICA

Pré-visualização | Página 4 de 26

substâncias animais e 
vegetais de cemitérios localizados, na maioria das vezes, no centro das cidades, “infeccionando o 
ar”. Os serviços de saúde, organizados à semelhança de Portugal, tinham sua atenção voltada para 
a profilaxia das moléstias epidêmicas, baseada no saneamento do meio. 
Para combater esses males, propunha-se a urbanização da cidade, com aterros de pântanos, 
demarcação de ruas e lugares de construção, implantação de rede de água e esgoto, organização 
dos cemitérios, criação de normas higiênicas para enterro dos mortos, etc. 
Outra causa a que se atribuía a doença seria a circulação das pessoas e mercadorias pelos 
portos. Para evitá-la, propõe-se a criação de um lazareto
6
 para quarentena dos escravos portadores 
de moléstias epidêmicas e cutâneas. Essas ações de profilaxia das moléstias transmissíveis 
consistiam, fundamentalmente, na fiscalização rigorosa das embarcações que poderiam trazer a 
peste ou outras moléstias epidêmicas, o que viria a constituir a vigilância sanitária dos portos. A 
depender das moléstias que trouxessem ou do número de óbitos ocorridos a bordo, procedia-se à 
quarentena dos navios, dos indivíduos ou dos doentes nos “Lazaretos”. Somente a autoridade 
sanitária poderia conceder a essas pessoas visto de entrada na cidade. Aqui, já aparece a 
preocupação com o indivíduo, esboçando-se a noção de caso, além da vigilância da cidade já 
citada. Sobre essa noção de caso, fundamentam-se, progressivamente, ações restritas ao indivíduo 
portador: isolamento do paciente, seu controle, manipulação e até punição. 
No ano de 1810, o Alvará de 22 de janeiro determina a construção de Lazareto para 
quarentena de viajantes e ancoradouro especial para embarcações suspeitas, inclusive com taxas 
públicas para este serviço de saúde. Trata-se de um dos primeiros regulamentos para o controle 
sanitário de pessoas/viajantes, cargas/mercadorias e embarcações nos portos no Brasil. 
 
5
 A teoria miasmática ou teoria miasmática das doenças foi uma teoria biológica formulada por Thomas Sydenham e Giovanni 
María Lancisi durante o século XVII. Segundo a teoria, as doenças teriam origem nos miasmas: o conjunto de odores fétidos 
provenientes de matéria orgânica em putrefação nos solos e lençóis freáticos contaminados. 
6
 Estabelecimento existente junto aos portos, ao qual se recolhem viajantes procedentes de países onde grasse moléstia 
epidêmica ou contagiosa; hospital de quarentena. 
JERCIANE MACEDO DOS REIS - 640.276.783-20
 
 
 
 L e g i s l a ç ã o d o S U S C o m p l e t o e G r a t u i t o 
 
Página 14 
 www.romulopassos.com.br / www.questoesnasaude.com.br 
É o nascimento da vigilância em saúde nos portos, aeroportos e fronteiras baseada em 
medidas de controle para doenças contagiosas. 
As preocupações com a saúde da população, principalmente com a saúde da Corte, bem 
como a necessidade do saneamento dos portos como estratégia para o desenvolvimento de 
relações mercantis, trouxeram uma nova organização para o governo, em que se buscava o 
controle das epidemias e do meio ambiente. 
Após essa viagem no período do Brasil Colônia, verificamos claramente que a questão 
apresenta-se correta. 
Questão 2. Com o desenvolvimento da bacteriologia (Era Bacteriológica) e da utilização de 
recursos que possibilitaram a descoberta dos microrganismos, surgiu a identificação do agente 
etiológico da doença, concretizada na segunda metade do século XIX e início do século XX. O 
consequente desenvolvimento de métodos que possibilitavam o combate aos agentes etiológicos 
(soroterapia, quimioterapia) propiciou a execução da vacinação antivariólica, iniciando uma nova 
prática de controle das doenças, com repercussões na forma de organização de serviços e ações em 
saúde coletiva no Brasil. 
COMENTÁRIOS
7
: 
Durante o período do Brasil Império (1822 a 1889), foram 
realizadas ações de combate específico a determinadas doenças 
transmissíveis. A vacina contra a varíola foi descoberta. Passou-
se a identificar os agentes causadores de doenças. Foi o período 
da era bacteriológica
8
. 
De acordo com artigo sobre modelo bacteriológico a 
programação em saúde (1889-1983), o Modelo Bacteriológico 
data do período de 1889-1925. Ademais, conforme o livro "O 
território e o processo saúde-doença”, no final do século XIX, 
com o auxílio do microscópio, o químico francês Louis Pasteur, 
estudando as falhas na fermentação de vinhos e cervejas, observou que 
microorganismos tinham um papel fundamental neste processo. Portanto, a era 
bacteriológica surgiu com as descoberta de Pasteur no final do século XIX. 
 
 
7 CBVE, Vol. 1. 
8
 Com a era bacteriológica, a teoria da unicausalidade teve sua grande época. Esta teoria baseava-se no conceito de que uma vez 
identificados os agentes vivos específicos de doenças, os chamados agentes etiológicos e os seus meios de transmissão, os 
problemas de prevenção e cura das doenças correspondentes estariam resolvidos, esquecendo-se dos demais determinantes 
causais relacionados ao hospedeiro e ao ambiente. 
Figura 4 - O francês 
Louis Pasteur 
(1822-1895) foi o 
primeiro cientista a 
admitir que a varíola 
era causada por 
micro-organismos 
(Fonte: Fiocruz). 
JERCIANE MACEDO DOS REIS - 640.276.783-20
 
 
 
 L e g i s l a ç ã o d o S U S C o m p l e t o e G r a t u i t o 
 
Página 15 
 www.romulopassos.com.br / www.questoesnasaude.com.br 
Como consequência da redução da importância do meio na ocorrência das doenças, 
característico da teoria miasmática, progressivamente, as ações tornam-se mais restritas ao 
indivíduo portador, para o qual seriam dirigidas as ações de controle. Além da utilização do 
isolamento do paciente, este seria objeto de intervenção dos serviços de saúde da época. 
Em síntese, No período imperial, temos a superação da teoria miasmática (focada no meio 
ambiente) e incorporação da era bacteriológica (centrada no agente etiológico das doenças). 
A questão encontra-se, portanto, correta. 
 
Questão 3. No final do século XIX e começo do século XX, ocorreu grande aumento da 
emigração europeia para o Brasil, formada por pessoas muito suscetíveis às doenças tropicais. A 
péssima situação sanitária do País prejudicava até mesmo a economia, que dependia, 
fundamentalmente, da exportação do café. Navios recusavam-se a vir ao Brasil. 
COMENTÁRIOS
9
: 
A realidade apresentada na questão foi levada em consideração na determinação das 
políticas de saúde no período da República Velha (1889 a 1930). 
As necessidades de saúde geradas no processo de desenvolvimento econômico e social, de 
controle de doenças que visavam à manutenção da força de trabalho em quantidade e qualidade 
adequadas, determinaram, como parte do processo de organização do Estado republicano, a 
montagem da estrutura sanitária encarregada de responder a essa demanda. A simples fiscalização 
não resolveria o problema: era preciso uma ação governamental mais abrangente, em bases mais 
científicas. 
A Bacteriologia vivia seu auge em todo mundo, a medicina higienista começava a ganhar 
força no Brasil e a pautar o planejamento urbano da maioria das cidades. No momento em que os 
tripulantes estrangeiros receavam desembarcar nos portos brasileiros, pela temeridade de contrair 
inúmeras doenças que proliferavam aqui, o saneamento foi a solução encontrada para, 
literalmente, mudar a imagem do País lá fora. 
Os problemas de saúde que, então, aparecem como preocupação maior do Poder Público são 
as endemias e as questões gerais de saneamento nos núcleos urbanos e nos portos, principalmente 
naqueles vinculados ao segmento comercial voltado