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ENFERMAGEM EM URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS PEDIÁTRICAS 1

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oximetria de pulso, em 
vez de avaliação da cor). 
A oximetria de pulso, com o sensor/eletrodo colocado na extremidade su-
perior direita, deve ser usada para avaliar qualquer necessidade de oxigênio su-
plementar. Para bebês nascidos a termo, é melhor iniciar a ressuscitação com 
ar, em vez de oxigênio a 100%. A administração de oxigênio suplementar deve 
 
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ser regulada misturando-se oxigênio e ar e a quantidade a ser administrada deve 
ter por guia a oximetria monitorada na extremidade superior direita (isto é, nor-
malmente, o pulso ou a palma). 
A aspiração imediatamente após o nascimento (inclusive com aspirador 
nasal) deve ser reservada a bebês com obstrução óbvia à respiração espontâ-
nea ou que requeiram ventilação com pressão positiva. As evidências são insu-
ficientes para a recomendação de alteração na prática atual de realizar aspiração 
endotraqueal em bebês não vigorosos com fluido amniótico meconial. 
A ventilação com pressão positiva deve ser administrada com pressão su-
ficiente para elevar a frequência cardíaca ou criar expansão torácica; a pressão 
excessiva pode lesionar com gravidade o pulmão pré-termo. No entanto, a pres-
são ideal, o tempo de insuflação, os volumes correntes e a quantidade de pres-
são positiva expiratória final (PEEP) necessários para estabelecer uma capaci-
dade residual funcional eficaz não foram definidos. 
A pressão positiva contínua nas vias aéreas pode ser útil na transição do 
bebê pré-termo. O uso da máscara laríngea deverá ser considerado se a venti-
lação com máscara facial falhar e se a intubação traqueal falhar ou não for viável. 
Recomenda-se o uso de detectores de CO2 exalado para confirmar a in-
tubação endotraqueal, embora existam falsos negativos raros diante de débito 
cardíaco inadequado e falsos positivos por contaminação dos detectores. 
A relação compressão-ventilação ideal permanece desconhecida. A rela-
ção 3:1 para recém-nascidos facilita a administração do volume-minuto ade-
quado, considerada crítica para a vasta maioria dos recém-nascidos que sofrem 
uma PCR asfíxica. A consideração de uma relação 15:2 (com dois socorristas) 
reconhece que os recém-nascidos com PCR de etiologia cardíaca podem se be-
neficiar de uma relação compressão-ventilação mais alta. 
Recomenda-se que bebês nascidos com mais de 36 semanas de gesta-
ção com encefalopatia hipóxico-isquêmica de leve a moderada recebam hipoter-
mia terapêutica. A hipotermia terapêutica deve ser administrada mediante proto-
colos claramente definidos, similares aos utilizados nos ensaios clínicos publica-
dos e nas instituições com recursos para tratamento multidisciplinar e acompa-
nhamento longitudinal. 
 
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Fonte: www.ibes.med.br 
Vários ensaios aleatórios multicêntricos controlados sobre hipotermia in-
duzida (33,5°C a 34,5°C) em recém-nascidos, com idade gestacional ≥ 36 se-
manas, apresentando encefalopatia hipóxico-isquêmica de leve a moderada, de-
monstraram que os bebês resfriados tiveram mortalidade significativamente mais 
baixa e menor deficiência no desenvolvimento neurológico no acompanhamento 
de 18 meses. 
Existem maiores evidências do benefício de retardar a laqueadura do cor-
dão por, pelo menos, 1 minuto em bebês a termo e pré-termo que não necessi-
tem de ressuscitação. Há evidência insuficiente para sustentar ou refutar uma 
recomendação de retardar a laqueadura do cordão umbilical em bebês que ne-
cessitem de ressuscitação. 
Em um bebê recém-nascido sem frequência cardíaca detectável, a qual 
permaneça indetectável por 10 minutos, é apropriado considerar interromper a 
ressuscitação. A decisão de continuar os esforços de ressuscitação após 10 mi-
nutos de ausência de frequência cardíaca deve levar em consideração fatores 
tais como a etiologia presumida da PCR, a gestação do bebê, a presença ou 
ausência de complicações, o papel potencial da hipotermia terapêutica e a prévia 
 
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expressão de sentimento dos pais quanto ao risco aceitável de morbidez. 
Quando a gestação, o peso ao nascer ou anomalias congênitas estiverem asso-
ciadas à morte precoce praticamente certa e a uma morbidez inaceitavelmente 
alta entre os raros sobreviventes, a ressuscitação não é indicada. 
 
4 CETOACIDOSE DIABÉTICA 
A cetoacidose diabética (CAD) é uma condição potencialmente grave e 
frequente em emergências e unidades de terapia intensiva pediátrica (UTIP). 
Consiste em uma das principais complicações dos pacientes com diabetes mel-
litus tipo I (DM I). No Brasil, aproximadamente 20% dos pacientes abrem o qua-
dro de DM I com CAD. É mais comum em crianças com menos de quatro anos 
e afeta 10 a cada 100 mil crianças. Como complicação em crianças já diagnos-
ticadas com DM I, a CAD ocorre em 1 a 10% dos casos. 
Os principais sinais e sintomas são: dor abdominal, náuseas, vômitos, 
edema cerebral, taquicardia, hipotensão, hipocalemia, coma e morte. 
O edema cerebral agudo, uma complicação de 1% dos casos de cetoaci-
dose diabética, ocorre primariamente em crianças e com menor frequência em 
adolescentes e adultos jovens. Cefaleia e flutuação do nível de consciência mar-
cam essa complicação em alguns pacientes, mas a parada respiratória é a ma-
nifestação inicial em outros. A causa não é bem compreendida, mas pode estar 
relacionada a redução rápida demais na osmolaridade plasmática ou à isquemia 
cerebral. É mais provável em crianças com menos de 5 anos quando a cetoaci-
dose diabética constitui a apresentação inicial do diabetes melito. Crianças com 
ureia mais elevada e PaCO2 mais baixa na apresentação parecem apresentar 
maior risco. Atrasos na correção de hiponatremia e utilização de HCO3 no trata-
mento da cetoacidose diabética são fatores de risco adicionais. 
Em pacientes com suspeita de cetoacidose diabética, devem ser mensu-
rados os eletrólitos séricos, ureia e creatinina, glicose, cetonas e osmolaridade. 
A urina deve ser avaliada quanto à presença de cetonas. Pacientes que parecem 
gravemente doentes e aqueles com cetonas positivas devem realizar medida de 
 
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gasometria arterial. A cetoacidose diabética é diagnosticada pela detecção de 
pH arterial inferior a 7,30. 
O tratamento inicial com líquidos deve consistir em solução fisiológica a 
0,9% (20 ml/kg) em 1 a 2 h, seguida de solução fisiológica a 0,45% uma vez que 
a pressão arterial esteja estável e o fluxo de urina adequado e raramente 
NaHCO3 IV (se pH < 7 após 1 h de tratamento). O restante dos líquidos deve 
ser administrado em 36 h, tipicamente requerendo uma velocidade (incluindo lí-
quidos de manutenção) de cerca de 2 a 4 ml/kg/h, dependendo do grau de desi-
dratação. 
A hiperglicemia é corrigida pela administração de insulina regular (0,15 
U/kg, IV, inicialmente em bolus, seguida de infusão IV contínua de 0,1 U/kg/h em 
solução fisiológica a 0,9%). A insulina deve ser suspensa até o potássio sérico 
atingir ≥ 3,3 mEq/l. 
Se a glicemia não cair em 50 a 75 mg/dl na primeira hora, a dose de insu-
lina deve ser dobrada. Crianças devem receber infusão contínua de insulina de 
0,1 U/kg/h ou mais elevada, com ou sem bolus. O tratamento de suspeita de 
edema cerebral consiste em hiperventilação, corticoides e manitol, mas estes 
geralmente são ineficazes após parada respiratória. 
As cetonas devem começar a desaparecer em horas se a insulina for ad-
ministrada em doses suficientes. 
Assistência de enfermagem: 
Verificar a presença e acompanhar a regressão dos sinais e sintomas que 
caracterizam a cetoacidose. Monitorizar os sinais vitais e outros parâmetros he-
modinâmicos. Avaliar e registrar a frequência e profundidade da respiração e a 
presença de respiração de Kussmaul. Avaliar e acompanhar os resultados dos 
exames