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INFECTOLOGIA INTENSIVA

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 Imunizações (Vacinação) 
 Aconselhamento na Prescrição de Antimicrobianos (Uso correto de 
antibióticos) 
 Controle de Infecção Hospitalar 
1.3 Quando Procurar um Infectologista 
O desconhecimento sobre o campo de atuação do médico infectologista faz 
com que, na maioria das vezes, a população procure outras especialidades médicas 
quando acometida por doenças infecciosas. 
Por exemplo, pacientes com suspeita de pneumonia, em geral procuram um 
pneumologista, com hepatite viral um gastroenterologista, com cistite ou pielonefrite 
(infecção urinária na bexiga ou rim), um nefrologista ou urologista, com meningite um 
neurologista, com piodermite (infecção na pele) um dermatologista e assim por diante. 
Como as infecções quase sempre acometem preferencialmente um 
determinado órgão, o paciente intuitivamente procura o especialista responsável pelo 
tratamento de doenças daquele órgão. 
 
 
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Ocorre que, embora muitos destes profissionais estejam capacitados a resolver 
o problema, por outras vezes o especialista procurado é especialista no órgão e não 
no tratamento da infecção do órgão. Assim, não são raros os casos que chegam ao 
infectologista encaminhados por outros médicos, com atraso diagnóstico ou somente 
quando já aparecem complicações no tratamento ou pela falta deste. 
 
A seguir, algumas situações nas quais é aconselhável procurar um 
infectologista: 
2 INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA EM SAÚDE EM UNIDADES 
DE TERAPIA INTENSIVA 
2.1 Introdução 
As infecções relacionadas à assistência à saúde, popularmente conhecidas 
como infecções hospitalares, podem ser definidas como àquelas adquiridas após a 
admissão do paciente na unidade hospitalar e que se manifestam durante a internação 
ou após a alta, quando puderem ser relacionadas com a internação ou procedimentos 
assistenciais. Pacientes internados em instituições de saúde estão expostos a uma 
ampla variedade de microorganismos patogênicos, principalmente em Unidades de 
Terapia Intensiva (UTI). Este setor é considerado como um núcleo de emergência e 
disseminação de agentes biológicos, devido a algumas características peculiares, 
como: unidade restrita/fechada, com alta frequência de contato profissional-paciente; 
maior possibilidade de transmissão cruzada de patógenos (pela reduzida adesão à 
lavação das mãos em frequência e qualidade, sobrecarga de trabalho e problemas 
relacionados ao acesso às pias e disponibilidade de material); alta pressão seletiva 
por antibióticos de largo espectro; e maior possibilidade de contaminação do meio-
ambiente. Dessa forma, os pacientes admitidos em UTI, estão sujeitos a riscos de 5 a 
10 vezes maior de adquirir infecção que aqueles de outras unidades de internação do 
hospital. Além de mais vulneráveis intrinsecamente à infecção, são frequentemente 
expostos aos fatores de risco tais como: procedimentos invasivos, cirurgias 
complexas, drogas imunossupressoras, antimicrobianos e as interações com a equipe 
de saúde e os fômites. 
 
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Segundo a Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar, 
do ano de 2005, no Brasil, entre aproximadamente 5 e 15% dos pacientes 
hospitalizados e 25 a 35% dos pacientes admitidos em UTIs adquirem infecção 
hospitalar, sendo ela a quarta causa de mortalidade. Apesar de o número de leitos 
representar, geralmente, cerca de 5 a 10% dos leitos de um hospital, estima-se que 
nesse setor ocorram aproximadamente 25% de todas as infecções hospitalares. 
Pneumonias hospitalares ocasionadas por bactérias multirresistentes em pacientes 
sob ventilação mecânica, infecções do trato urinário, infecções de sítios cirúrgicos e 
de tecidos moles têm sido as mais frequentemente diagnosticadas em UTIs. Pelas 
proposituras anteriores, o objetivo desse estudo foi determinar a prevalência dos 
diferentes tipos de infecções relacionadas à assistência à saúde em unidades de 
terapia intensiva. 
 
3 HIV/AIDS 
 
 
FONTE:observatoriog.bol.uol.com.br 
Estima-se que existam 36,9 milhões de pessoas vivendo com o vírus da 
imunodeficiência humana/síndrome da imunodeficiência adquirida HIV/AIDS no 
 
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mundo, com cerca de 2 milhões de novos casos e 1,2 milhão de mortes ao ano. No 
Brasil o número aproximado é de 781 mil pessoas vivendo com HIV/AIDS, com 12.449 
óbitos registrados em 2014. Nos primeiros anos do surgimento do HIV, a sobrevida 
hospitalar relatada para os pacientes admitidos em unidade de terapia intensiva (UTI) 
era de cerca de 30%, chegando a ser menor que 15% para quem evoluía com 
insuficiência respiratória. Com as melhorias dos cuidados intensivos e com a 
introdução da terapia antirretroviral altamente ativa (HAART) em 1996, o HIV se tornou 
uma doença crônica, e os pacientes infectados passaram a viver mais. Embora a 
sobrevida na UTI tenha melhorado desde o início da epidemia do HIV, a mortalidade 
dos pacientes graves ainda é de cerca de 30% e continua maior que a de pacientes 
não infectados. A morte na UTI é frequentemente acompanhada de intervenções 
agressivas, tratamentos onerosos, controle inadequado dos sintomas e isolamento 
social. Nesse contexto, os cuidados paliativos são fundamentais, tanto nas decisões 
sobre a limitação de medidas invasivas, como no controle dos sintomas e nos 
cuidados de fim da vida. Em 2002, a Organização Mundial da Saúde definiu cuidado 
paliativo como uma abordagem voltada para cuidar do sofrimento de pacientes que 
enfrentam doenças que ameaçam a vida. Desde então, diversas sociedades e 
referências em Medicina Intensiva passaram a incorporar o cuidado paliativo como 
parte integrante da qualidade do cuidado do paciente grave. Assim, a avaliação do 
controle de sintomas, o alinhamento dos tratamentos aos valores e preferências de 
pacientes, e o reconhecimento do problema da obstinação terapêutica passaram a ser 
avaliados como intervenções de qualidade na UTI. Passou-se a reconhecer que o 
cuidado paliativo deveria ser aplicado o mais cedo possível no decurso de qualquer 
doença grave, integrado ao cuidado que busca a cura ou controle, e não somente na 
fase final. Isso se aplica em especial na UTI. Dentro dessa linha de pensamento, os 
cuidados paliativos primários deveriam ser realizados por todos os profissionais que 
lidam com doenças graves. Isso pode ser alcançado com a educação desses 
profissionais de saúde e com a ideia de que a indicação do cuidado paliativo deve se 
basear na necessidade, e não no diagnóstico e prognóstico do paciente. Caberia, 
assim, a avaliação de especialistas em casos selecionados, de acordo com as 
características e as necessidades da instituição em questão. Esse modelo consultivo 
pode promover o crescimento da cultura de cuidado paliativo na UTI, levando à 
melhora da qualidade dos cuidados com os pacientes e seus familiares. No Brasil, 
 
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ainda são escassas as publicações que mensuram as iniciativas de integração de 
cuidados paliativos com unidade de terapia intensiva. 
 
3.1 Acompanhamento do Paciente 
 O acompanhamento de pacientes infectados pelo vírus da imunodeficiência 
humana (HIV), também é de responsabilidade do médico infectologista. 
Atualmente, com as medicações disponíveis, a infecção pelo HIV se tornou 
uma doença crônica, tal qual a hipertensão arterial ou diabetes, para as quais, não 
existindo ainda cura, existe excelente controle. 
Assim, os pacientes com infecção pelo HIV podem levar uma vida 
perfeitamente normal e produtiva, como qualquer outro paciente portador de doença 
crônica, desde que recebam acompanhamento médico adequado. 
Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2002, cerca de 0,5 a 0,8% da 
população brasileira entre 15 e 49 anos seja portadora do vírus da AIDS.