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ENFERMAGEM EM URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS PEDIÁTRICAS 1

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Adolescentes devem ser capacitados a proceder à auto aplicação de adrenalina. 
Além disso, solicitar ambulância ou dirigir-se, o mais rápido possível, ao hospital 
após a utilização de adrenalina são medidas relevantes durante o episódio 
agudo. 
A maneira mais eficiente de evitar um quadro anafilático é excluir a possi-
bilidade de contato com o agente desencadeante. No entanto, essa orientação, 
embora possa salvar vidas, nem sempre é possível, além de as recomendações 
dependerem do tipo de desencadeante. 
 
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Em casos de anafilaxia desencadeada por alimentos, a mais frequente na 
infância, a conscientização do paciente e, sobretudo, da família e dos cuidadores 
acerca dos alimentos que possuem o alérgeno em questão, bem como das chan-
ces de possíveis reações cruzadas e contaminações, é de fundamental impor-
tância. 
6 INTOXICAÇÕES EXÓGENAS EM CRIANÇAS 
 
Fonte: gravidez.online/wp 
Os acidentes na infância são um sério problema de Saúde Pública no 
mundo. Nos países desenvolvidos, constituem a principal causa de mortalidade 
das crianças acima de um ano de idade e contribuem significativamente com a 
morbidade na infância. Além disso, os acidentes não fatais representam um 
custo relevante para os sistemas de saúde. As intoxicações exógenas envol-
vendo crianças menores de cinco anos são frequentes no mundo inteiro e res-
pondem por aproximadamente 7% de todos os acidentes, dos quais 2% evoluem 
para o óbito infantil. 
As fontes comuns de veneno incluem medicamentos, produtos de limpeza 
doméstica (saneantes), produtos químicos industriais e agrícolas, plantas e 
 
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substâncias alimentícias. O veneno ou substância venenosa, quando em contato 
com a pele, ingerida, inalada ou absorvida pelo organismo da criança, é capaz 
de causar sérias lesões por meio de reações químicas. 
No Brasil, os medicamentos são os principais agentes responsáveis pelas 
intoxicações em crianças. Logo a seguir, estão as emergências toxicológicas re-
sultantes de intoxicações causadas por animais peçonhentos e por saneantes. 
A ocorrência do envenenamento em crianças normalmente é acidental, 
domiciliar e envolve um contexto multifatorial. É sabido, sobretudo, que o pro-
cesso natural de crescimento e desenvolvimento do infante apresenta fases de 
curiosidade e descobertas, que atraem a criança para situações de perigo. 
Ao abordar esse tema em ações educativas, é necessário que os profis-
sionais da Enfermagem conheçam algumas das características importantes so-
bre as intoxicações, como vias de absorção dos agentes, mecanismo de ação 
fisiológica e sintomas comumente apresentados nas diferentes situações. Todas 
essas informações devem ser conhecidas e analisadas, segundo o contexto em 
que se apresentam. 
O enfermeiro ocupa papel de destaque no processo de educação em sa-
úde, já que é o principal agente dentro da perspectiva do cuidar. Além disso, o 
processo pedagógico da Enfermagem, com ênfase na educação em saúde, é 
reconhecido atualmente como uma estratégia promissora no enfrentamento dos 
múltiplos problemas de saúde que afetam as populações em seus contextos so-
ciais. 
Os sintomas mais comuns incluem: agitação, taquicardia, vômitos, sono-
lência e letargia, porém o quadro geral dos sinais e sintomas dependerá do 
agente responsável pela intoxicação. 
O tratamento dependerá também do agente causador. 
Em casos de intoxicação alimentar, o tratamento consiste em soroterapia, 
reposição volêmica intravenosa com líquidos e eletrólitos pode ser realizada, so-
luções orais de glicose, eletrólitos, antidiarreicos e antimicrobianos. 
Nos casos de intoxicação química, o tratamento consistirá em suporte me-
dicamentoso, uso do carvão ativado por meio de sonda nasogástrica (quando 
indicado) e soroterapia. 
 
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7 CRISES CONVULSIVAS2 
7.1 Convulsões febris 
As convulsões febris ocorrem em cerca de 2 a 5% das crianças com me-
nos de 6 anos; a maioria ocorre entre 6 e 36 meses de idade. Convulsões febris 
podem ser simples ou complexas. 
As convulsões febris simples duram menos do que 15 min, não têm ca-
racterísticas focais e, se ocorrem em série, não duram mais de 30 min. 
As convulsões febris complexas duram mais de 15 min, têm característica 
focal ou paresia pós-ictal ou ocorrem em série em uma duração total superior a 
30 min. 
A maioria (mais de 90%) das convulsões febris é simples. 
As convulsões febris ocorrem durante infecções virais ou bacterianas. Às 
vezes, também ocorrem após aplicação de certas vacinas como sarampo, ca-
xumba e rubéola. Fatores familiares e genéticos podem aumentar a suscetibili-
dade às convulsões febris. Gêmeos monozigotos têm maior frequência de coe-
xistência do processo do que os dizigotos. Diversos genes associados com con-
vulsões febris foram identificados. 
Em geral, as convulsões febris ocorrem no início da rápida elevação da 
temperatura e a maior parte nas 24 h do começo da febre. As convulsões são 
tipicamente generalizadas, a maioria clônica, mas algumas se manifestam como 
períodos de posição tônica ou de atonia. 
As convulsões são diagnosticadas como febris após exclusão de outras 
causas. A febre também pode desencadear convulsões em crianças que apre-
 
2 Texto adaptado de Cléber Ribeiro Álvares da Silva et al. 2013. 
 
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sentavam convulsões afebris anteriormente, não podendo nesses casos ser cha-
mada de “convulsão febril”, porque a criança já havia demonstrado tendências 
convulsivas anteriores. 
Em geral, a frequência da recorrência é de aproximadamente 35%. O risco 
de recorrência é mais elevado se as crianças tiverem menos de 1 ano de idade 
na ocasião da primeira crise ou tiverem familiares de primeiro grau que apresen-
tam convulsões febris. O risco de desenvolver um distúrbio convulsivo afebril 
após episódio de convulsão febril é de 2 a 5%, a menos que a criança tenha 
fatores de risco adicionais (p. ex., convulsões febris complexas, história familiar 
de convulsões, retardo de desenvolvimento), o que faz aumentar o risco para até 
10%. 
O tratamento é de suporte se as convulsões durarem menos do que 15 
min. Para as que durarem ≥ 15 min, o tratamento é medicamentoso e, às vezes, 
intubação. O tratamento é de suporte se as convulsões durarem menos do que 
15 min. 
Se as convulsões durarem ≥ 15 min, medicamentos são necessários para 
cessá-las, com cuidados de monitoramento das condições circulatórias e respi-
ratórias. Se a resposta à medicação não for imediata e a convulsão persistir, a 
intubação poderá ser necessária. 
A terapia medicamentosa é geralmente IV, com benzodiazepínico de ação 
rápida (p. ex., Lorazepam 0,05 a 0,1 mg/kg IV durante 2 a 5 min, repetido a cada 
5 a 10 min até três doses). Fosfenitoína, na dose de 15 a 20 mg EF (equivalente 
em fenitoína) /kg, deve ser administrada durante 15 min se a convulsão persistir. 
Em crianças de 2 a 5 anos, pode-se administrar 0,5 mg/kg de diazepam gel retal 
uma vez e repetir em 4 a 12 h se o Lorazepam não puder ser administrado por 
via IV. Para tratar uma convulsão persistente, podem também ser administrados 
fenobarbital, valproato ou levetiracetam. 
Terapia medicamentosa de manutenção, para prevenir convulsões febris 
recorrentes ou o aparecimento de convulsões afebris, geralmente não é indi-
cada, a menos que tenham ocorrido episódios múltiplos ou prolongados. 
 
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7.2 Crises epiléticas 
Crise epiléptica (CE) é a expressão clínica de descarga anormal, exces-
siva, sincrônica, de neurônios que se situam basicamente no córtex cerebral. 
Esta atividade paroxística é intermitente e geralmente autolimitada, durando de 
segundos a poucos minutos;