A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
89 pág.
AULA 1 HISTORIA DA SAUDE PUBLICA

Pré-visualização | Página 5 de 26

à exportação o ao capital industrial nascente. 
 
9 CBVE, Vol. 1. 
JERCIANE MACEDO DOS REIS - 640.276.783-20
 
 
 
 L e g i s l a ç ã o d o S U S C o m p l e t o e G r a t u i t o 
 
Página 16 
 www.romulopassos.com.br / www.questoesnasaude.com.br 
Tratava-se da criação de condições sanitárias mínimas indispensáveis não só para as relações 
comerciais com o exterior, como também para o êxito da política de imigração, em função da 
relativa escassez de mão de obra nacional. 
As doenças pestilenciais como cólera, peste bubônica, febre amarela, 
varíola e as chamadas doenças de massa, isto é, doenças infecciosas e 
parasitárias, como tuberculose, hanseníase, febre tifóide, representavam as 
doenças de maior expressão a requerer a atenção pública. 
 
 
As campanhas contra febre amarela, peste bubônica e varíola, assim como as medidas gerais 
destinadas à promoção de higiene urbana, caracterizavam-se pela utilização de medidas jurídicas 
impositivas
10
 de notificação de doenças, vacinação obrigatória e vigilância sanitária em geral. No 
seu conjunto, não ultrapassavam os limites de soluções imediatistas a problemas agudos que, de 
uma forma ou de outra, poderiam comprometer o desenvolvimento da economia cafeeira. Senão, 
essas medidas representavam, tão somente, tentativas de respostas aos quadros epidêmicos 
calamitosos que ameaçavam a população em geral e que, por vezes, davam motivos às pressões 
políticas. 
Como fator limitante para a ação da Saúde Pública, figurava o próprio alcance do 
conhecimento científico e tecnológico referente ao diagnóstico, prevenção e terapia das doenças, 
quando comparado aos parâmetros atuais. 
Em 1923, o estabelecimento de convênio entre o governo brasileiro e a Fundação 
Rockefeller garantiu a cooperação médico-sanitária e educacional para a implementação de 
programas de erradicação das endemias, sobretudo nas regiões do interior, onde os trabalhos se 
concentraram no combate à febre amarela e, mais tarde, à malária. Como iniciativa de ação 
coadjuvante com aos serviços estaduais e municipais no combate a doenças como ancilostomíase, 
esse acordo tinha duplo interesse para o País: científico e econômico, porque, além de proteger as 
populações, aumentaria a sua produtividade. 
É importante compreendermos a evolução histórica da saúde no período colonial até o 
republicano do Brasil. Não há necessidade de decorarmos detalhes sobre esse assunto. 
 
10
 A chamada Revolta da Vacina ocorreu de 10 a 16 de novembro de 1904 na cidade do Rio de Janeiro. O motivo que 
desencadeou isso foi a campanha de vacinação obrigatória, imposta pelo governo federal, contra a varíola. 
 
Figura 5 - Doenças 
Infecciosas e 
Parasitárias 
JERCIANE MACEDO DOS REIS - 640.276.783-20
 
 
 
 L e g i s l a ç ã o d o S U S C o m p l e t o e G r a t u i t o 
 
Página 17 
 www.romulopassos.com.br / www.questoesnasaude.com.br 
4. (Residência Médica/Secretaria Estadual de Saúde do Pernambuco-PE/Seleção 2012/UPE) 
Sobre o desenvolvimento das políticas de saúde no Brasil, podem-se contemplar, na história 
republicana, pelo menos, cinco conjunturas: República Velha (1889-1930); Era Vargas (1930-
1964); Autoritarismo (1964-1984); Nova República (1985-1988); Pós-Constituinte. Sobre esses 
períodos, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) Na República Velha, predominavam as doenças transmissíveis, como a febre amarela urbana, 
varíola, tuberculose, sífilis, além das endemias rurais. 
b) Na Era Vargas, a saúde pública passa a ter sua institucionalização, na esfera federal, pelo 
Ministério da Educação e Saúde, enquanto a medicina previdenciária e a saúde ocupacional 
vinculavam-se ao Ministério do Trabalho. 
c) No Autoritarismo, houve a unificação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAP), 
criando o Instituto Nacional de Previdência Social (INAMPS). 
d) As políticas de saúde executadas durante a Nova República privilegiaram o setor privado 
mediante a compra de serviços de assistência médica, o apoio aos investimentos e os empréstimos 
com subsídios. 
e) No período Pós-Constituinte, foi implantado o Programa Saúde da Família (PSF). 
COMENTÁRIOS: 
Item A. Correto. Durante o período da República Velha (conhecida como Primeira 
República), a proteção da saúde era prestada pelo Estado de forma isolada e incipiente, limitando-
se a campanhas de prevenção e combate a algumas doenças transmissíveis e endemias rurais. A 
assistência médica era prestada à população carente por meio de instituições de caridade, a 
exemplo das Santas Casas de Misericórdia. As pessoas com alto poder econômico eram assistidas 
por médicos e serviços de saúde particulares. 
Nessa época, a assistência à saúde pública e privada era de baixa qualidade e resolutividade. 
Destaca-se ainda que, em 1923, foram criadas as Caixas de Aposentadoria e Pensão (CAP), dando 
início à assistência médica previdenciária, restrita a trabalhadores de determinadas empresas. 
Item B. Correto. Na Era Vargas, a saúde pública (que tratava do combate a doenças 
transmissíveis, endemias e programas específicos) ficava a cargo do Ministério da Educação e 
Saúde (MESP) e posteriormente do Ministério da Saúde (MS), ao passo que a assistência médica 
era prestada, por meio dos Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAP), apenas aos trabalhadores 
que exerciam atividade remunerada de determinadas categorias profissionais. Registra-se também 
que os IAP substituíram as CAPS, a partir de 1933. 
JERCIANE MACEDO DOS REIS - 640.276.783-20
 
 
 
 L e g i s l a ç ã o d o S U S C o m p l e t o e G r a t u i t o 
 
Página 18 
 www.romulopassos.com.br / www.questoesnasaude.com.br 
Item C. Correto. Na realidade, a unificação de todos os IAP deu origem ao Instituto 
Nacional de Previdência Social (INPS), em 1966. O Instituto de Nacional de Assistência Médica 
da Previdência Social (INAMPS) foi criado apenas, em 1977, desmembrando as ações de 
assistência médica do INPS. Apesar desse erro conceitual, a alternativa foi considerada correta. 
Nobre concurseiro, cuidado para não se perder com tantas siglas (CAP, IAP, INPS e 
INAMPS). 
Vamos ver, no esquema abaixo, a evolução histórica do sistema médico-previdenciário, que 
ofertava, entre outros serviços, assistência à saúde para os empregados formais e seus 
dependentes. 
 
Veja que a medicina previdenciária, que era restrita a pequena parcela da sociedade 
(trabalhadores formais e seus dependentes), foi extinta com a criação do SUS. 
Fique tranquilo, pois, no decorrer dessa obra, detalharemos cada uma dessas modalidades do 
sistema médico-previdenciário. 
Item D. Incorreto. As políticas de saúde executadas durante o período do 
Autoritarismo (Ditadura Militar), e não durante a Nova República (1985-1988), privilegiaram 
o setor privado mediante a compra de serviços de assistência médica, o apoio aos investimentos e 
os empréstimos com subsídios. Destaca-se que essas ações foram as principais causas de falência 
do INAMPS, resultando em oposição da maior parte da sociedade brasileira a esse sistema de 
saúde. 
CAP (1923-1933) 
IAP (1933-1966) 
INPS (1966-1977) 
INAMPS (1977-1993) 
SUS (1988 - atualidade) 
JERCIANE MACEDO DOS REIS - 640.276.783-20
 
 
 
 L e g i s l a ç ã o d o S U S C o m p l e t o e G r a t u i t o 
 
Página 19 
 www.romulopassos.com.br / www.questoesnasaude.com.br 
Veja só que atrocidade com a sociedade brasileira: 
No período da Ditadura Militar (1964-1985), o INAMPS patrocinou de forma substancial a 
criação e expansão dos serviços de saúde privados, por meio de empréstimos e convênios